Bloco de Esquerda - Barreiro“O Barreiro Velho está moribundo”
Neste debate foi sugerido que fosse criado um “movimento de cidadania” que promovesse a ideia do Barreiro Velho como um problema do Barreiro e lançado o apelo para que seja promovida a animação cultural do Barreiro Antigo.

Por Jornal Rostos
Na Sala Augusto Cabrita, na SIRB “Os Penicheiros” a Comissão Concelhia do Barreiro do Bloco de Esquerda promoveu um debate tendo como objectivo promover uma reflexão sobre o “centro da cidade” e o “Barreiro Velho”.
O debate foi moderado por Rosário Vaz, eleita do Bloco de Esquerda na Assembleia de Freguesia do Barreiro, contou com a presença de Humberto Candeias e José Namora, deputados da Assembleia Municipal do Barreiro, para além de Mário Durval, líder concelhio do BE.
Na abertura do debate, Rosário Vaz, deu a conhecer o conteúdo de duas propostas que apresentou na Assembleia de Freguesia do Barreiro e que foram reprovadas com os votos da CDU.
Numa proposta sugeria-se uma intervenção no pátio traseiro à Junta de Freguesia, onde “funciona como parque de estacionamento automóvel, sem regras” e “conserva algumas floreiras em pedra que mais não são do que recipientes de lixos variados”.
Um muro escorado em risco de 2ª derrocada
Na proposta apresentada pela eleita do BE e reprovada pelos eleitos da CDU, refere-se que naquela zona se “mantém, desde há mais de dois anos, um muro escorado e em risco de 2ª derrocada, junto a um depósito de abastecimento de gás e a um parque de estacionamento automóvel da Câmara Municipal do Barreiro”.
Nesse sentido propunha-se que “se transforme o referido espaço numa zona agradável e higiénica, arrelvada, de árvores cuidadas, paredes e/ou muros pintados e as floreiras, de toda a zona envolvente, reactivadas nas suas verdadeiras funções”.
Animar a Zona Centro-Histórica do Barreiro
Noutra proposta, referida por Rosário Vaz, propõe-se a animação da zona histórica do Barreiro antigo, salientando-se que “é necessário, e urgente, animar a Zona Centro-Histórica do Barreiro, que é de toda a importância criar espaços de cultura, acessíveis a toda a população, que o Barreiro Velho se descaracteriza, cada dia, um pouco mais, que eventuais planos de intervenção profunda no Barreiro Velho, pela sua complexidade, só a médio/longo prazo podem vir a corresponder aos anseios da população da referida zona, propõe-se, para implementação a curto prazo, o Projecto “Recriação de Espaços”, nomeadamente Largo Casal, onde “se institucionalize, como hábito, a realização mensal de uma Feira do Livro, simultânea ou alternadamente com a criação de um tempo/espaço, (ao ar livre)onde os artistas plásticos dêem asas à sua imaginação criativa”; o Pátio dos Bichos, “com a recriação de histórias/profissões em extinção, do Barreiro Velho, a partir da constituição de Grupo de Estórias, formado com elementos da população local” e o Largo Rompana, de forma a que este “passe a ser um espaço regular de animação (mostras de trabalhos dos alunos das Escolas do 1º Ciclo, da zona, quermesses em colaboração com a Misericórdia e Instituições de Idosos, mostras de trabalhos desses Idosos, celebração dos Santos Populares e outras actividades afins)”.
Esta proposta também foi reprovada em reunião da Assembleia de Freguesia com os votos contra dos eleitos da CDU.
“O Praiense” movimenta 50 crianças
Estas propostas foram o “leit motiv” para animar o debate sobre o “centro do Barreiro” e o “Barreiro Antigo”.
No decorrer do debate diversos foram os intervenientes, um dirigente do Grupo Desportivo “O Praiense” referiu o empenhamento do clube na animação desportiva, em FUTSAL e Atletismo, envolvendo cerca de 40 a 50 crianças.
Alertou para as obras de recuperação do edifício sede do clube e para a necessidade de puderem utilizar o Polidesportivo da Avenida da Praia, cuja gestão está entregue ao Grupo Desportivo do Barreiro.
Referiu as dificuldades financeiras do clube e que a anterior Direcção ficou a dever dinheiro a diversas entidades deixando o clube em situação económica difícil.
