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Perspectivas

Assembleia Municipal do BarreiroPCP reprova moção sobre 70 anos do Tarrafal
- Recusa igualdade entre Nazismo e Comunismo

A moção para assinalar os 70 anos da inauguração do Tarrafal, apresentada pelo Partido Socialista, foi reprovada com os votos contra dos deputados do PCP/CDU.
A favor votaram os deputados do PS, PSD e BE.

José Caetano, PCP/CDU, referiu que o voto contra resultou do facto de no texto da moção se procurar introduzir a ideia de “igualdade” entre “ Nazismo e Comunismo”.

António José Ferreira, PS, sublinhou que o “século XX foi marcado por um processo totalitário”, e, acrescentou, que “não igualizo ideologias totalitárias”.

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Assembleia Municipal do Barreiro PCP reprova moção sobre 70 anos do Tarrafal - Recusa igualdade entre Nazismo e Comunismo

Por Jornal Rostos

Na última reunião da Assembleia Municipal do Barreiro, António José Ferreira, apresentou uma moção tendo como título “Setenta anos após a inauguração do Tarrafal”.
Sublinhou o deputado socialista que – “assinala-se em 2006 a inauguração do campo de concentração do Tarrafal, memória dolorosa para todos os democratas portugueses. Setenta anos passaram desde que o Decreto n.º 25 539 instituiu esta colónia penal, facto que o tempo tem remetido gradualmente para a amnésia colectiva das sociedades sem história.
A recordação do sofrimento infligido por alguns torcionários a outros seres humanos, em nome de uma obscura razão de Estado, não nos pode deixar indiferentes, sob pena de estes fenómenos se voltarem a repetir. O amor inquebrantável à causa da liberdade tem causado vítimas nas mais variadas latitudes, tornando-se o esquecimento e o negacionismo a vitória derradeira dos seus carrascos.”

Homens que recusaram sujeição à tirania

António José Ferreira, na moção que apresentou sublinhou que – “Ao longo de décadas, o campo da morte lenta recebeu milhares de prisioneiros, oriundos dos mais diversos quadrantes políticos e julgados em processos que tinham como único fim pretenderem legitimar a sua culpabilidade. Muitos foram os que sucumbiram às condições terríveis impostas pelos carcereiros, assim como ao clima inclemente da ilha de Santiago, situada no arquipélago de Cabo Verde.
A tristemente célebre frigideira acolheu durante anos homens que recusaram com orgulho a sujeição à tirania da lei do campo de concentração, sofrendo no corpo e no espírito suplícios inimagináveis para muitos de nós.
A liberdade para estas pessoas teve sempre um preço muito elevado que, no entanto, nunca hesitaram em pagar.”

Não reabilitar o rosto do salazarismo

O deputado socialista recordou que – “mesmo após um período de fugaz encerramento, o Tarrafal nunca deixou de ser um dos mais hediondos símbolos da noite fascista, sendo reaberto em Setembro de 1966, destinado a albergar os dirigentes dos movimentos independentistas africanos.
A inumanidade de quem governou o País através do terror e da opressão nunca deverá ser matizada, mesmo que agora alguns pretendam humanizar e reabilitar o rosto do salazarismo.
O século XX ficará indelevelmente marcado pela eclosão destes universos concentracionários, máquinas cegas de morte e alheias a qualquer sentimento de compaixão.”

Quem sofreu na pele e na alma o horror totalitário

Por outro lado, António José Ferreira, evocou – “Obras literárias como Se isto é um homem ou Um dia na vida de Ivan Denisovitch deixam-nos o testemunho impressionante de quem sofreu na pele e na alma o horror totalitário.
Negá-lo é tornarmo-nos cúmplices de um crime abjecto.”

Sofrimento moral, físico e a dor do degredo

Salientou António José Ferreira que – “Em Outubro de 1936, foi enviado para o campo de concentração do Tarrafal o primeiro contigente de presos políticos, expediente através do qual se pretendia liquidar as pessoas que para aí eram desterradas. Além do sofrimento moral e físico, restava-lhes ainda suportar a dor do degredo.
“Quando a pátria que temos não a temos/ perdida por silêncio e por renúncia / até a voz do mar se torna exílio / e a luz que nos rodeia é como grade” (Sophia de Mello Breyner).”

Crimes hediondos nunca caiam no esquecimento

Na moção apresentada pelo deputado socialista, propõe-se que a Assembleia Municipal do Barreiro manifeste – “a todos os sobreviventes do Tarrafal o testemunho da nossa homenagem e o profundo respeito pela sua coragem” e, por outro lado salienta “pugnar para que a memória destes crimes hediondos nunca caia no esquecimento.”

