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Perspectivas

No Barreiro PS abre campanha pelo SIMJorge Coelho condena
“A humilhação da mulher ser julgada”

. Setúbal o distrito do país com maior expressão pelo SIM

. PS é a favor do SIM, vai lutar pelo SIM

Jorge Coelho, numa sessão que marcou a abertura da Campanha Nacional do Partido Socialista no debate sobre o referendo da Interrupção Voluntária da Gravidez, referiu que a situação que vai resolvida em Portugal, no próximo dia 11 de Fevereiro, é por fim à “humilhação da mulher ser julgada”.
Se o “Não” vencer o dirigente socialista defende que o Partido Socialista deve respeitar a decisão dos portugueses.
Referiu que “o PS é favor do SIM”, apelando aos portugueses, para votarem, e, que “utilizem este instrumento da democracia”.

Edite Estrela salientou que “temos que trabalhar para que o SIM vença”, em primeiro lugar, por “uma questão de justiça”, porque “Portugal neste domínio está na cauda da Europa”,

Vítor Ramalho, sublinhou que no final do referendo, com a vitória do SIM, limitar-se-á a sublinhar – “Olhem para o distrito de Setúbal”.

8 min de leitura
No Barreiro PS abre campanha pelo SIM Jorge Coelho condena “A humilhação da mulher ser julgada”

Por Jornal Rostos

No Salão dos Bombeiros Voluntários do Barreiro – Corpo de Salvação Pública, realizou-se a sessão de abertura da Campanha Nacional do Partido Socialista que decidiu envolver-se no “movimento pelo SIM”.
Edite Estrela e Jorge Coelho, foram os dirigentes nacionais do Partido Socialista, que introduziram o tema em debate, no âmbito do referendo sobre a Interrupção Voluntária da Gravidez.

O distrito do país com maior expressão do SIM

Vítor Ramalho, Presidente da Federação Distrital de Setúbal do Partido Socialista, que moderou o debate, recordou que o Distrito de Setúbal no primeiro referendo sobre a interrupção voluntária da gravidez, “foi o distrito do país com maior expressão do SIM, com mais de 80%”, referiu, igualmente que a abstenção em Setúbal foi inferior àquela que se registou ao nível nacional, rondando os 64%.
Vítor Ramalho apelou à votação para que o instituto do referendo não perca credibilidade como instrumento de democracia participativa.
O dirigente distrital do PS, referiu - “somos um Partido humanista, com respeito enorme pelo ser humano”, nesse sentido recordou que no PS, há quem defenda o SIM e também que defenda o NÃO – “uma diferença que faz parte da nossa génese, como Partido humanista e tolerante”.

Unidade do PS na base de princípios

Vítor Ramalho, salientou que “o Partido enquanto tal está no Movimento pelo SIM”, porque referiu é preciso adaptar a lei à realidade e por fim à criminalização.
Na sua intervenção sublinhou que é fundamental a “unidade do Partido Socialista” mas que essa unidade tem que ser feita “na base de princípios” e nunca deve ser feita “unidade para ganhar o que quer que seja”, deve ser uma “unidade na diferença” que afirme “o baluarte de um PS humanista e tolerante”.
O dirigente socialista referiu o Barreiro e o Distrito de Setúbal, como um exemplo para esta luta, na qual deverão ter uma palavra decisiva, porque – “o coração bate à esquerda e por progresso humanista. Fazemos a diferença”.
Vítor Ramalho, sublinhou que no final do referendo, com a vitória do SIM, limitar-se-á a sublinhar – “Olhem para o distrito de Setúbal”.
Vítor Ramalho salientou o envolvimento do Departamento das Mulheres Socialistas do Distrito de Setúbal, da Juventude Socialista e da Comissão Politica Concelhia do Barreiro do Partido Socialista, referindo o empenhamento de Luís Ferreira, Presidente da Comissão Politica Concelhia do Barreiro do Partido Socialista, pelo seu empenhamento e contributo nesta acção nacional do PS, realizada no Barreiro.

No seio do PS respeitam-se as opiniões diferentes

Edite Estrela, na sua intervenção salientou que “o PS não tem uma posição neutra, tem uma posição clara é a favor do sim”, acrescentando que, “no seio do PS respeitam-se as opiniões diferentes”, mas “escolhe conscientemente o voto sim”.
A realização da primeira acção nacional do Partido Socialista, no Distrito de Setúbal e no Barreiro, sublinhou Edite Estrela, “tem um valor simbólico” porque “foi aqui que o SIM teve mais força” no anterior referendo.
A dirigente socialista referiu que “todo o partido está envolvido, porque o assunto diz respeito às mulheres e aos homens”.

Portugal neste domínio está na cauda da Europa

Referiu Edite Estrela que “temos que trabalhar para que o SIM vença”, em primeiro lugar, disse, por “uma questão de justiça”, porque “Portugal neste domínio está na cauda da Europa”, em segundo lugar, salientou, existe “uma razão política” porque “se o SIM não ganhar será penalizador para o PS”.
Edite Estrela, salientou que “o instrumento do referendo, como significado da democracia participativa , será posto em causa” e que “em Portugal não vale a pena utilizar o referendo” caso no dia 11 de Fevereiro não se registe uma votação expressiva e os portugueses não votem “para decidir”.

