Conferência no Barreiro“Sou pelo não, porque o aborto é crime”
- afirma Ana Teresa Xavier
Tiago Cabanas defendeu que a “solução está na promoção de uma Educação Sexual concreta, no Planeamento Familiar”.
Cláudio Anaia defendeu que “a diminuição do aborto passa pelo combate ás causas” e na, sua opinião, “o Aborto deve continuara na Lei como crime”.

Por Jornal Rostos
No Auditório da Biblioteca Municipal do Barreiro, realizou-se uma Conferência tendo como tema : “Aborto – Despenalizar ou Legalizar ? As Razões do Não”, uma iniciativa promovida pela «Plataforma “Aborto a Pedido? Não”».
Os prelectores convidados foram Cláudio Anaia, Mandatário Nacional do Movimento “Aborto a Pedido? Não “; Ana Teresa Xavier, Médica; Isabel Amado, Advogada e Tiago Cabanas – Dirigente Associativo.
Promoção da Educação Sexual
Tiago Cabanas, salientou que votar sim no referendo sobre a legalização da interrupção voluntária da gravidez é contribuir para “liberalizar uma prática que deixa de ir a Tribunal”.
Na sua opinião, a “solução está na promoção de uma Educação Sexual concreta, no Planeamento Familiar” e, em casos de dificuldades, na valorização da vertente da “Segurança Social” que contribua para que “a criança cresça”.
Matar uma vida e isso é um crime
Ana Teresa Xavier, referiu que se fosse “há trinta anos atrás votava pelo sim”, nos tempos de hoje, com o desenvolvimento dos conhecimentos considera que votar no sim é estar a votar numa legislação que contribui para “matar uma vida e isso é um crime”.
“Para mim é Não. Porque sou contra tudo o que seja contra a vida humana. Sou pelo Não, porque o aborto é crime” – sublinhou Ana Teresa Xavier.
Diminuição do aborto passa pelo combate ás causas
Cláudio Anaia, referiu que a sua posição pelo Não, está sustentada na defesa do bebe – “a protecção ao sem voz” e contra o facto de “a mulher poder impor a sua vontade ao mais fraco”.
Sublinhou que com a legislação que se pretende aprovar, “o homem fica sem a sua responsabilidade” porque “fica excluído da decisão sobre a vida do seu filho”.
Cláudio Anaia defendeu que “a diminuição do aborto passa pelo combate ás causas” e na, sua opinião, “o Aborto deve continuara na Lei como crime”.
Na sua intervenção referiu que o referendo sobre a interrupção voluntária da gravidez, “vai custar 10 milhões de euros” e “esse dinheiro podia servir para ajudar mulheres”.
Contra a banalização do aborto
Após as intervenções seguiu-se um período de debate, com diversas intervenções a favor do “Sim” e do “Não”.
André Pinotes, referiu que “sou a favor da despenalização” e expressou a sua critica aos “extremismos” a propósito do debate desta temátca.
Expressou a sua disponibilidade para, após a aprovação do “Sim” expressar a sua opinião “contra a banalização do aborto”.
E lamentou que os defensores do “Não” utilizem expressões como “os médicos que são defensores do SIM são a escória da classe” ou a expressão que “o Aborto é terrorismo”.
SIM, será aceitar viver com o crime legalizado
Eduardo Xavier, referiu que na sua vida profissional “lido com a eminência da morte” e sublinhou que para ele é gratificante quando consegue “ir lá buscar e salvar da morte”.
Criticou as palavras do Ministro da Saúde, Correia de Campos, quando este refere que o Serviço Nacional de Saúde tem condições para dar resposta à aplicação da legislação em debate no referndo.
Referiu que se há anos atrás, não era viável garantir a sobrevivência de um “parto de 20 semanas, hoje um parto de 20 semanas é viável”, neste contexto, considerou que pela evolução cientifica, “é perfeitamente possível, dentro de poucos anos ser viável um parto de 10 semanas”.
Na sua opinião votar SIM, será aceitar que podemos viver “com o crime legalizado”.
Respeito pela vida e dignidade do ser humano
Numa outra intervenção foi referido que a legislação proposta com o referendo “não limita o número de abortos que uma mulher pode fazer na sua vida sexual activa”.
Foi também, sublinhado, que “o processo legislativo vem socorrer interesses de circunstâncias e conjunturas” e afasta-se do “princípios e respeito pela vida e dignidade do ser humano”.
Por outro lado, foi referenciado que “na União Europeia não existe uma Lei tão liberal a esta que é proposta em Portugal”.
Nas várias trocas de opiniões, foi sublinhado que a legislação proposta visa liberalizar o aborto e que “vão continuar a haver casos que a Lei penaliza, após as 10 semanas”.
“Se ganhar o SIM ( que espero que não), espero daqui a 8 anos, voltar a discutir para avaliar o resultado da legislação” – salientou Ana Teresa Xavier.