PS está a misturar alhos com bugalhos

José Caetano, PCP/CDU, referiu que a “maioria dos presos que estiveram detidos no Tarrafal foram militantes do Partido Comunista Português”, tendo sido os primeiros, aqueles que participaram na Revolta da Marinha, em 8 de Setembro de 1936, salientou o deputado comunista.
José Caetano, sublinhou que a moção do Partido Socialista continua, “a misturar alhos com bugalhos”, e, neste contexto, considerou que por trás do conteúdo desta moção estão objectivos que “por essa Europa” estão em voga.
José Caetano, referiu que se do conteúdo da moção, apresentada pelo Partido Socialista, fosse retirado o parágrafo onde se refere a obra “Um dia na vida de Ivan Denisovitch”, poderia ser votada favoravelmente a moção.

Não se deve branquear o Goulag

Pedro Gomes, PSD, considerou errado que fosse retirado da moção o parágrafo referido pelo deputado comunista José Caetano, porque sublinhou “não se deve branquear o Goulag, como que não tendo existido, ele existiu”.
Sublinhou Pedro Gomes, que o deputado do PCP parece querer condenar os campos de concentração, mas, salientou “parece que só quer condenar de acordo com quem está lá dentro”.

Liberdade é um valor consensual

Humberto Candeias, Bloco de Esquerda, referiu que a moção apresentada pelo Partido Socialista, sobre o Tarrafal é consensual, porque a “liberdade é um valor consensual, seja qual for o regime”, acrescentou o deputado do Bloco de Esquerda que – “não pode haver critérios duplos para as questões da liberdade”.

O que é Tarrafal e o que não é Tarrafal

Rui Ferrugem PCP/CDU, referiu que sabe distinguir o que separa as referências feitas na moção do Partido Socialista, do que é sobre o Tarrafal e do que nada tem a ver com o Tarrafal, e, sublinhou que quem escreve este tipo de moções é que nunca separa as matérias.

Não diminui nada a solidez ideológica

António José Ferreira, PS, recordou que, em outra reunião da Assembleia Municipal já se confrontara com o deputado José Caetano do PCP, sobre aspectos relacionados com as “denúncias do Goulag”.
De acordo com António José Ferreira, “não diminui nada a solidez ideológica” reconhecer os erros que conduziram ao Goulag, na opinião do deputado socialista foi – “por essas e por outras que a URSS caiu”.
Segundo António José Ferreira, nos tempos actuais “estamos a voltar a passos largos ao século XIX”, acrescentando que – “o negacionismo é o negacionismo”.

Sempre tinha razão nas minhas dúvidas

José Caetano, PCP/CDU, sublinhou que as intervenções que se registaram vieram demonstrar que – “sempre tinha razão nas minhas dúvidas”, sobre as intenções da moção apresentada.
José Caetano, referiu que, há estados europeus, onde se proibiu, ou quer proibir os comunistas, e, recordou que foram concepções destas defendidas pelos democratas europeus, nos anos 30 e 40, que os tornaram “cúmplices dos interesses da Alemanha”.

Continuamos no processo de intenções

António José Ferreira, PS, sublinhou que repondo a verdade histórica não foram os democratas europeus que assinaram o “pacto germano-soviético” e, sublinhou, que de acordo com a intervenção de José Caetano, “continuamos no processo de intenções”.

Na moção nem uma linha é retirada

António João Sardinha, PS, referiu que o Tarrafal é “um acontecimento do país que não deve ser esquecido” e, acrescentou que, da proposta de moção apresentada pelo Partido Socialista - “nem uma linha é retirada”.

Moção reprovada pelo PCP/CDU

A moção para assinalar os 70 anos da inauguração do Tarrafal foi reprovada com os votos contra dos deputados do PCP/CDU. A favor votaram os deputados do PS, PSD e BE.

Não aceitar igualdade entre nazismo e comunismo

Em declaração de voto, José Caetano, PCP/CDU, referiu que o voto contra a moção sobre o Tarrafal, apresentada pelo PS, resultou do facto de analisando o conteúdo da moção, se verificar que, para os proponentes, o que “é fundamental”, é procurar “introduzir a ideia”, e estabelecer a “referência à igualdade de Nazismo e Comunismo”.

Século XX foi marcado por processo totalitário

António José Ferreira, PS, em declaração de voto, lamentou “a ausência de um espírito de actualização”, e , também “a incapacidade de ultrapassar tabus”.
O deputado socialista referiu que são feitos “juízos de valor”, e , “processos de intenção”.
Neste contexto, lamentou que as pessoas fiquem “reféns do pensamento” e, por outro lado, sublinhou que o “século XX foi marcado por um processo totalitário”.
António José Ferreira, sublinhou que “não igualizo ideologias totalitárias”, mas também não sou daqueles que “quiseram proibir manifestações de extrema direita”.

Hitler e Staline foram ditadores

Isidro Heitor, PS, em declaração de voto, salientou que “sou defensor da liberdade, sou contra as ditaduras, Hitler e Staline foram ditadores”.
José Caetano, da bancada comentava, que Isidro Heitor defende a liberdade – “de 2 milhões de portugueses viverem a níveis de miséria”.

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