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Perspectivas

“Conversas à direita” no BarreiroRepensar o falhanço dos sucessivos governos na implementação de medidas organizadoras da mobilidade

“Há que pensar o tema dos transportes em duas grandes temáticas: o transporte de pessoas e a mobilidade e o transporte de mercadorias e a logística” sublinhou Anacoreta Correia, no decorrer de uma “Conversa à direita” promovida, no Barreiro, pela Comissão Política Distrital do CDS/PP.

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“Conversas à direita” no Barreiro Repensar o falhanço dos sucessivos governos na implementação de medidas organizadoras da mobilidade

Por Jornal Rostos

Discutir o problema dos transportes e das acessibilidades no distrito de Setúbal foi o tema da primeira noite de conversas com a população promovida pelo CDS-PP, a qual decorreu, ontem à noite, no Convento da Verderena, no Barreiro.

Esta primeira noite que deu início às “Conversas à Direita” é uma iniciativa que o CDS-PP pretende desenvolver com a população, “para dar mais visibilidade ao partido e trazer mais-valias à cidade, porque a questão dos transportes é das mais importantes do distrito” referiu no início da noite Carlos Dantas, presidente da distrital do CDS.
O primeiro convidado foi Miguel Anacoreta Ferreira, vice-presidente do Partido, na qualidade de especialista na área dos transportes, ex-Secretário de Estado dos Transportes de 1980 a 1981, durante o Governo de Sá Carneiro, e ex-coordenador do Gabinete de Planeamento Geral do Metropolitano de Lisboa de 1976 a 1980.
“Há que pensar o tema dos transportes em duas grandes temáticas: o transporte de pessoas e a mobilidade e o transporte de mercadorias e a logística” sublinhou Anacoreta Correia que focou ainda a importância do desenvolvimento de medidas como a OTA e o TGV, mas sem descuidar a rede de transportes já existente “que deve sempre ser valorizada”.
Em relação à logística, Anacoreta Correia frisou a importância desta “não só para os grandes transportes de mercadorias mas também porque a criação do Mercado Único e da livre circulação por toda a Europa está a sofrer uma mudança na economia continental e a forma como o país pode dar resposta às suas questões económicas. Neste aspecto Portugal tem uma riqueza muito importante para os próximos anos, a possibilidade de oferecer a navegação por mar. Hoje há uma grande oportunidade para a navegação de cabotagem, algo que no nosso país tem sido desprezado durante muitos anos.

Porto de Sines será muito importante

O Porto de Sines será muito importante quando a arquitectura da nova navegação entrar em vigor, com os grandes navios de carga que estão a ser construídos. A nossa posição de Sines é mais vantajosa que os portos de Espanha para o envio de mercadorias para a América.”
Sobre o tema da mobilidade, Anacoreta Correia debruçou-se para a necessidade de criar alternativas ao transporte próprio “porque principalmente em questões ambientais basta dar um exemplo: a Avenida da Liberdade apresenta um dos níveis mais elevados de poluição da Europa e são situações como esta que levam ao aumento do número de jovens com problemas respiratórios.
Se por um lado a mobilidade aumentou nos últimos 30 a 40 anos, sobretudo devido à aviação comercial, por outro lado também se deu uma explosão no número de automóveis e em Portugal isso é muito significativo. Basta dizer que temos o mesmo número de automóveis que a Holanda, mas estes não se endividam para comprar o seu carro de último modelo, ao passo que os portugueses o fazem.
A juntar a tudo isto, devido ao aumento das rendas de casa, a nova geração de pessoas cujos pais e avós viviam na cidade, por exemplo de Lisboa, tiveram de se deslocar para as periferias, porque Lisboa não soube tornar-se competitiva e perdeu assim 35 a 40% da sua população. Mas as pessoas continuam a vir trabalhar para a capital.”

Liberdades individuais

“Sobre o automóvel, há que ter a seguinte perspectiva: para uma pessoa que usa os transportes públicos, o dia de trabalho termina quando sai na paragem perto de casa. Para quem utiliza o automóvel, o dia de trabalho termina quando entra no carro. E isto tem a ver com a perspectiva de liberdade individual de cada um.
Ao mesmo tempo, os automóveis tornaram pouco atractiva a vida pedonal nas cidades, e por isso devem de ser criadas políticas de defesa dos centros pedonais e históricos das cidades, que passam pela defesa dos transportes públicos e assegurar a mobilidade para quem não tem outra opção. Prefiro ter um serviço de três autocarros por hora que cumprem escrupulosamente os horários a ter um serviço com trinta autocarros por hora que não o fazem.”
Anacoreta Correia apontou diversos exemplos dos EUA, como o incentivo ao transporte de duas ou mais pessoas por veículo, a incrementação de transportes próprios por parte das empresas e universidades e a penalização nos tempos de estacionamento dentro das cidades ou mesmo a proibição de circulação em determinados horários, “mas em Portugal quem incrementa-se essa medida perdia as eleições seguintes, e por isso ninguém o faz, e além disso Portugal é óptimo a regulamentar mas péssimo a inspeccionar”.

Regras a seguir

O orador deixou ainda quatro princípios básicos que não devem ser perdidos de vista quando se discute esta temática.
“Primeiro – Há que pensar que Portugal tem um petróleo que se chama turismo, pelas suas lindas vistas, bom tempo e segurança que oferece. E neste campo o papel da ecologia é muito importante.
Segundo – Repensar sobre o falhanço dos sucessivos governos na implementação de medidas organizadoras da mobilidade que não foram pensadas à escala urbana, sobretudo na envolvente do Tejo.
Terceiro – Apresentar soluções de transportes simplificadas para as zonas mais dispersas do país, embora tenhamos em conta que não existem soluções óptimas.
Quarto – Actuar em termos de pedagogia, levando os condutores a perceberem que não deixam de gastar dinheiro quando acabam de pagar o carro, mas que também consomem espaço à cidade.
Acima de tudo, é necessário criar respostas concretas às várias questões.”
A noite prolongou-se ainda com algumas questões dos presentes a Anacoreta Correia e a discussão de exemplos de outros países e a viabilidade da sua aplicação a Portugal.

Maria do Carmo Torres

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