7ª Assembleia da Organização Regional de Setúbal do PCPGoverno reduziu em cerca de 60% o investimento público na Região de Setúbal
As reconquistas das Câmaras do Barreiro, Alcochete e Sesimbra foram igualmente um motivo de orgulho para o PCP, reafirmando a “actualidade do projecto CDU e a gestão ímpar dos seus eleitos”, sublinhou Jerónimo de Sousa.

Por Jornal Rostos
Tendo como lema “Com os trabalhadores organizar, intervir e transformar”, o Partido Comunista Português realizou em Alhos Vedros no passado domingo, dia 1 de Abril, a 7ª Assembleia da Organização Regional de Setúbal.
A Escola Básica 2+3 José Afonso em Alhos Vedros, serviu de palco à 7ª Assembleia da Organização Regional de Setúbal (AORS) na qual o PCP fez o balanço e prestou contas do trabalho realizado pelo Partido na Região de Setúbal ao longo dos últimos quatro anos, assim como perspectivou as prioridades futuras e elegeu a nova Direcção Regional.
João Manuel Lobo, Presidente da Câmara Municipal da Moita, concelho que acolheu a 7ª AORS, foi o primeiro a discursar e também o primeiro de muitos a condenar o Governo do PS de José Sócrates. O autarca criticou os baixos orçamentos municipais e a má gestão do Estado que, segundo ele, coloca cada vez mais em causa a primazia do serviço público.
Luta de massas factor determinante no combate à política de direita
Jerónimo de Sousa, na intervenção de encerramento da 7ª AORS, atacou o governo em várias frentes e começou por reafirmar a importância do protesto e da luta de todas as camadas do povo de modo a “pôr um travão à ofensiva que o governo desenvolve contra as suas condições de vida e os seus direitos sociais essenciais”. Definiu a dinamização da luta de massas como um “factor determinante no combate à política de direita e um elemento insubstituível na defesa dos direitos e no combate ao conformismo e à resignação”. Relembrou, assim, a vitória do SIM no Referendo sobre a interrupção voluntária da gravidez (que em Setúbal teve uma expressiva votação de 82%) e a incessante luta do PCP para que esta “necessária e justa causa” não ficasse esquecida.
Uma ofensiva anti-social e anti-popular sem precedentes
O Secretário-Geral do PCP, numa análise aos dois anos do Governo de José Sócrates, teceu duras críticas e considera existir uma “ofensiva anti-social e anti-popular sem precedentes”. Deu, como exemplos, o “assalto” aos salários e às reformas, o aumento dos preços e dos impostos, as medidas de ataque à escola pública e a reforma da Segurança Social.
Um dos maiores insurgimentos com o Governo irrompe com a área da Saúde. Jerónimo de Sousa refere que “cada vez mais os privados se vão apoderando dos serviços de saúde, o acesso está cada vez mais difícil para a grande maioria dos portugueses, a promiscuidade entre o público e o privado vai crescendo e que a política do medicamento vai oscilando de acordo com os interesses da indústria e das farmácias”. Disse ainda que é “uma clara opção política para mercantilizar a saúde”, sendo os “portugueses aqueles que na Europa mais contribuem para as despesas com a saúde”.
Distrito de Setúbal cerca de 60% a menos do investimento na região
O líder comunista reforçou também a sua posição no que respeita a redução do défice das contas públicas e afirma que não é uma vitória do Governo mas “um resultado realizado às custas da redução drástica do investimento público” e esclarece que só no distrito de Setúbal significou cerca de 60% a menos do investimento na região.
Relativamente ao PCP, Jerónimo de Sousa fez o balanço positivo do ano de 2006 como um dos mais significativos em progressos na organização partidária. Para além de se ter verificado o maior número de adesões das últimas duas décadas (2300 novos militantes), verificou-se também a organização e responsabilização de mais de 1400 novos quadros e realizaram-se 363 assembleias, “dando continuidade e uma nova projecção ao movimento geral de reforço do Partido”. As reconquistas das Câmaras do Barreiro, Alcochete e Sesimbra foram igualmente um motivo de orgulho para o PCP, reafirmando a “actualidade do projecto CDU e a gestão ímpar dos seus eleitos”, afirmou Jerónimo de Sousa.
Reforço da organização e intervenção junto da classe operária
Assim sendo, o PCP traçou algumas linhas de acção que passam “pela responsabilização de quadros, em particular de jovens e uma forte formação política ideológica; pelo reforço da organização e intervenção junto da classe operária tendo como objectivo elevar o número de militantes; pelo estimulo ao funcionamento efectivo das organizações de base e pelo crescimento do volume de receitas”.
Por fim, Jerónimo de Sousa relembrou a importância que cada organização tem na sua área de responsabilidade e apelou à participação e ao empenho de todos de modo a transformar o Partido numa “arma carregada de esperança e confiança numa vida melhor para os trabalhadores, o povo e o País”.
Ângela Belo













