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Perspectivas

PS discutiu a Península de Setúbal“Setúbal tem sido uma região subalterna onde as indústrias são sazonais”
.Quimiparque potencial a aproveitar

. Foi defendida a continuação do Metro Sul do Tejo até Sesimbra

. Salientada a importância da electrificação da linha ferroviária entre o Barreiro e Setúbal

No decorrer do debate "Península de Setúbal - Estratégia e Investimentos 2007-2013", promovido pela Federação Distrital de Setúbal do Partido Socialista, António Fonseca Ferreira, salientou que “um dos principais eixos de desenvolvimento é a aposta na diversificação e inovação das actividades económicas, aproveitando os potenciais já existentes como é o caso da Quimiparque, da Siderurgia Nacional e da Lisnave".

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PS discutiu a Península de Setúbal “Setúbal tem sido uma região subalterna onde as indústrias são sazonais” .Quimiparque potencial a aproveitar

Por Jornal Rostos

Debater as potencialidades da Península de Setúbal, as suas necessidades e os projectos a implementar no âmbito do próximo Quadro Comunitário de Apoio, foram os temas apresentados por António Fonseca Ferreira, dirigente socialista, ontem à noite na Moita.

O Auditório da Biblioteca Municipal Bento de Jesus Caraça, na Moita, quase não chegou para receber todos os quiseram assistir ao encontro "Península de Setúbal - Estratégia e Investimentos 2007-2013" organizado pela Federação Distrital de Setúbal, em colaboração com a Comissão Política Concelhia da Moita.
O encontro teve lugar esta noite, e insere-se num conjunto de iniciativas que vão ter lugar por todo o distrito, tendo Vitor Ramalho, presidente da Federação Distrital, referido que iria desenvolver esforços para que o próximo encontro tivesse lugar no Barreiro.
A moderação do encontro esteve a cargo de Vitor Ramalho, que salientou o facto de Setúbal "ser um distrito com qualidades invulgares e pelo qual vale a pena lutar".
O orador da noite, Fonseca Ferreira, salientou "o período difícil que o país vive actualmente, cujas dificuldades vão aumentar no próximo ano, porque os próximos apoios apenas deverão chegar no final de 2007, a que se acrescentam as restrições em termos de PIDAC, para correcção do “déficit", mas não deixou de referir a retoma económica que ocorre na Europa, embora com algumas ressalvas devido ao preço do petróleo.

Setúbal tem sido uma região subalterna onde as indústrias são sazonais

Para Fonseca Ferreira, Setúbal tem sido uma região subalterna onde as indústrias são sazonais e mono-indústrias da área das metalurgias e mais recentemente da área automóvel e a habitação é apenas de dormitório, apesar de se tratar de "uma rótula entre a AML, o Algarve, Alentejo, Sines e Espanha. Além disso, tem também sofrido de uma falta de liderança para que possa haver desenvolvimento, porque há que ter em conta que o Estado é apenas apoiante desse desenvolvimento, não tem de o fomentar. A falta de ligação entre os Portos de Lisboa, Setúbal e Sines é claramente um exemplo da falta de uma estratégia adequada."

Electrificação da linha ferroviária entre o Barreiro e Setúbal

Esta situação "tende a alterar-se com as novas acessibilidades do eixo ferroviário Norte-Sul e a ponte Vasco da Gama, além dos previstos grandes empreendimentos turísticos, em especial em Palmela e Sesimbra. Está ainda prevista uma nova plataforma logística para o Poçeirão, em função da sua proximidade com o Porto de Setúbal, até agora um factor de desenvolvimento estratégico que está subaproveitado".
Outro dos problemas apresentados são as acessibilidades "com os problemas na conclusão do Metro Sul do Tejo e da sua continuação, embora eu seja de opinião que a continuar pela península, deveria ser até Sesimbra, que não conta com grandes apostas em termos de transportes. Também ainda falta uma parte da electrificação da linha ferroviária entre o Barreiro e Setúbal e a ligação externa do Porto de Setúbal."

Estratégias de desenvolvimento - Diversificação e inovação das actividades económicas

"A Área Metropolitana de Lisboa (AML) tem pontos fracos e pontos fortes em termos de média europeia. É fraca nos níveis de formação, educação e qualificação dos recursos humanos, e é forte no que respeita à sua actividade territorial, condições patrimoniais e territoriais, e à sua centralidade euroatlântica" referiu o orador.

No próximo quadro de apoios, a AML receberá uma fatia menor "e os apoios não vão ser aplicados em infra-estruturas, mas antes 75% têm de ser aplicados em competitividade e requalificação dos recursos humanos, com formação profissional e escolar.
As reformas do Governo sobre a Protecção Social, a Justiça e a Administração Pública, se acontecerem da forma prevista, irão dar todas as condições para que possamos dar o salto de qualidade até 2013, e a AML poderá vir a integrar-se no pelotão das regiões mais competitivas."
Assim, tendo em conta todos os factores "um dos principais eixos de desenvolvimento é a aposta na diversificação e inovação das actividades económicas, aproveitando os potenciais já existentes como é o caso da Quimiparque, da Siderurgia Nacional e da Lisnave".

Área considerada prioritária em termos de desenvolvimento é o turismo de lazer

A segunda área considerada prioritária em termos de desenvolvimento é o turismo de lazer "e a península tem excelentes condições para isso e a minha proposta vai ainda no sentido de criar aqui uma Escola de Turismo e Hotelaria, até porque temos de ter algumas compensações por não termos aqui o aeroporto" ironizou.
Por último, antes do debate, Fonseca Ferreira referiu ainda os projectos para concretizar as estratégias e que passam "pela definição dos apoios do Estado, até porque a AML irá receber apenas 8% a fundo perdido, o mínimo e por isso há que seleccionar muito bem os concelhos que irão receber e que creio ser de toda a legitimidade que estes sejam da península de Setúbal, sendo elegíveis aqueles com maior tradição industrial."

A importância crescente da qualificação do Tejo e do Sado

O orador da noite salientou ainda a importância crescente da qualificação do Tejo e do Sado, bem como do arco ribeirinho entre Almada, baía do Seixal, Siderurgia Nacional, Barreiro, Montijo e Alcochete "um projecto que tem caminhado muito devagar mas que irá acontecer embora não em todo o projecto global que estava previsto."
Quanto ao Porto de Setúbal, Fonseca Ferreira alertou para "que há alguma coisa que não está a funcionar bem, porque há falta de estratégia, e espero que com o próximo Plano de Desenvolvimento dos Portos que o Governo irá apresentar, esta situação possa ser ultrapassada".

Maria do Carmo Torres

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