Despenalizar não é liberalizar

Edite Estrela, sublinhou que “despenalizar não é liberalizar”, o que está em causa no referendo é “alterar o Código Penal”.
“Não está em causa a origem da vida. Neste referendo está em causa abrir mais uma excepção, mais um prazo, reduzir para 10 semanas” – referiu Edite Estrela.
Recordou que “a Lei pune com a prisão”, nesse sentido considerou que “a lei é injusta e penalizadora”, por essa razão, “tem que ser alterada”.
“Nós pretendemos a despenalização até 10 semanas, é isto que está em causa” – salientou.

Nós somos contra o aborto clandestino

“Nós não somos a favor do aborto, nós somos contra o aborto clandestino, que existe, não sejamos hipócritas. Existem milhares por ano” – sublinhou Edite Estrela.
Na sua intervenção sublinhou que “se o SIM vencer teremos uma Lei que defende mais a vida”.
Referiu que a Interrupção Voluntária da Gravidez “é do fórum de cada um, é uma decisão pessoal, não é o Estado que impõe”.
“Sou a favor do SIM por uma vida com direitos” – referiu a finalizar, acrescentando para – “ que Portugal se aproxime dos países da Europa e dos países civilizados”.

Situação hipócrita da sociedade portuguesa

Jorge Coelho, referiu que o “PS está a cumprir um dos seus compromissos eleitorais”, porque tal é necessário “para a credibilidade da política” que assuma os compromissos.
Recordou que este é um assunto que divide, “nem toda a gente está de acordo com a posição global do PS”.
Na sua intervenção salientou que o referendo é essencial para que “sejam os portugueses a acabar, de vez, com uma das situações mais hipócritas da sociedade portuguesa”.

O aborto em Portugal é feito de forma clandestina

Jorge Coelho referiu que numa entrevista afirmou que “uma das minhas primeiras candidaturas é viver”, para sublinhar que não aceita que “eu que defendo o SIM, possa ser atacado” por “por em causa a vida de alguém”.
“O aborto em Portugal é feito de forma clandestina” – referiu Jorge Coelho, acrescentando que “as classes mais desfavorecidas são as mais penalizadas”.
O aborto salientou Jorge Coelho “é um factor de grande hipocrisia na sociedade” e considerou que “a discussão não pode se extremada”.

São contra a utilização da pílula e dos preservativos

Salientou que os defensores do NÃO, colocam no debate “o assunto como um dogma de vida” e aplicam esta questão em torno do debate sobre a interrupção voluntária da gravidez, no entanto, referiu que estes “são os mesmos que são contra a utilização da pílula e dos preservativos”.
Jorge Coelho, sublinhou que “a gravidez tem que nascer dum acto de amor, o acto de amor nasce das pessoas”, é “um problema das mulheres e dos homens”.

Ninguém no Partido Socialista é a favor do aborto

“Temos que ter acima de tudo a força das nossas convicções, para melhorar as condições de vida em Portugal”- salientou Jorge Coelho afirmando que “não concordo que se compare esta matéria do aborto com o terrorismo”.
“A situação que, hoje, existe em Portugal é contra a vida” – referiu Jorge Coelho.
“Ninguém no Partido Socialista é a favor do aborto. Somos todos contra o aborto” – salientou o dirigente nacional do Partido Socialista.
Na sua intervenção referiu que em Portugal como “hoje tudo é clandestino, tudo é permitido”, lamentando ser esta “uma forma hipócrita de ver a organização da sociedade”.

A mulher vive a humilhação de ser julgada

Jorge Coelho, salientou que os defensores do NÃO utilizam o argumento que “não há nenhuma mulher presa em Portugal” e, neste contexto considerou “se é crime deve ser penalizado” e não ficar ao sabor de uma decisão de qualquer juiz.
E condenou que o facto de a mulher viver a situação de “humilhação de ser julgada”.

PS é a favor do SIM, vai lutar pelo SIM

“Eu estou completamente de acordo que, se tomamos a decisão de ouvir os portugueses, de ouvir as pessoas e depois da decisão dos portugueses, seria injustificável, que depois dos portugueses darem uma resposta, se essa resposta fosse pelo NÃO, contrária ao meu ponto de vista, fosse depois alterar aquilo que os portugueses decidiram nas urnas” – salientou Jorge Coelho.
Referiu que a decisão esta nas mãos dos portugueses e que os “portugueses devem utilizar esse instrumento da democracia”, acrescentando que o PS tem a responsabilidade de motivar porque o “PS é a favor do SIM, vai lutar pelo SIM”.
Jorge Coelho divulgou a realização de uma Conferência Nacional do Partido Socialista, no dia 20 de Janeiro, para debater a temática do referendo, para reforçar – “o sentido da responsabilização para que seja dada uma resposta concreta no dia 11, para que o SIM ganhe”.
Finalizou apelando aos militantes do Distrito de Setúbal para que “esteja à altura histórica para que o SIM ganhe”.

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