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Perspectivas

No Barreiro – Encerramento oficial do Fórum do Desporto da Península de Setúbal“Um processo participado, isento e sério, onde prevaleceram as ideias”

“Por unanimidade ou não, o documento vale por todo o trabalho que foi feito”

A Resolução Final do Fórum de Desporto da Península de Setúbal, que conta com vinte medidas “consideradas essenciais para enfrentar a crise que atravessa a cultura física no presente”, foi aprovado por unanimidade, depois de se procederem também a algumas alterações no âmbito da redacção do documento, sugeridas pelos presentes, de entre as quais a substituição do termo “Estado Central” por “poder central”.

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No Barreiro – Encerramento oficial do Fórum do Desporto da Península de Setúbal “Um processo participado, isento e sério, onde prevaleceram as ideias”

Por Jornal Rostos

Após a apresentação, por parte dos 9 municípios do distrito de Setúbal, das conclusões resultantes dos fóruns concelhios realizados no âmbito do tema do desporto, procedeu-se ao debate do documento dinamizador da discussão. Na hora de votar, o documento foi aprovado por unanimidade, ficando ainda marcado pelo voto de abstenção de Vítor Gingeira, vereador do Desporto da Câmara Municipal do Montijo, que explicou o sentido da sua abstenção referindo que muitos dos objectivos referenciados já estão assegurados no Montijo, sublinhando:”Aceitamos o documento porque decidimos participar nele”, ao que acrescentou: “Mas o documento final tem alguma participação ideológica”, daí a sua abstenção. Perante essa postura, Joaquim Santos, vereador do Deporto da Câmara Municipal do Seixal, retorquiu: “Em democracia ganha-se e perde-se e têm de ser valorizadas as melhores ideias”, acrescentando que a elaboração do documento foi “um processo participado, isento e sério, onde prevaleceram as ideias, em detrimento de outras questões”.

“As cores políticas não contam aqui”

Do público também se levantou algum burburinho, conduzindo ao pedido de intervenções que já não eram esperadas. Um dos presentes, António Sérgio, referiu: “As cores políticas não contam aqui”, acrescentando: “Se o Montijo já vai à frente e tem a camisola amarela, tudo bem, mas os objectivos são para toda a Península de Setúbal”.

“Por unanimidade ou não, o documento vale por todo o trabalho que foi feito”

O presidente da Câmara do Barreiro, Carlos Humberto, também não quis deixar de intervir, referindo: “Não vale a pena desvalorizar o trabalho pelo facto de haver uma abstenção”, alegando que o que se deve sublinhar é a metodologia e o percurso delineado, o qual foi aprovado favoravelmente. Opinião partilhada por Vivina Nunes, vereadora da Câmara Municipal da Moita: “por unanimidade ou não, o documento vale por todo o trabalho que foi feito”.

Resolução Final do “Fórum Peninsular” – 20 medidas para enfrentar a crise

Por sua vez a Resolução Final do Fórum de Desporto da Península de Setúbal, que conta com vinte medidas “consideradas essenciais para enfrentar a crise que atravessa a cultura física no presente”, foi aprovado por unanimidade, depois de se procederem também a algumas alterações no âmbito da redacção do documento, sugeridas pelos presentes, de entre as quais a substituição do termo “Estado Central” por “poder central”. A falta de um parágrafo específico acerca das necessidades da formação foi outra questão levantada, prontamente atendida pelo vereador Joaquim Santos na criação de um Plano Regional de Formação a ser acrescentado ao plano de Resolução Final.

“Somar as diferenças, atenuá-las e chegar a um ponto que seja aceitável por todos”

O encerramento oficial da sessão foi pautado pelos discursos de Carlos Humberto, presidente da Câmara do Barreiro e por Teresa de Almeida, Governadora Civil.
O autarca do Barreiro quis sublinhar o trabalho de parceria e cooperação, do qual o “Fórum Peninsular” é um exemplo, acrescentando ser “um trabalho permanente que nesta região estamos habituados a fazer”. Considerando que o melhor percurso a trabalhar será: “Somar as diferenças, atenuá-las e chegar a um ponto que seja aceitável por todos”. Ainda dentro desta questão, na qual reflectia sobre a necessidade de cooperação e articulação de posições diferentes, referiu: “Há o todo e há as partes e o todo não tem de ser necessariamente o somatório das partes, porque as partes têm autonomia”.

