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Perspectivas

BARREIRO ROCKS 2006A consagração através da embriaguez sónica dos Gallon Drunk

A edição de 2006 do Festival Barreiro Rocks, este ano ampliado em mais dois dias, terminou na passada semana, com a actuação da banda barreirense, LOS SANTEROS. Para trás ficaram quatro dias de puro Rock n` Roll, quatro dias de festa intensa, bem como uma miriade de exposições, sessões de cinema, festas de apresentação, em que bandas do barreiro em conjunto com outras, actuaram em Portugal e Espanha, dando a conhecer o nome do Barreiro e promovendo o maior festival de Garage Rock da Península Ibérica. Após um interregno de um ano, provocado por decisão do anterior executivo camarário, a guitarra alada voltou a descolar no Barreiro, desta feita para alturas apenas comparáveis ás de Ícaro, não sentindo no entanto, este ano, o pernicioso efeito do sol, ou não fossem estas asas solidamente construídas com o aço das tensas cordas de guitarra e projectadas pelo desejo de uma imensa minoria.

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BARREIRO ROCKS 2006 A consagração através da embriaguez sónica dos Gallon Drunk

Por Jornal Rostos

A abertura no dia 4, com a NICOTINE`s ORCHESTRA e os galegos SAMESUGAS verificou-se o melhor dos auspícios. Nick Nicotine abriu a festa, dando a conhecer o seu projecto a todos aqueles que encheram o Carvoaria Club, terminou a sua actuação com a evocação dos Ramones, um final premonitório do que viria a seguir...o Punk Rock dos galegos SAMESUGAS, quatro cabos de alta tensão a debitar energia pura na madrugada barreirense.
No dia 5, o Carvoaria Club foi o palco ideal para observar de perto o trabalho que tem vindo a ser desenvolvido pelas bandas barreirenses, DEBUT, STASH e NEW HOPE, e pelos lisboetas LACRAUS. De realçar que os DEBUT actuaram este ano no palco principal das Festas do Barreiro, com uma prestação bastante interessante.
O som coeso e bem oleado dos VICIOUS FIVE, foi a porta de entrada para a noite de dia 6. No palco dos Ferroviários, um imponente cenário - com um operário empunhando uma guitarra e as emblemáticas chaminés do Barreiro a lembrar o passado industrial – fruto da visão de Iola e João Pimenta, dava o mote e emoldurava o palco para as duas noites de festa que se iniciavam. Na primeira noite, as atenções estavam centradas no novo projecto de Vitor Torpedo e Pedro Xau, os BLOOD SAFARI. Após uma prestação esforçada, pecando apenas por curta, dos britânicos BLACK TIME, os BLOOD SAFARI entraram em cena - a energia esfusiante de Vítor Torpedo e Pedro Xau a provar que a chama não se apagou com a extinção dos PARKINSONS - respondendo ás elevadas expectativas com o melhor concerto da noite. A entrega do vocalista Charlie Fink, numa comunhão perfeita com o público, a brindar-nos com o que de melhor tem um concerto de Rock n`Roll, a festa e a celebração. Com a batida forte e segura do fantástico Glenn Chapman, responsável também pela bateria dos BLACK TIME, os BLOOD SAFARI contagiaram e espalharam emoção pelo público.
A noite, nos Ferroviários, terminou com os espanhóis ATOM RHUMBA, prosseguindo em seguida no Carvoaria Club com a animação do DJ George Casey, vindo directamente de Brooklyn, e o extraordinário concerto dos GREEN MACHINE, banda de Barcelos a descobrir urgentemente.
Na ultima noite de concertos desta edição do Barreiro Rocks, jogava-se a consagração com dois nomes absolutamente indispensáveis, por motivos distintos, os australianos THE DRONES, pela urgência de conhecer o seu ultimo trabalho - recentemente contemplados na Austrália com o Australian Music Prize, o equivalente ao Mercury Prize em Inglaterra, o prémio atribuído pela comunicação social e pela critica - e os britânicos GALLON DRUNK, pela sólida reputação que criaram, desde finais dos anos 80, assente numa infinidade de álbuns, autênticos guarda-jóias, tal a qualidade dos temas que encerram.
Os GALLON DRUNK que iriam encerrar o festival, viram a sua actuação alterada devido a um atraso dos THE DRONES, sem que tal tivesse qualquer prejuízo para a actuação, com a situação resolvida e com o respeito do público, uma característica que se observou durante todo o festival, os GALLON DRUNK foram uma força da natureza á solta no palco dos Ferroviários, doses sónicas servidas por mãos experientes, ora tocando profundas sensibilidades com uma entrega desarmante, ora rebentando em pura demência, com um saxofone endiabrado a roçar-se por outras artes e torrentes sonoras a jorrar dos teclados.
Este foi o ano da consagração para o Festival Barreiro Rocks, a organização da HEY, PACHUCO! está de parabéns pelo magnífico cartaz que conseguiu reunir, assim como por toda a dinâmica que associou ao festival – festas de apresentação, festas de encerramento, entre outros acontecimentos. Também a Câmara Municipal, com o seu apoio institucional, está de parabéns, por entender como a cultura juvenil necessita deste tipo de eventos para se envolver na cidade onde vive, certamente que parte deste entendimento passa pelo envolvimento dos responsáveis autárquicos nos eventos, foi o que se pôde constatar em variadas ocasiões, em que o presidente da Câmara Municipal ou a vereadora da cultura estiveram, discretamente, presentes nas festas de apresentação ou concertos. Numa altura em que os meios financeiros escasseiam, nomeadamente na área cultural, o Festival Barreiro Rocks vem provar que com empenho e a reunião de diversas sinergias, é possível ultrapassar as dificuldades.
Na última noite do festival, ainda com os últimos sons a fazerem-se ouvir, o tema de conversa mais recorrente entre o público, incidia sobre as diversas possibilidades para o cartaz de 2007. Apontavam-se nomes, expressavam-se desejos, de olhos postos nas recentes edições, o público sabe que, agora, tudo é possível no Barreiro.

Luís Alcântara

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