Almada como palco23º Festival Internacional de Teatro
O orçamento do Festival deste ano é de 550.000,00 Euros, “verba que seria insuficiente para a programação apresentada se não fossem as parcerias estabelecidas” segundo Joaquim Benite.
Por Jornal Rostos
Samuel Beckett é um dos principais convidados em mais uma Festa do Teatro de Almada, num ciclo que celebra o centenário do seu nascimento, composto pela encenação de Giorgio Strehler de “Dias Felizes”, “À espera de Godot”, com encenação de Miguel Seabra, pelo Teatro Meridional, “Todos os que caem”, encenado por João Mota e interpretado por Maria do Céu Guerra, pela Comuna, “Nada ou o silêncio de Beckett” pelo Teatro Marionetas do Porto, um colóquio sobre a obra beckettiana e uma exposição documental.
A apresentação de mais uma edição deste Festival decorreu desta feita a bordo do barco do Tejo S. Paulus, “numa sessão informal e num acto simbólico porque o Festival é cada vez mais das duas cidades, e quisemos assim ligar o Tejo às actividades de cultura” referiu Joaquim Benite, o Director do Festival e na qual estiveram presentes entidades, actores e o embaixador da República Checa “personalizando o apoio que o Governo checo dá à cultura aos laços que unem os nossos dois países”.
Na sessão, Joaquim Benite salientou o ciclo dedicado a Beckett no ano em que se comemora o centenário do nascimento deste dramaturgo e o ciclo de teatro do Porto, “porque este ano as companhias nacionais convidadas são todas da cidade Invicta, o que nos dará ocasião de conhecer melhor o seu trabalho, e ao mesmo tempo discutir a situação do teatro no Porto, num colóquio que se irá realizar.”
Sobre o Festival, Joaquim Benite acrescentou ainda que “este se adapta renovando-se todos os anos, mas mantendo os traços de origem que não quer vir a perder. Este ano contamos com três estreias, gostaríamos de ter mais, mas sabemos que estas são muito boas, porque é um sinal do empenho que as companhias têm para connosco.”
O vice-presidente da Região de Turismo Costa Azul, Ezequiel Lino, frisou “o direito cívico e de cidadania das entidades de apoiarem as artes e a cultura. Ao longo dos anos temos estado ao lado do Festival, apoiando com pouco mas é o que podemos dar para objectivos muito importantes”.
Um palco, duas cidades
A Festa do Teatro espalha-se por vários palcos, que são o palco grande da Escola D. António da Costa, o Auditório Fernando Lopes-Graça, no Fórum Romeu Correia, no Teatro Municipal de Almada, na rua Conde Ferreira e e como não poderia deixar de ser, no Novo Teatro Municipal de Almada.
O Festival já ultrapassou as fronteiras de Almada e vai contar de novo com espectáculos também em Lisboa, no Teatro D. Maria II, na Culturgest, no Teatro Municipal de S. Luíz, no Teatro do Bairro Alto/ Cornucópia e no Centro Cultural de Belém.
O Novo Teatro Municipal de Almada vai receber um dos pontos altos do Festival, a encenação de Bernard Sobel para o Théâtre de Gennevilliers – Centro Dramático Nacional de França – da peça de Alexandre Ostrovski “Dom, Mecenas e Adoradores”, a última criação de Sobel enquanto director de Gennevilliers, uma vez que abandonará em Dezembro o cargo. O espectáculo foi distinguido, no passado dia 20 de Maio, com o Grande Prémio da Associação de Críticos de Teatro, Música e Dança.
A dança ocupa um lugar importante na programação deste ano, com a apresentação de três espectáculos de diferentes universos.
Este ano, a homenagem recai sobre o Observatório das Actividades Culturais, uma associação que visa realizar projectos de investigação no domínio da cultura em Portugal e divulgar os resultados respectivos nas suas diversas linhas de publicações e em apresentações públicas dos trabalhos e que este ano completa dez anos de existência.
O cartaz do espectáculo teve a concepção de José de Guimarães, cujos trabalhos vão estar em exposição, conjuntamente com os de Pedro Calapez e António Lagarto.
Três estreias
O Festival de Almada apresenta três estreias: “Na solidão dos campos de algodão”, de Bernard–Marie Koltés, pela Compagnie du Tournesol, com encenação de Philip Boulay, na Culturgest; “Esta noite, Arsénico”, do autor italiano Carlo Terron, pela Companhia de Teatro de Almada, com encenação de Mario Mattia Giorgetti; “A Mata” de Jesper Halle, pelos Artistas Unidos, com encenação de Franzisca Aarflot.
O Festival de Almada conta com os apoios principais do Ministério da Cultura – Instituto das Artes, Câmara Municipal de Almada, Região de Turismo de Setúbal Costa Azul, de diversos patrocínios privados, e os apoios do Turismo de Lisboa, Instituto Italiano da Cultura, AFAA, (Association Française d’Action Artistique), Embaixada da República Checa, IITM, CELCIT, Fnac e Infidelidades.
O orçamento do Festival deste ano é de 550.000,00 Euros, “verba que seria insuficiente para a programação apresentada se não fossem as parcerias estabelecidas” segundo Joaquim Benite.
Maria do Carmo Torres













