Encontro Intermunicipal concluiLinha Ferroviária Barreiro – Setúbal tem importância estratégica no desenvolvimento da região
. Acção Popular em defesa da Linha do Sado, no Pinhal Novo, dia 7 de Junho, às 17 horas.
“Nos últimos 75 anos não se tem investido nesta linha, tendo como resultado a perda de passageiros” – salientou Joaquim Matias, Vice Presidente da Câmara Municipal do Barreiro.
A Linha do Sado é utilizada diariamente por 11 mil passageiros, referiu Luís Vale, Técnico da CP, que participou no debate.

Por Jornal Rostos
Carlos Humberto, Presidente da Câmara Municipal do Barreiro, defendeu que é importante e necessário “criar a Autoridade Metropolitana de Transportes” no sentido de ser dinamizado um instrumento que contribua para estudar e “articular os vários transportes”.
Na sua opinião a Linha do Sado é “importante para o presente e para o futuro desenvolvimento da região”, quer do “ponto de vista do seu desenvolvimento económico e social”, quer na defesa dos postos de trabalho.
O autarca defendeu que o transporte para contribuir para o desenvolvimento tem que melhorar a sua qualidade, de forma a que não se “perca a atractividade do transporte colectivo”.
Neste contexto considerou que é importante defender a Linha do Sado, com base numa visão integrada, e com o reconhecimento que “o transporte serve o desenvolvimento”.
“É preciso articular os vários transportes” - referiu e sublinhou que o Metro Sul do Tejo “è outro elemento que é preciso concretizar, ligando Setúbal a Almada”.
Carlos Humberto sublinhou, ainda, que a Câmara Municipal do Barreiro vai “comemorar condignamente os 150 anos dos Caminhos de Ferro no concelho do Barreiro”.
Perda de competitividade do transporte ferroviário
Na intervenção de abertura deste “Encontro Intermunicipal” tendo como objectivo debater – “A importância estratégica da Linha do Sado no desenvolvimento Local e Regional”, Joaquim Matias, Vice Presidente da Câmara Municipal do Barreiro recordou que os Caminhos de Ferro foram um factor de desenvolvimento do concelho do Barreiro e da região ao longo dos últimos 150 anos.
Na sua intervenção sublinhou que a Linha do Sado que liga o Barreiro a Setúbal, liga os mais importantes pólos da península de Setúbal, nos concelhos de Barreiro, Moita, Palmela e Setúbal.
“Nos últimos 75 anos não se tem investido nesta linha, tendo como resultado a perca de passageiros, a existência de material obsoleto, os mesmos tempos nos percursos e a perda de competitividade do transporte ferroviário ” – referiu Joaquim Matias.
Joaquim Matias, confirmou que vai se iniciar a electrificação do troço Barreiro – Pinhal Novo, e considerou que “é pouco compreensível que a CP apenas queira fazer carreiras Barreiro – Pinhal Novo”.
Por outro lado, salientou a importância de se defender o pólo ferroviário do Barreiro – “ tem que ser desenvolvido”.
Não basta introduzir transporte eléctrico
Luís Vale, Técnico da CP, presente neste Encontro, referiu que o “investimento de electrificação é da REFER” e que a “ CP tem feito pressão para que a electrificação da linha se concretize”.
Sublinhou que a CP tem condições, logo que esteja concluída a electrificação para “trazer algum material para a Linha do Sado”.
Recordou que para além da electrificação é necessário alterar “plataformas nas estações” e resolver situações de criação de passagens desniveladas.
“Expressamos o nosso agrado com as preocupações expressas nesta reunião sobre a importância dos transportes públicos” – referiu Luís Vale.
Recordou que a Linha do Sado é utilizada diariamente por 11 mil passageiros e que destes passageiros “60% vai a pé para a estação”, sendo portanto esta uma linha de “transporte de proximidade”.
Sublinhou que dos passageiros que utilizam a Linha do Sado, “50% utilizam no troço Barreiro -Pinhal Novo”, na ordem dos “ 20% entre Pinhal novo – Praias Sado” e apenas “28% utilizam o troço na sua extensão máxima”.
“Não basta introduzir transporte eléctrico para que o transporte seja um sucesso” – salientou e acrescentou que, nem tal significa “um aumento do peso do transporte ferroviário” se não estiver articulado com outras redes.
Na sua opinião é necessária a articulação com outros meios de transporte, referiu igualmente que “há urbanismo desligado da linha férrea” e que, também, é necessário ter em consideração “a segurança nos acessos aos Caminhos de Ferro”.
