Na Biblioteca Municipal do BarreiroLopes Graça teve uma importância essencial na cultura do século XX
Fernando Lopes Graça, foi uma figura que se pode definir – “um individuo extremamente humano, um humanista do nosso tempo, era um cidadão interventivo” referiu Alexandre Branco Weffort, sublinhando que Lopes Graça assumiu a intervenção “com rectidão de carácter, não só ao nível dos ideais” sendo, tal, reconhecido, “por muitas pessoas, mesmo distantes ideologicamente de Lopes Graça, que o apontam como um exemplo de cidadania”.
Por Jornal Rostos
O livro “A Canção Popular Portuguesa em Fernando Lopes Graça”, foi apresentado na Biblioteca Municipal do Barreiro, pelo seu autor Alexandre Branco Weffort, numa iniciativa integrada no programa de comemorações do centenário do nascimento do Maestro Fernando Lopes Graça, promovida pela Associação de Municípios da Região de Setúbal, em parceria com todos os municípios do distrito, na qual a Câmara Municipal do Barreiro se insere.
Figura marcante na música e na cultura do século XX”
Alexandre Branco Weffort referiu a importância da obra como contributo para que a obra de Ferndando Lopes Graça seja reconhecida e se afirme “a sua importância” de forma a que Lopes Graça “se torne um dado essencial da nossa cultura contemporânea”.
Na sua intervenção sublinhou que “Fernando Lopes Graça foi uma figura marcante na música e na cultura do século XX”
Na sua intervenção deu a conhecer os conteúdos da obra “A Canção Popular Portuguesa em Fernando Lopes Graça”, a qual insere um CD que contém todo o conteúdo da obra e onde é possível escutar algumas das recolhas originais que deram origem aos arranjos para piano e para grupos corais, por Fernando Lopes Graça.
Manter a procura do conhecimento da obra de Lopes Graça
Alexandre Branco Weffort, salientou a importância do trabalho realizado pelas autarquias do Distrito de Setúbal na promoção da obra do Maestro Fernando Lopes Graça e o empenhamento que colocaram nas comemorações do centenário do seu nascimento.
Na sua intervenção referiu que é importante que as comemorações não se limitem á evocação da efeméride mas que deixem resultados – “para que se mantenha a insistência na procura do conhecimento da obra de Lopes Graça.”
Recordou Alexandre Branco Weffort que o Maestro Fernando Lopes Graça desenvolveu a sua actividade “como proposta de viver a cidadania” foi um homem que viveu a exercer “a causa pública”.
Sublinhou que é essencial a difusão cultural da obra de Fernando Lopes Graça e, neste contexto, lançou o repto para que o CD, incluso na obra, seja colocado de forma livre o seu acesso –“não há restrições à sua cópia” esta será uma forma de dar continuidade à comemoração da efeméride de forma a que as comemorações “não sejam passageiras”.
Salientou, que Fernando Lopes Graça, foi uma figura que se pode definir – “um individuo extremamente humano, um humanista do nosso tempo, era um cidadão interventivo. A intervenção não se faz da varanda, é preciso sempre termos noção disso, porque quando se dá um passo tem consequências para nós e para os outros. Isto Lopes Graça soube assumir, como poucos, com rectidão de carácter, não só ao nível dos ideais, um reconhecimento que é sublinhado por muitas pessoas, mesmo distantes ideologicamente de Lopes Graça, que o apontam como um exemplo de cidadania”.
Não se pode falar do 25 de Abril sem falar de Fernando Lopes Graça
A Vereadora Regina Janeiro, responsável pelo Pelouro da Cultura da Câmara Municipal do Barreiro, recordou que a Câmara Municipal do Barreiro mantém a atribuição de Bolsas de Estudo para a promoção do estudo da música, tendo como patrono dessas bolsas Fernando Lopes Graça.
Referiu que, forma vividos, no decorrer da sessão momentos de emoção e reparou que as lágrimas espreitaram os olhos de alguns dos presentes nesta sessão evocativa do centenário do nascimento de Fernando Lopes Graça, recordou que no Barreiro, no âmbito das comemorações foi efectuado o lançamento da medalha evocativa do centenário e que nas comemorações do 25 de Abril foi prestada homenagem ao Maestro – “não se pode falar do 25 de Abril, sem falar de Fernando Lopes Graça”.
A importância de Dulce Cabrita na obra de Lopes Graça
Alexandre Branco Weffort, a propósito de uma pergunta feita por «Rostos» sobre a importância de Dulce Cabrita na divulgação da obra de Fernando Lopes Graça, salientou – “Não é fácil destacar a importância, mas é fácil sublinhá-la, isto porque, durante muitos anos, e sobretudo antes do 25 de Abril, mas não só.
Lopes Graça não era só o compositor oposicionista, não era só o cidadão, mas era um individuo que era marcado, e tudo que fazia acarretava a atenção das forças repressivas que governavam este país, uma repressão que não era só da forma mais violenta a prisão, era uma repressão feita de muitas formas, algumas quase inodoras, como o negar o acesso ao trabalho, por razões comezinhas, o por na prateleira, isto, era algo que nos meios artísticos era um dado muito sensível, porque a vida do interprete da arte , depende muito da circunstância.
Os eventos desenrolam-se e as pessoas são chamadas para eles de acordo com a sua aceitação no meio.”
Era preciso ter coragem para interpretar a obra de Lopes Graça
Acrescentou ainda Alexandre Branco Weffort que – “ O estado próprio de Fernando Lopes Graça era um factor negativo para a carreira de um intérprete, quero dizer que não era só o Coro da Academia, como Abel Manta retrata naquele cartoom – onde a gente vê o Coro a correr à frente, depois Lopes Graça com a batuta e mais uns a voar, com a policia a perseguir.
Não era só a repressão a esse nível, mas, também, a repressão que desaconselhava que os interpretes se dedicassem à obra de Lopes Graça.
Dulce Cabrita, Olga Prates, e outros tantos, demonstraram uma coragem, e era preciso ter essa coragem, para interpretar a obra de Lopes Graça, coragem para o fazer de uma forma tão empenhada e tão sistemática.”
A sua dedicação a Lopes Graça tornou-se quase uma causa
“Há registos de Dulce Cabrita a cantar as canções de Garcia Lorca que são lindíssimas - uma interpretação do mais alto nível” – referiu, acrescentado - “a sua dedicação a Lopes Graça tornou-se quase uma causa, isto é, fazendo falar verdade, aquela frase de um salazarista, quando dizia -«um hino de Lopes Graça era mais perigoso que um panfleto subversivo».
O que quer dizer que aqueles que acompanhavam Fernando Lopes Graça eram sujeitos a perseguições e “foram poucos, os que o fizeram na altura em que havia uma repressão directa e foram ainda poucos aqueles que o fizeram após o 25 de Abril” . salientou Alexandre Branco Weffort
A finalizar salientou “a coragem que era preciso para o fazer” uma coragem de “decidir confrontar o mundo” e, referiu – “É esta a importância que é preciso dar quando se avalia a importância do desempenho de Dulce Cabrita, que acompanhou Lopes Graça”.













