Grupo Desportivo Fabril - 70 Anos pelo BarreiroUm dos clubes mais representativos ao sul Tejo
Faustino Mestre, Presidente da Direcção do Grupo Desportivo Fabril, referiu que este foi o “primeiro clube de que realmente gostei e do qual nunca pensei vir a ser presidente” acrescentou que o clube “teve uma morte anunciada” que “agora está a ser combatida”.

Por Jornal Rostos
Chegar a uma idade provecta como os setenta anos já não é nenhum feito nos dias de hoje. É-o quando se trata de um grupo desportivo, que ao longo dos anos tem demonstrado força e carácter, como o “mais emblemático clube desportivo da margem sul”.
Camerata Musical do Barreiro um espectáculo
Para quem apenas conhece o pavilhão do Grupo Desportivo do Fabril pelas suas qualidades para a prática do desporto, terá ficado surpreendido esta tarde.
É que, integrado nas comemorações do 70º aniversário do clube, a Camerata Musical do Barreiro deu um espectáculo, “uma pequena aldrabice das obras de arte como prenda de aniversário”, conforme referiu o Maestro Lopes da Cruz, e que provou as qualidades acústicas do espaço para este tipo de eventos.
E como aniversário tem de ter festa, depois da música clássica, vieram os ritmos do hip-hop, pelos atletas de Ginástica da casa, iniciando assim a tarde de sessão solene, que além de vários oradores, contou ainda com a entrega de diplomas e emblemas aos associados com 50 e 20 anos de filiação e troca de prendas entre entidades.
Formar homens e mulheres
Na sessão solene da tarde estiveram presentes, para além de Carlos Humberto, presidente da edilidade, e Hélder Madeira, presidente da Assembleia Municipal,
Fernando Oliveira, presidente da Assembleia Geral e Faustino Mestre, presidente da Direcção do GD Fabril, Adolfo Lopo, presidente da Junta de Freguesia do Lavradio, Luís Costa, delegado regional do IDP, Sousa Marques, presidente da Associação de Futebol de Setúbal, Major João Nortadas e Joaquim Monteiro, adjunto da Governadora Civil de Setúbal.
Um dos momentos mais emocionados da tarde ocorreu quando Faustino Mendes chamou e cumprimentou três anteriores presidentes da direcção do clube, João Belo, João Aranhas e Eduardo Guerrerinho.
Tenho orgulho na história deste clube
Coube a Fernando Oliveira iniciar os discursos da tarde, e fê-lo em termos comovidos, “porque tenho orgulho na história deste clube, onde tive a honra de ser jogador e que troquei pelo Sporting. Vivi aqui alguns dos momentos mais marcantes ao nível desportivo da história do clube e não posso deixar de lembrar o jogo com o Milão”.
Fernando Oliveira saudou ainda os anteriores presidentes da direcção presentes, e Norton Oliveira, o meu treinador e o responsável por estar hoje aqui. Tenho a dizer que não dei nada a este clube, antes ele me deu a mim, e foi aqui que me fiz homem” e não poupou elogios ao actual presidente, “um grande timoneiro deste barco que não é fácil de governar. Por este ser um clube diferente é que estamos aqui hoje, passados setenta anos e passados ciclos bons, menos bons e maus, mas temos futuro e vitalidade, porque continuamos a apostar na formação dos cidadãos de amanhã”.
“Ainda há muito a fazer”
Confessando que desta feita tinha o discurso preparado, “porque isto já vai sendo pesado”, Faustino Mestre considerou exagerados os elogios à sua direcção, “porque ninguém faz nada sozinho e os que me têm ajudado são muitos: a minha família e os outros membros da direcção, que me obriga a levantar a cabeça nas horas de desânimo. Temos ainda cerca de um ano de mandato, mas ainda muito por fazer”.
Faustino Mestre recordou depois o seu passado desde o Bairro das Palmeiras, onde já tinha como referencia a CUF, até ao “primeiro clube de que realmente gostei e do qual nunca pensei vir a ser presidente, e que se teve uma morte anunciada, foi por doença de culpa da distracção dos sócios, nos quais me incluo, e que agora está a ser combatida”.
Terminou com agradecimentos à Câmara Municipal do Barreiro e à Quimiparque “que sempre nos apoiaram, assim o fizessem outros que têm responsabilidade histórica, porque se o fizessem, o futuro seria já amanhã”.
“Um clube muito rico”
Dos restantes oradores, o Major João Nortadas fez uma resenha histórica do percurso do clube, com especial destaque para o jogo frente ao AC Milan, Aldolfo Lopo lembrou a importância de outras actividades do clube para além das desportivas, como a banda, a casa da cultura e os jogos florais.
Luís Costa salientou a importância social do clube e felicitou a coragem do movimento associativo no país, e do GD Fabril em particular, “porque é mais do um símbolo, é um marco no Barreiro e é um clube muito rico, pelo seu património histórico e humano” e Sousa Marques não deixou de frisar que “este é um dos clubes mais representativos pela quantidade de trabalho realizado”.
Valor acrescentado
As intervenções terminaram com Carlos Humberto, que saudou a colectividade, recordando “as centenas de pessoas que, com o seu trabalho e empenho trouxeram o clube até aqui”.
Saudou também os dirigentes do clube e dos restantes do concelho “onde o movimento associativo é muito forte, mas o Barreiro também só é o que é devido ao seu movimento associativo, porque este tem espaço para o lazer, para o desporto e é uma prova da dinâmica do Barreiro. Fazer setenta anos tem um valor acrescentado e é preciso reconhecer a obra feita no desporto, na cultura e humana, pela formação de pessoas ao longo destas décadas”.
O presidente lembrou o esforço feito pelas colectividades “nestes tempos mais difíceis, mas que podem estar a marcar uma mudança do concelho para as próximas décadas”.
Maria do Carmo Torres













