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Perspectivas

96º Aniversário do Futebol Clube BarreirenseClube é reconhecido como um “emblema” do Barreiro

“Dia de regozijo, de festa, mas também de reflexão das nossas dificuldades e capacidades.”

Manuel Lopes, presidente da Direcção do Barreirense, fez menção à necessidade de se construir património novo e infra-estruturas “condignas” que o clube necessita para a prática desportiva e tudo isto para “dotar o clube com melhores condições de trabalho”. Por agora o que está assegurado é a construção de um campo de futebol de 11 na Verderena, ficando ainda assim a necessidade de um terreno para a construção de um novo campo de futebol de 7.

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96º Aniversário do Futebol Clube Barreirense Clube é reconhecido como um “emblema” do Barreiro

Por Jornal Rostos

No dia 11 de Abril, data em que o Futebol Clube Barreirense comemorou noventa e seis anos de existência, António Sardinha, presidente da Assembleia-geral do clube, alertou para o facto de o aniversário ser marcado não só pelo regozijo que assinala estas ocasiões mas também pela necessidade de reflexão e de pensar o futuro: “Os tempos são outros, este grande clube do passado e do presente tem de pensar o caminho que tem de trilhar”. E essa necessidade de encontrar caminhos deve-se também aos sinais de crise que marcam o momento actual do clube. Para a edificação desse trajecto, António Sardinha, animado pelas hostes que ali estavam presentes, lançou um repto, apelando à disponibilidade de todos: “Construamos com alegria e segurança o nosso futuro”. Adiantando: “Temos os meios que nos permitem construir o futuro, não os podemos perder”.

Necessidade de construção de novo património que possa dar receitas

Manuel Lopes, presidente da Direcção do Barreirense, fez menção à necessidade de se construir património novo e infra-estruturas “condignas” que o clube necessita para a prática desportiva e tudo isto para “dotar o clube com melhores condições de trabalho”. Por agora o que está assegurado é a construção de um campo de futebol de 11 na Verderena, ficando ainda assim a necessidade de um terreno para a construção de um novo campo de futebol de 7. Para Manuel Lopes esse novo património também tem de gerar receitas para ajudar no equilíbrio das contas, numa altura em que a crise se soube instalar no clube alvi-rubro.

Crise económica leva à redução das despesas

“A crise económica que atacou o país levou a que as receitas se reduzissem a menos de 40% do que há quatro anos”, salienta Manuel Lopes. Nestas quebras de rendimento, inclusivamente a sala de bingo, pertença do clube, de onde provinham cerca de metade das receitas, teve este ano um prejuízo na ordem dos 100 mil euros, o que veio reforçar as dificuldades pelas quais atravessa o Barreirense e que levam à necessidade de reduzir a despesa.
Foi no âmbito da redução de despesas que em Setembro do ano passado se procedeu a uma reestruturação, ao que Manuel Lopes diz: “tivemos de dispensar cerca de metade do pessoal” na sala de bingo, o que também pode ter tido consequências na redução das receitas desta sala. Para custear as despesas a venda de património também tem sido utilizada.
O presidente da Direcção chamou também a atenção para o facto de os escalões seniores consumirem grande parte das receitas do clube e que essa necessária redução de custos poderá vir a passar por essas equipas. Mas porque as decisões ainda não estão tomadas, há que olhar para o futuro e ponderar. Manuel Lopes diz contar com “o apoio da Câmara Municipal do Barreiro, empresários e associados” para que os objectivos sejam alcançados.

Daúto Faquirá, um convidado especial – “O Barreirense é um estado de alma”

Na sala onde se celebrou a sessão solene os convivas eram muitos. Cerca de duas centenas de pessoas enchiam o ginásio sede do Barreirense. Daúto Faquirá, o treinador que na época de 2004/2005 levou a equipa sénior de futebol do Barreirense à Liga de Honra, era um dos convidados mais aguardados. “O Barreirense é mais do que um clube, é um estado de alma”, foi assim que, em conversa com o “Rostos”, Daúto encontrou as palavras para falar de um clube que lhe proporcionou “momentos muito bonitos” e onde o sucesso dos resultados desportivos contribuiu, na sua opinião, para que tivesse uma maior projecção: “o que permitiu que pudesse chegar onde agora estou, na Super Liga”. O técnico, agora no Estrela da Amadora, não deixou de insistir no papel preponderante que diz ter tido a sua passagem pelo clube, que desde pequeno se lembra de ouvir falar.
Nas suas declarações, Daúto Faquirá disse ter palavras simples e sinceras para dizer, tecendo largos elogios ao Barreirense: “A grandeza não apenas avaliada em função de vitórias e derrotas mas que acima de tudo representa uma prática humanista que é de louvar”, estendendo os aplausos à cidade do Barreiro “terra fraterna e solidária”. Ao recordar o convite que lhe foi endereçado para treinar o clube, disse logo ter aceite sem restrições: “Como podia recusar um histórico como o Barreirense?”. E acerca dessa passagem pelo clube, acrescentou: “A minha memória guardou essa época que nunca vou esquecer”.

