Cáritas de SetúbalJornadas Diocesanas discutem Emprego na península de Setúbal
Por Jornal Rostos
Contribuir para que Setúbal seja uma região mais justa, responsável e solidária bem como incrementar uma maior corresponsabilidade de todas as forças vivas da região e definir as estratégias que visem a criação de mais emprego, foram os objectivos das Jornadas Diocesanas deste ano, que decorreram no Auditório Charlot, em Setúbal.
“Há um problema de cidadania”
O Rostos da Cidade esteve presente no último dia das Jornadas e pediu um balanço final a Eugénio da Fonseca, presidente da Cáritas Diocesana de Setúbal.
“Discutimos aqui as questões do emprego na sociedade portuguesa em geral, que se trata actualmente de um problema planetário, embora o focalizássemos mais na realidade de península de Setúbal.
E há uma conclusão que atravessa todas as preocupações que aqui foram trazidas, que é o problema da cidadania e tenho medo que esta palavra se comece a banalizar ao ponto de já ninguém lhe ligar importância.
Isto porque, mesmo o desemprego sendo um problema estrutural da nossa península, a adesão que esta iniciativa teve ficou muito aquém daquilo que pensaríamos que fossem as reais preocupações das pessoas que aqui habitam e que vivem essencialmente do trabalho. Terá a ver, com certeza, com um sentimento de desinteresse das pessoas relativamente aos problemas actuais e não há nada pior do que se cair numa dinâmica de fatalismo, o «não vale a pena, porque tudo isto é mau». O que é realmente mau é o facto das pessoas não se fazerem ouvir e virem ouvir.
A segunda conclusão deste encontro, é que esta dinâmica do emprego tem de passar muito pela auto-estima colectiva. Portugal tem recursos humanos e naturais, muitos projectos inovadores que hoje são reconhecidos mundialmente e que partiram da inteligência de portugueses e muitas vezes somos muito negativistas e não valorizamos o que se vai criando aqui no nosso país.
Apelamos para que sejam valorizados os recursos humanos e nesta valorização têm de entrar aqueles que ainda não estão reconhecidos como capacitados. Também é verdade que, em termos do acesso ao ensino universitário, comparativamente com outros países, mesmo os que se preparam agora para entrar na União Europeia, temos indicies muito baixos de jovens licenciados, mas como é que se compagina isto depois com o emprego é uma outra questão. Tal como em todo o país, Setúbal também está a aumentar o número de licenciados desempregados, e por isso as licenciaturas devem ser criadas de acordo com as necessidades e não apenas para justificar a existência de escolas superiores, que muitas vezes funcionam de acordo com a disponibilidade dos subsídios que têm”.
Estado como regulador
E de que forma o Estado pode intervir a este nível?
“O papel do Estado é o de regulador. Temos que ser um país de procura mas também de oferta. Neste momento há um desequilíbrio muito grande porque somos mais lestos a procurar do que a oferecer o que temos, que é muito e de qualidade.”
O Estado não deve apoiar mais as ideias nacionais?
“Deve apoiar, mas também viabilizar. A experiência da nossa integração europeia diz que muitas vezes os apoios não criam apenas dependência nas pessoas mas também nas empresas.
Não é compreensível que quando as empresas são rentáveis não assumam os seus compromissos cívicos e de cidadania, estando até em processos de invasão fiscal e quando têm prejuízo vêm logo reclamar do Estado os necessários apoios.
Tudo isso deve ser muito bem ponderado no sentido que os apoios sejam os bastantes para lançar as ideias mas depois as pessoas têm de ter asas para voar e compete ao Estado regular nesse sentido de descobrir as potencialidades e as apoiar e não se colocar numa posição expectante de desconfiança, mas arriscar.
O nosso mercado de oferta de momento está muito centrado na Europa quando temos mercados como África e das Américas onde temos muito para explorar e os portugueses nisso têm uma história muito longa e não precisam de aprender com ninguém.”
Maria do Carmo Torres