Movimento de Cidadania pelo Barreiro Velho
Outra intervenção, de José Encarnação, sublinhou que o problema do Barreiro Velho tem que ser sentido como um problema não das pessoas que vivem naquela área geográfica mas como um problema do concelho.
Na sua intervenção sugeriu que fosse criado um “movimento de cidadania” que promovesse a ideia do Barreiro velho como um problema do Barreiro.
“Este problema não se resolve se não se repovoar esta zona” – salientou que a solução tem que ser encarada no âmbito da requalificação urbana.
Na sua intervenção lamentou que a politica em vez de ajudar a resolver os problemas por vezes apenas dê “para inquinar as coisas” e considerou que em relação a esta matéria do Barreiro velho tem havido muita demagogia “desde o PCP ao CDS/PP”.
A finalizar sublinhou que o POLIS deveria ter sido pensado no sentido de se intervir em toda a zona ribeirinha do concelho do Barreiro, da qual o Barreiro velho é parte integrante.
É preciso animar culturalmente o Barreiro Velho
Álvaro Monteiro, referiu que se o Barreiro está assim é porque os políticos quiseram que esteja assim, porque, salientou, os políticos dos governos quiseram liquidar todo o potencial industrial da margem sul e tudo o que está associado a essa realidade, quer no plano politico, quer associativo e cultural.
“Hoje vieram viver para o Barreiro outras pessoas que não têm nada a ver com as raízes do Barreiro” – salientou Álvaro Monteiro.
Na sua intervenção sublinhou a necessidade de ser revitalizada a actividade das colectividades na zona do Barreiro antigo e considerou ser importante valorizar o centro da cidade.
“É preciso animar culturalmente o Barreiro Velho” – salientou.
As pessoas do Barreiro velho sentem-se abandonadas
Rosário Vaz, salientou que a politica só inquina a resolução dos problemas quando em vez de querer ajudar a resolver os problemas – “é cega e quer manipular os cidadãos”.
“O repovoamento do Barreiro é importante, porque saiu muita gente” – sublinhou a autarca do Bloco de Esquerda.
Mas, acrescentou, os que cá estão e os que cá vivem devem sentir que as dinâmicas locais, por isso, referiu “temos que animar o Barreiro Velho” de forma a que as pessoas “sintam o espaço onde vivem”.
“As pessoas do Barreiro velho sentem-se abandonadas. O Barreiro Velho está moribundo” – sublinhou Rosário Vaz.
Repensar as “características da cidade”
Outra intervenção alertou para a existência de uma classe média no Barreiro, que trabalha em Lisboa, regressa á noite e encontra tudo fechado.
Este cidadão referiu que é preciso analisar os fenómenos que afectaram a vida do Barreiro nos últimos anos, porque o Barreiro “mudou completamente” e, nesse sentido considerou necessário repensar as “características da cidade”.
Nesta intervenção foram criticadas as condições deficientes existentes na freguesia do Barreiro ao nível das escolas do Ensino Básico e foi criticada a deslocalização da Escola Mendonça Furtado.
“Tem que haver um projecto de revitalização da cidade, de recuperação do património e de valorização do património” – foi sublinhado.
“Somos uma cidade no centro do país, com boas vias de acesso, podíamos ter a ambição de ser uma cidade com condições para as pessoas gostarem de cá viver” – foi referido nesta intervenção.
Este cidadão ainda acrescentou ser importante valorizar os “símbolos da cidade”, mantê-los vivos e renová-los – “pode demorar anos mas é importante, vejam o exemplo do Campo Pequeno, em Lisboa”.
Nada fazem para valorizar o Barreiro Velho
Noutra intervenção sublinhou-se que ao nível do Ensino Básico, na Escola Conde Ferreira, desde que recuperada e modernizada tem boas condições para cumprir as suas funções e é uma escola bem localizada.
“Seria valorizar o Barreiro Velho, mas nada fazem para valorizar o Barreiro velho” – foi referido.
O Barreiro Velho está emparedado
José Caro Proença, sublinhou que o “Barreiro velho é aquele que tem memória” e esta “memória deve ser preservada, e não a deixar morrer na solidão”.
“O Barreiro Velho está emparedado” – salientou José Caro Proença.
“Sou do tempo em que o Largo do Casal era um centro vivo” – sublinhou.
O debate prolongou-se, com entusiasmo, sendo abordados diversos assuntos, nomeadamente a influência do futuro FORUM BARREIRO no comércio local e no desenvolvimento do Barreiro Velho.