O desejo de não descer de divisão

A cerimónia prosseguia com as felicitações endereçadas por inúmeras instituições, assim como a prometida entrega de emblemas e diplomas aos sócios que completavam 20 e 50 anos de associados, entre eles o próprio António Sardinha, Presidente da Assembleia, e o seu filho, situação a que António Sardinha considerou graciosa: “Um ano em que recebi o emblema de ouro e o meu filho o de prata”.
Custódio Bento Sim Sim, com 63 anos de idade, foi outro dos sócios agraciados pelo título de 20 anos de associado. Veio para o Barreiro há 30 anos e diz ter nascido na terra onde há mais céus, em Alcáçovas, no Alentejo, ao que logo explicou “em Alcáçovas fabricam-se os chocalhos dos animais, cuja parte superior é denominada de céu”, daí essa referência. Em relação ao Barreirense, diz ser: “Uma grande colectividade que deu grandes jogadores ao pais, à selecção e desejava que voltasse onde já esteve” e o seu desejo é também que sempre haja uma Direcção “que puxe pelo Clube”. Compreendendo a situação difícil pela qual atravessa o Barreirense, crise que se estende por outros tantos clubes que “não têm dinheiro e lutam pela sobrevivência”, deixa ainda um pedido no dia em que se sopram as velas do bolo: “que não desça de divisão”.

“O Barreiro seria pior senão tivesse o movimento associativo”.

Carlos Humberto, presidente da Câmara do Barreiro, teceu largos elogios ao clube, começando por agradecer ao Barreirense, pelo que “fez pela nossa terra e gente”, e esse contributo, nas suas palavras, não se estendeu apenas ao âmbito da acção social mas foi mais longe ”proporcionando esperança e confiança e dando momentos de alegria”. Ainda nesse seguimento, Carlos Humberto não quis deixar de fazer referência à importância que o movimento associativo tem para o Barreiro: “O Barreiro seria pior senão tivesse o movimento associativo”.

“As vitórias não são só alcançadas nos campos de jogo”

“Uma batalha diária” foi a expressão que o presidente da Câmara encontrou para caracterizar o esforço que os actuais dirigentes do Barreirense têm feito “para encontrar soluções que viabilizem as actividades desportivas em que vive o clube”.
Porque um aniversário se prende com o passado mas também com o futuro e considerando que “as vitórias não são só alcançadas nos campos de jogo”, Carlos Humberto considera que é possível alcançar as vitórias que são agora prementes através da construção das “instalações condignas com o seu passado e futuro”. Referindo-se assim à necessidade de encontrar outros locais para a prática desportiva, tendo em conta as limitações do espaço da Verderena, que não é suficiente para o trabalho de todos os escalões.

Importância da formação – “Se a NBA se lembrou de Portugal, lembrou-se por um jogador do Barreirense”

Manuel Lopes, presidente da Direcção, não quis deixar de reparar que, apesar dos resultados menos favoráveis da equipa, “constatamos que o nosso clube continua a ser uma referência a nível local e nacional a respeito da formação” e que possibilita a que 700 jovens possam praticar desporto. E esse facto acabou por tomar forma com as homenagens aos jogadores do Barreirense que se destacaram nas modalidades de basquetebol, futebol, xadrez e kickboxing.
Na verdade, durante a sessão solene foram vários os manifestos de reconhecimento acerca do papel preponderante que o Futebol Clube Barreirense tem desempenhado sobretudo a nível da formação.
Carlos Pires, Representante da Federação Portuguesa de Basquetebol, considerando que a “mística da modalidade” persiste no Barreiro, logo referiu: “Quando se fala de desporto no Barreiro fala-se obrigatoriamente de basquetebol e quando se fala de basquetebol fala-se do Barreiro”. Quis ainda agradecer o desempenho e disponibilidade que o clube tem demonstrado para o minibasket, o que lhe conferiu, por dois anos consecutivos, o prémio Cremildo Pereira, uma distinção com grande significado que é “exemplo e resultado da motivação, trabalho e dedicação” do clube, sublinha. Acrescentou também que, sabendo dos projectos do clube e tendo consciência de que o actual ginásio sede já é antigo e que uma das prioridades é a construção de um novo pavilhão: “é nossa convicção que a sua construção seja possível em curto espaço de tempo”.
Paulo Mamede, presidente da Liga de Clubes de Basquetebol, quis também deixar umas palavras de louvor ao clube: “Uma grande paixão, muita prática e também muita teoria no basket do Barreiro”, sublinhando: “Se a NBA se lembrou de Portugal, lembrou-se por um jogador do Barreirense”, referindo-se assim ao jogador João Betinho Gomes.

Futebol Clube Barreirense – um “Emblema da Cidade”.

Sousa Marques, presidente da Associação de Futebol de Setúbal, também não deixou de fazer relevância ao importante papel do Barreirense na formação dos jogadores, neste caso a nível do futebol. Entendendo que as actividades de natureza económica contribuem para que os resultados desportivos nem sempre sejam os melhores, deixou uma palavra de apoio à direcção: “Ser dirigente nos tempos de agora não é fácil” e apelando à esperança no futuro, rematou o discurso com a frase: “Todos precisamos do Barreirense e o Barreirense precisa de todos”.
Por sua vez, Joaquim Monteiro, representante do Governo Civil de Setúbal, em dia de aniversário, um “momento de balanço e de reflexão”, procurou analisar a grandeza do clube, acabando por considerar o Futebol Clube Barreirense como um “Emblema da Cidade”.
No momento em as hostes se animavam com o partir do bolo, acompanhado pelos acepipes que faziam jus à ocasião, um dos sócios quis fazer-se ouvir e com palavras de conforto, dirigiu-se aos convivas: “Enquanto houver poetas, a nós ninguém nos vence”, e em jeito de poesia soube compor uma quadra que segredava o seu desejo de viver mais quatro anos para ver o centenário do Barreirense.

Andreia Lopes Gonçalves

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