Saltar para o conteúdo
Perspectivas

Jantar com Rostos no BarreiroCarlos Humberto defende um ano de mandato
“Temos a insatisfação por não podermos resolver certos problemas”

Balanço de um ano de mandato, projectos e problemas do Barreiro, as estratégias da autarquia e as opções participadas foram alguns dos temas debatidos com o presidente da Câmara Municipal do Barreiro, que deram de novo o mote para relançar a iniciativa, já com alguma história, promovida pelo «Rostos»..

No decorrer do “Jantar com Rostos”, Carlos Humberto, Presidente da Câmara Municipal do Barreiro, a propósito de acusações da oposição que rotula o presidente como "autista, falta de gestão autárquica, bem como falta de autoridade na autarquia", respondeu que "a estratégia das forças da oposição têm de se centrar em muitos momentos na imagem do presidente, no meu caso com o passado politico e pessoal que tenho, mas se não vão mais longe é porque não têm meios para o fazer e por isso têm de encontrar argumentos como a falta de estratégia.”.

7 min de leitura
Jantar com Rostos no Barreiro Carlos Humberto defende um ano de mandato “Temos a insatisfação por não podermos resolver certos problemas”

Por Jornal Rostos

O Jornal «Rostos» reiniciou a iniciativa "Jantar com Rostos", desta feita com Carlos Humberto, "recomeçando como começámos, com a pessoa que é o principal rosto do concelho, e que faz hoje precisamente um ano que iniciou as suas funções na autarquia" frisou Sousa Pereira.
"Esta foi uma iniciativa que promovemos durante cerca de dois anos, com mais ou menos pessoas participantes na discussão, que nunca ficou entre as quatro paredes do restaurante, porque as conversas que daqui resultaram foram sendo publicadas.
Na primeira tivemos a presença de Emídio Xavier, hoje está Carlos Humberto" referiu Sousa Pereira no início de mais uma sessão que se prolongou pela noite dentro, sempre em animada conversa e com várias participações dos presentes.
Para iniciar o debate e "em jeito de provocação" Sousa Pereira questionou o edil sobre se o facto de "o primeiro ano de governação ser um estado de graça que está a terminar".

As pessoas em primeiro lugar

Carlos Humberto respondeu a esta «provocação» relembrando as linhas mestras definidas num documento que escreveu a 17 de Março de 2005 para a campanha eleitoral que levou à sua eleição para autarca, nas quais destacou a necessidade de consolidação e crescimento político, definir e detectar os adversários políticos e saber a melhor forma de actuar.
"Neste documento, destacam-se três pontos: as pessoas, a participação e o eleitorado. As pessoas, como elemento central da acção para quem trabalhamos, a participação com o envolvimento da população como parte integrante da construção e reforma do Barreiro, reforçando a participação de todos em prol do desenvolvimento e o eleitorado, como elemento central da campanha a ser conquistado e mobilizado para chegar à grande massa de simpatizantes da CDU".
"Quanto ao estado de graça, foi sendo construído no período da campanha e é agora o mesmo que era nessa altura.
A nossa meta é a compreensão das dificuldades mas temos a insatisfação por não podermos resolver certos problemas.
Sinto-me agora da mesma forma que me sentia durante a campanha eleitoral, só que com uma maior intensidade de trabalho e com o sentimento de impotência por não poder resolver os problemas".

Participação da população

Um dos pontos em que Carlos Humberto mais se bate tem a ver com a participação de todos nas discussões "porque resolvendo pequeninos problemas podemos melhorar a qualidade de vida das pessoas, leva-las a debater temas mais abrangentes como as acessibilidades, a dinamização e desenvolvimento do emprego e da actividade económica, o ambiente, etc. e estamos também a incentivar à cidadania e para isso contamos com as Opções Participadas, que apesar das críticas têm servido para a população intervir".
O presidente sublinhou ainda o trabalho que é feito pelos eleitos no sentido de estarem presentes "em tudo o que acontece no concelho, com as associações, instituições, enfim, em todo o lado, porque se não podemos dar-lhes o apoio financeiro que nos pedem, podemos pelo menos dar-lhes uma palavra de apoio e de saudação. Mas este é um trabalho muito duro, que ninguém se não nós pode calcular".

