No BarreiroCarlos Alberto (Carló) afirma
“O Barreiro tem um largo deficit de conhecimento de si próprio”
“O pior que nos pode acontecer é esquecer as raízes, apagar as memórias ou querer reescrever a história” – salientou.

Por Jornal Rostos
“Julgamento da Memória”, é o título do romance de Carlos Alberto (Carló), livro que foi apresentado, no Convento da Verderena, com a presença de Carlos Humberto, Presidente da Câmara Municipal do Barreiro, José António Antunes, Presidente da Junta de Freguesia do Alto do Seixalinho e Carla Marina, autora do prefácio do romance.
O livro ajuda-nos a ser mais cidadãos
“Julgamento da Memória” é uma obra editada pela Junta de Freguesia do Alto do Seixalinho.
Na sessão, José António Antunes, Presidente da Junta de Freguesia do Alto do Seixalinho, saudou os presentes e referiu a disponibilidade da autarquia em apostar na divulgação de obras que permitam contribuir para uma melhor conhecimento da vida local.
Carla Marina, autora do prefácio do romance de Carló, sublinhou a aposta da Junta de Freguesia do Alto do Seixalinho na edição de livros, recordando que o livro tem uma “importância muito grande” porque “ajuda-nos a conhecer e a interrogar sobre o mundo que nos rodeia” e, acrescentou, “o livro ajuda-nos a ser mais cidadãos”.
A surda transformação da realidade material na qual as personagens se movem
Carla Marina, salientou o contributo dos trabalhos editados por Carló, que permitem dar a conhecer a vida local, reavivam memórias, da freguesia, das colectividades e “dão-nos a conhecer a história” e as “memórias ligadas ao passado e ao presente” permitindo descobrir “o valor da nossa terra”.
Carla Marina salientou que o romance – “sendo uma história de pessoas é sobretudo uma narrativa de compreensão da sua situação vivencial – os pequenos e grandes problemas do quotidiano, os mitos, encantos e ódios, as razões de vida e morte contribuem para a surda transformação da realidade material na qual as personagens se movem”.
Todos nós construímos pontes que nos ligam à vida”
Carlos Alberto (Carló) manifestou a sua esperança nos jovens e recordou que “todos nós construímos pontes que nos ligam à vida”, sublinhou as suas recordações do Bairro das Palmeiras, - “uma comunidade solidária”.
Carló salientou a presença do Presidente da Câmara Municipal do Barreiro, que, referiu, veio “enriquecer” esta iniciativa de lançamento do seu livro, por outro lado, agradeceu a Carla Marina, ter aceite redigir o prefácio da obra, com a sua “capacidade e experiência”, para além de salientar o envolvimento do Presidente da Junta de Freguesia do Alto do Seixalinho, José António Antunes, pelo “trabalho realizado no desenvolvimento da freguesia” e seu contributo para “o crescimento do movimento associativo”.
Carló, recordou que o seu romance é dedicado a sua neta Joana, que, como escreveu – “nos seus formosos onze anos, todos os ias me surreende com a sua estatura física mental empolgantes”.
Partilhou a sua solidão no diálogo com as personagens
Carlos Alberto referiu que “escrever um livro é um acto solitário”, mas que ele nunca se sentiu só, porque partilhou a sua solidão no diálogo com as personagens, ao longo de ano e meio de trabalho para escrever esta história, feita de estórias que recolheu, com factos e acontecimentos locais, ao encontro de hábitos e costumes, de memórias que fizeram o século XX do Barreiro.
“Julgamento da Memória”” é um romance que conta a história de uma família barreirense, ao longo de quase todo o século XX.
O narrador nasce em 1926, com o fim da Primeira República e o nascimento do Estado Novo. Este conta a tragédia que se abateu na sua família no período de transição entre a Monarquia e a República.
De referir que Carló, para além de desportista e dirigente associativo, publicou os seguintes títulos: “Freguesia do Alto do Seixalinho e seus Topónimos” (1991), “Desportistas Ilustres” (1992), “O Meu Bairro” (1994), “Peões no Xadrez Imperial da CUF” (2001) e “Monografia do Movimento Associativo do Alto do Seixalinho – Biografia de António Mestre” (2003).
O pior que nos pode acontecer é esquecer as raízes
O Presidente da Câmara Municipal do Barreiro, Carlos Humberto, salientou que é “indispensável que se passe para o papel as vivências e as histórias” e, neste contexto, referiu que a Câmara Municipal do Barreiro, vai promover um projecto que visa “a recolha das memórias do movimento associativo”, porque é “essencial escrever os testemunhos do passado”.
Carlos Humberto, reconheceu o contributo do Carló na recolha de memórias e no preservar aquilo que foi a construção colectiva do Barreiro, pelos barreirenses, mesmo nos tempos de repressão do regime fascista.
“O pior que nos pode acontecer é esquecer as raízes, apagar as memórias ou querer reescrever a história” – salientou o Presidente da Câmara Municipal do Barreiro.
Na sua intervenção, salientou que considera essencial que a construção do Barreiro seja “uma construção colectiva” e alertou para o facto de ser necessário, para que o Barreiro se desenvolva de forma sustentada, superando as tendências actuais de problemas de carácter social e desemprego que se faça – “uma aposta determinada e determinante no desenvolvimento económico e na criação de emprego”.













