Dia do Município da MoitaCooperativa Operária de Consumo de Alhos Vedros
. Homenagem a uma história de 90 anos
A Cooperativa de Consumo de Alhos Vedros foi a primeira cooperativa a ser criada no concelho da Moita, tendo nascido a 1 de Maio de 1919 em Alhos Vedros para resolver os problemas relacionados com a alimentação e o trabalho precário dos trabalhadores da zona.

Por Jornal Rostos
Muitos foram os munícipes que encheram o Salão Nobre dos Paços do Concelho da Moita para assistirem à entrega da medalha de Honra à Cooperativa Operária de Crédito e Consumo ao presidente da direcção da Pluricoop Fernando Parreira, entre os quais estiveram também os presidentes das Câmaras Municipais de Barrancos e Mora.
Sendo já uma tradição das comemorações do Dia do Município, o presidente da edilidade moitense, João Lobo, referiu que “irá ser promovido um estudo e uma reflexão em torno do regulamento de atribuição das medalhas de honra com vista à sua alteração no sentido de uma maior segurança e clareza de critérios de atribuição”.
A atribuição desta distinção à Cooperativa teve a unânimidade da Câmara Municipal e da Assembleia Municipal.
Passado de resistência
A Cooperativa de Consumo de Alhos Vedros foi a primeira cooperativa a ser criada no concelho da Moita, tendo nascido a 1 de Maio de 1919 em Alhos Vedros para resolver os problemas relacionados com a alimentação e o trabalho precário dos trabalhadores da zona.
Foi com emoção que Fernando Parreira recebeu a medalha, que considerou “ser a forma de prestar uma homenagem a todos os homens e mulheres que há noventa anos fundaram a cooperativa”.
Fernando Parreira sublinhou o passado de cooperativismo da Moita e o papel da Cooperativa “que foi uma escola de democracia e de resistência e ainda hoje continua a ser importante na vida de Alhos Vedros”.
Recordando os importantes passos que foram dados na década de oitenta para a consolidação do associativismo “que levaram à reunião e formação da Neocoop, um passo decisivo e histórico para a formação posterior da Pluricoop, que se não tivesse sido dado não nos permitiria estar agora aqui a celebrar este momento”.
Referindo a realidade plurinuclear da Moita, o presidente da Direcção relembrou o passado do concelho “que tem tradições, ideiais e valores democráticos que a todos nos orgulha”.
Para o futuro fica a certeza de que “o trabalho vai prosseguir e essa é a melhor forma de homenagear a todos os que por esta cooperativa passaram e aqueles que ainda aqui estão a trabalhar”.
Homenagear o cooperativismo
Críticas à situação do Poder Local face à nova Lei das Finanças Locais e os constrangimentos financeiros que as autarquias enfrentam, foram o mote do discurso de João Lobo, presidente da autarquia, que saudou também os eleitos e a população, bem como os trabalhadores da Câmara Municipal e das Juntas de Freguesia “apelando à continuação do seu profissionalismo e dedicação”.
O autarca não deixou de tecer algumas críticas à actuação dos Governos “que não têm cumprido os seus compromissos com o poder local democrático”, referindo os constrangimentos financeiros embora reforçando a ideia de que “a gestão municipal do nosso concelho tudo está a fazer para que através de uma gestão rigorosa e criteriosa dos recursos disponíveis seja possível concretizar no presente mandato os compromissos programáticos que assumimos”.
Em relação à Lei das Finanças Locais João Lobo quis “lembrar algumas coisas que parecem estar esquecidas na cabeça dos nossos governantes actuais” como a participação das autarquias nos recursos públicos, a diminuição do défice global das autarquias, a redução da liberdade que a legislação irá trazer ao poder local e o papel das autarquias na edificação de equipamentos colectivos que deveriam ser da responsabilidade da Administração Central.
Sobre a Cooperativa, João Lobo relembrou o “seu papel inicial de protecção social face às dificuldades dos operários, assegurando crédito quando o trabalho faltava ou a doença batia à porta”.
A atribuição desta medalha segundo o autarca “representa naturalmente e ao mesmo tempo, uma justa homenagem que, por este modo, entendemos prestar ao conjunto do movimento cooperativo e ao papel que, em fases diversas, tem desempenhado na vida nacional e na sociedade portuguesa”.
Maria do Carmo Torres