Trabalho e diálogo

Do primeiro ano de mandato, o edil fez um balanço positivo, embora com reservas. "O primeiro ano está a ser influenciado por duas concepções: trabalhar e dialogar com os que intervêm na vida do concelho, e a necessidade de que as reflexões sejam tomadas tendo em conta a realidade, e com o apoio de todos."
Abrir as portas ao desenvolvimento e melhorar a organização da Câmara, são os dois grandes objectivos apontados por Carlos Humberto para o futuro próximo, reconhecendo que "é indispensável a reestruturação interna da Câmara e a vida vai dar razão às opções que foram feitas, mas sabemos que não há reestruturações perfeitas e que estas trazem sempre um período de instabilidade, não sendo a salvação da pátria. Fazemos a reestruturação porque faz falta e por isso está quase completa."
Sobre as acusações da oposição que rotula o presidente como "autista, falta de gestão autárquica, bem como falta de autoridade na autarquia" Carlos Humberto respondeu que "a estratégia das forças da oposição têm de se centrar em muitos momentos na imagem do presidente, no meu caso com o passado politico e pessoal que tenho, mas se não vão mais longe é porque não têm meios para o fazer e por isso têm de encontrar argumentos como a falta de estratégia.
A isso respondo que temos as ideias e a acção. Estratégia é fazer as coisas andar com a ajuda das populações e conhecer bem a terra. Manter e alargar o centro histórico do Barreiro é estratégia, com a qual se pode concordar ou não, mas é estratégia".

Temos estado a ser muito maltratados

Carlos Humberto aproveitou ainda para referir os muitos projectos que estão a ser desenvolvidos e também a difícil situação financeira da autarquia "porque todos os meses ficamos a acumular dívidas".
Interrogado sobre a necessidade de mais espaços desportivos no concelho, a resposta foi directa: "Não afastamos nenhuns projectos, mas também é verdade que não temos capacidade para realizar muitas das coisas que queríamos", referindo depois a retirada de diversos projectos do PIDAC.
“Sinto-me muito incomodado porque temos estado a ser muito maltratados, com os projectos que foram retirados, mesmo os que contavam com um protocolo com o Estado como o pavilhão da Escola da Quinta da Lomba, e outros foram recusados" – acrescentou.

Barreiro tem futuro

Em jeito de balanço da noite, Carlos Humberto não deixou de referir que "todos os contributos foram bem vindos e trabalharemos no sentido de melhorar sempre. Temos uma situação financeira difícil e por isso temos de ir aproveitando as oportunidades que nos surgem. Se calhar não pode ser a autarquia a construir a terceira passagem do Tejo, mas podemos resolver outra questão do concelho. Há ainda que potencializar o que temos e gerir melhor os saberes, mas ainda não temos a disponibilidade para isso.
O Barreiro tem futuro e está hoje a construí-lo, mas este não se faz apenas de paleio, mas com sustentabilidade e consolidação, passos que estamos a dar."
O desenvolvimento de projectos é um objectivo de Carlos Humberto "mas os eleitos têm de saber gerir com rigor e com as possibilidades que têm, assumindo responsabilidade e coerência" e terminou com uma nota positiva, referindo que "estou insatisfeito mas optimista, não porque o tenha de ser, mas porque há questões que se vão resolvendo com projectos concretos, como o centro do Barreiro, o Fórum Barreiro, a ETAR, entre outros, respeitando a história a que o Barreiro nos obriga mas estamos neste combate para vencer".

Maria do Carmo Torres

Publicidade

Notícias relacionadas

Publicidade

Notícias por secção