Articular e conjugar o desporto de diferentes níveis

O presidente da Câmara do Barreiro referiu também que o desporto, enquanto direito dos cidadãos e de cidadania, deve ser fomentado por todos os poderes: “temos de cooperar no sentido de alargar a cada vez mais pessoas a capacidade de fazer desporto”. Fez referência à necessidade de melhor articular e conjugar o desporto, desde o de massas, ao de alta competição: “Que um potencialize o outro”, argumentou. Para que, tendo em conta os meios, que por vezes são escassos, como ao nível de infra-estruturas, se possa responder às solicitações da prática desportiva, independentemente do seu nível. Considerou que “não tem sido fácil o nosso caminho nesta matéria” mas, ainda assim, acrescentou: “hoje torna-se menos difícil, porque temos experiência”.

O Movimento Associativo muitas vezes substitui o papel do Estado

Acerca do papel do Movimento Associativo, o autarca barreirense diz ser “importante, dinâmico, incomparável e indispensável” e que tem vindo, muitas vezes, a substituir o papel que deveria ser desempenhado pelo Estado, ultrapassando os seus próprios recursos. “E isto é impagável”, considerou.
Dizendo tratar-se de “um elemento marcante da vida na região de Setúbal”, não deixou de advertir para o facto de o associativismo viver actualmente alguns problemas. “Ou o Movimento Associativo se actualiza, e nós autarcas temos de ajudar nisso, ou morre”. Considerando ainda importante de referir que o associativismo deve manter-se autónomo em relação aos poderes políticos, apontando essa como uma questão essencial da democracia, mas também considerou que esse esforço deve caber também às autarquias. “O poder local tem de fazer um esforço para não cair no mais fácil: ‘És dos meus, tens o meu apoio; não és, não tens’.”

É preciso concretizar

Imbuído na ideia de que é indispensável a definição de linhas de orientação e rumos a trilhar, Carlos Humberto realça a importância da concretização dessas ideias. “Não quero dizer que as conclusões do nosso Fórum tenham aplicação amanhã, mas é preciso tomar medidas”, e foi neste espírito que terminou o seu discurso: “Muito obrigado e ao trabalho!”.

“Foi possível renegociar as receitas a serem utilizadas na actividade desportiva”.

Teresa de Almeida, Governadora Civil de Setúbal, começou por enaltecer a importância da realização de um fórum “transversal a toda a sociedade que entende a questão do desporto como essencial aos portugueses”. Referiu que no Ano Europeu de Igualdade de Oportunidades para Todos, o grande objectivo, a nível desportivo, deverá ser no âmbito de fazer chegar o desporto a todos, como um direito que é reconhecido pela própria Constituição Portuguesa. A respeito das propostas concretas do governo, falou na Lei de Bases do Desporto, aprovada em Janeiro, e sobre isso referiu: “esperamos que no Verão possa estar posta em curso”. Adiantou ainda que o desporto deixou de estar em último ponto em termos de financiamento governativo: “foi possível renegociar as receitas a serem utilizadas na actividade desportiva”.

“Uma nova capacidade de prestar um serviço ao país, ao nível do desporto”

Referindo que o Secretário de Estado do Desporto mostrou a sua disponibilidade para ouvir as questões debatidas no Fórum do Desporto da Península de Setúbal, Teresa de Almeida falou ainda de algumas medidas que estão a ser discutidas e vão ser anunciadas, com aplicação no Barreiro. Falou no protocolo com a Federação Portuguesa de Futebol que está a discutir a colocação de mini campos “que em breve serão implantados”, adiantou. Outras questões referenciadas foram a possibilidade de os clubes se candidatarem a alterações em termos de segurança e a possibilidade de se edificar um campo relvado em cada um dos municípios que ainda não o tenham. Terminou o discurso, referindo que uma das preocupações do Governo é assegurar a estabilidade entre o desporto e as colectividades, de modo a que seja possível, nas suas palavras: “uma nova capacidade de prestar um serviço ao país, ao nível do desporto”.

Andreia Lopes Gonçalves

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