Recordou que, na verdade, fez parte de um estudo da Direcção Geral dos Transportes, “o abandono da Linha do Sado” mas que tal foi apenas “um cenário equacionado”.
“Qualquer decisão sobre o encerramento do troço é da competência do Ministério, porque a CP por sua iniciativa não o pode fazer” – salientou o Técnico da CP.
Luís Vale, na sua intervenção sublinhou que “a FERTAGUS não é um concorrente” e considerou que “Setúbal ficou a ganhar” porque tem ligação com Lisboa, salientando que este é um dado positivo, porque “a margem Sul ganhou com esta ligação nova”.
Reforçar a importância do transporte ferroviário
Humberto Candeias, deputado Municipal do Bloco de Esquerda, salientou que o problema da Linha do Sado é um problema que já vem dos anos 60 pelo que não se pode conotar o problema com a perda da gestão actual.
Na sua opinião o importante é saber como “reforçar o papel dos transportes públicos” e melhorar a sua eficácia.
Reconhecendo ser importante “levantar consciências” e “produzir inquietação” será necessário, na procura de soluções gerar “concertação”.
Na sua opinião é importante gerar compromissos, com a CP, que contribuam para estudar e “melhorar a atractividade do transporte ferroviário” e que estes compromissos devem ser equacionados no desenvolvimento de “melhores condições urbanísticas” que “ajudem à promoção do transporte ferroviário”.
“É necessário que as autarquias, aqui presentes, apresentem propostas que contribuam para reforçar a ideia da importância do transporte ferroviário” – salientou, acrescentando que “a Linha do Sado está desactualizada”.
Linha do Sado é espinha dorsal da península
No decorrer do debate realizaram-se diversas intervenções, Américo Leal, da Comissão de Utentes, referiu a ameaça que “a CP venha a acabar com o serviço público que presta” e colocar “este serviço na FERTAGUS”.
Apelou à realização de uma “Acção Popular” no dia 7 de Junho, no Pinhal Novo, pelas 17 horas, em defesa da linha do Sado.
Frederico Tavares, da Sub Comissão de Trabalhadores da Linha do Sado, referiu a importância de serem defendidos os postos de trabalho e que tem sido uma luta difícil que a tem sido desenvolvida pela modernização da linha do Sado.
Diamantino Patarata, da Comissão de Trabalhadores da EMEF, referiu a ligação da Linha do Sado com o centro ferroviário do Barreiro e considerou que a Linha do Sado é “a espinha dorsal da península de Setúbal na sua ligação à área Metropolitana de Lisboa”.
Raul Vasques, da Comissão de Trabalhadores da CP, referiu que a 3ª Travessia do Tejo “não vai ser para transportes suburbanos” e considerou que “a perspectiva de transporte eléctrico na Linha do Sado é reduzida”.
“O pólo ferroviário do Barreiro é para abater” sublinhou, acrescentando que “o terreno vale ouro” .
Sobre esta matéria Joaquim Matias, referiu que "não serão licenciadas habitações em substituição das Oficinas".
Na sua opinião, “o serviço público ferroviário tem sido descurado pelo transporte rodoviário”.
José Almeida, do Sindicato dos Ferroviários, o “governo PS decide em conformidade com os privados” e recordou que o governo Guterres não deixou a CP concorrer ao transporte ferroviário na travessia do Tejo.
Na sua opinião “o transporte ferroviário é essencial na península de Setúbal” e considerou que “há falta de diálogo entre as Câmaras e a REFER”.
Recordou que no sector ferroviário, no Barreiro, em 1992, trabalhavam 1500 pessoas e que actualmente esse número ronda os 500 trabalhadores.
Raul Malacão, Presidente da Junta de Freguesia do Barreiro, referiu “não entendo, nem percebo, que no nosso país os Caminhos de Ferro estejam a ser tratados desta maneira”
José António Antunes, Presidente da Junta de Freguesia do Alto do Seixalinho, salientou que este encontro só foi possível realizar porque a Câmara do Barreiro está a ser gerida pela CDU.
Solicitar audiências ao Ministério
No final do Encontro foi divulgado um documento, no qual as Câmaras Municipais do Barreiro, Setúbal, Moita e Palmela, salientam a importância estratégica da Linha do Sado para a Península de Setúbal, exigem a electrificação e modernização da Linha do Sado, com um serviço de qualidade, a dignificação dos trabalhadores ferroviários, e, comprometem-se promover acções de esclarecimento da opinião pública sobre a importância da Linha do Sado no desenvolvimento da região.
As autarquias vão solicitar audiências ao Ministério e diversos organismos no sentido de darem a conhecer as conclusões deste Encontro Intermunicipal













