No Barreiro FORUM SAÚDE salientaBarreiro tem deficit na rede de Cuidados Paliativos
Seixal ou construir uma ponte que ligue o Barreiro ao Seixal ?
. Há carências nas áreas de Cuidados Primários
. Conselho de Administração do Hospital do Barreiro aguarda decisão do Ministro da Saúde
As preocupações sobre as indefinições do Poder Central, em matéria de Saúde, para o concelho do Barreiro e, por outro lado, o reconhecimento que o Barreiro possui equipamentos e valências que lhe permitem afirmar-se como um pólo de excelência nesta área, ao nível da região, foram expressas por Ana Teresa Xavier, no decorrer do FORUM de Debate “A Saúde no Concelho do Barreiro” que está a decorrer, aberto à população, até ao fim da tarde de hoje, no Auditório da AURPIL, no Lavradio.

Por Jornal Rostos
Ana Teresa Xavier, membro da Comissão Permanente de Acção Educativa, Cultural e Social, da Assembleia Municipal do Barreiro, na abertura da sua intervenção salientou que a “saúde é um direito dos cidadãos” aos quais deve ser proporcionado “fácil acessibilidade”, assim como “equidade nas prestação” dos cuidados de saúde e, também, o acesso a áreas diferenciadas, dos cuidados preventivos, aos cuidados primários e paliativos.
A Deputada Municipal referiu que a Saúde tem vários actores e se desenvolvem com relações multidisciplinares, do ambiente à educação.
Ana Teresa Xavier em traços gerais referiu alguns dados sobre o desenvolvimento do concelho do Barreiro, recordando que o concelho sofreu um processo de acelerado desenvolvimento populacional devido ao seu desenvolvimento industrial.
Rio Tejo receptáculo de despejos
Recordou alguns números que permitiram um olhar sobre a evolução do concelho do Barreiro nos últimos cem anos, neste contexto recordou que a inauguração do abastecimento domiciliário de água ocorreu em 1937, que a primeira ligação de esgotos foi no ano de 1927, e, referiu que o ano de 1925, no Barreiro, ainda a iluminação pública era a petróleo.
Ana Teresa Xavier salientou a importância da construção da ETAR que vai por fim a que o Rio Tejo continue a ser “o receptáculo dos nossos despejos”.
Construir o Hospital do Seixal ou uma ponte
A Deputada Municipal recordou que a Santa Casa da Misericórdia do Barreiro durante alguns anos desenvolveu no concelho a missão de “Hospital”, tendo sido inaugurada, a primeira unidade hospitalar no concelho do Barreiro, no ano de 1959 – Hospital Nª Srª do Rosário.
O Hospital Distrital do Barreiro foi inaugurado em 1985, com 506 camas, no ano de 1996 funcionava com 468 camas e no ano 2005 funcionou com 379 camas.
Ana Teresa Xavier perante este números questionou se, num país com fracos recursos, não deveria ser discutido se “é mais barato construir o Hospital do
Seixal ou construir uma ponte” que ligue o Barreiro ao Seixal, tendo como perspectiva desenvolver processos de articulação intermunicipal na área da Saúde.
Carências nas áreas de cuidados primários
A Deputada Municipal recordou que em 1996 no Hospital do Barreiro, foram atendidos 87.761 doentes nas urgências, tendo o número crescido para 121.096 no ano de 2005.
Por outro lado, referiu que as Consultas Médicas realizadas no Hospital do Barreiro, no ano de 1996, foram de 77.860, tendo evoluído para 137.763 no ano de 2005.
Na opinião da Ana Teresa Xavier, estes números devem fazer reflectir sobre “carências profissionais nas áreas de cuidados primários”.
Somos um concelho com riscos industriais
Na sua intervenção recordou que o Hospital do Barreiro é “a maior empresa do concelho do Barreiro com mais de 1000 trabalhadores” e salientou ser imperioso que o “Hospital do Barreiro valorize a questão da Protecção Civil” numa acção, estruturada e organizada, em estreita com a Câmara Municipal do Barreiro, dado que somos um concelho com riscos industriais.
Não tem que ser em torno do Hospital de Retaguarda
Ana Teresa Xavier, destacou a importância da intervenção da população na luta pela construção ou melhoria das instalações de Saúde no concelho do Barreiro, dando o exemplo da construção do Centro de Saúde do Lavradio ou das melhorias nas instalações na Rua Eça de Queirós.
Por outro lado, salientou que no concelho – “Há um deficit da Rede de Cuidados Paliativos”, e considerou, ser esta uma matéria onde se deveria aprofundar a reflexão, “onde há muito para falar” e, pelas suas palavras, esta reflexão, não tem que ser obrigatoriamente em torno do Hospital de Retaguarda, sendo eventualmente, também um assunto a avaliar.
Aguardamos que o Ministro da Saúde decida
Ana Teresa Xavier, salientou que existem alguns serviços novos na área da Saúde no concelho do Barreiro, referindo o CAT e o Serviço de Ressonância Magnética.
Por outro lado recordou a importância da cidadania na promoção da Saúde, referindo a criação do Conselho Municipal de Segurança, as Comissões de Saúde, recordou que foi extinto o Conselho Geral do Hospital, mas que a legislação actual prevê a participação de um representante do município no Conselho de Administração do Hospital do Barreiro.
Referiu que a Assembleia Municipal do Barreiro já designou o seu representante mas, “aguardamos que o Ministro da Saúde decida”.
Não sabemos que quer poder central para o Barreiro
Ana Teresa Xavier salientou se necessário desenvolver “uma estratégia integrada de saúde para o concelho”.
“Não sabemos o que o poder central quer para o concelho do Barreiro”, tal deveria ser conhecido, salientou a Deputada Municipal e mesmo que “nós não estivéssemos de acordo, sabíamos com o que vamos contar”.
Criar um pólo de excelência no Barreiro
“Criar pólos de excelência em que o Barreiro possa distinguir-se na prestação de Cuidados de Saúde” – foi uma das ideias força expressas por Ana Teresa Xavier, que acrescentou – “Temos hipóteses de ser bons, temos que ser bons, porque temos capacidade para ser um pólo de excelência”.
Na sua opinião ao nível da Saúde, nos dias de hoje, é fundamental criar pólos de excelência e o Barreiro tem todas as condições para ser um “pólo de excelência” ao nível da região.
Herança na área da Medicina do Trabalho
A Deputada recordou ainda que o concelho do Barreiro, pela sua história, possui uma “importante herança na área da Medicina do Trabalho, temos um grande espólio e experiência”, pelo considerou ser esta uma matéria que deveria ser avaliada no contexto da reflexão sobre a Saúde no concelho do Barreiro.
Manter viva a determinação das populações
A finalizar Ana Teresa Xavier salientou que é necessário “manter viva a determinação das populações, afirmando a sua cidadania” na resolução de carências e envolvimento no debate sobre as matérias na área da Saúde no concelho do Barreiro.













