No Barreiro “Jantar Debate com os empresários”O desemprego no distrito de Setúbal é afectado pela crise da construção civil"
Ponce Leão, do Instituto de Construção Imobiliária, anunciou que vai ser criado “um Centro de Arbitragem de Conflitos do Consumidor” vocacionado para a área habitacional.
Carlos Costa, Presidente da Delegação de Setúbal da AECOPS, referiu que está a registar-se uma quebra brutal, na construção no país e no distrito de Setúbal, sublinhando que “caiu mais de 40% da mão de obra, na construção civil”, uma mão de obra que, “representa mais de 50% da mão de obra no distrito de Setúbal”.

Por Jornal Rostos
A Câmara Municipal do Barreiro e a Comissão Directiva da Delegação de Setúbal da AECOPS – Associação de Empresas de Construção e Obras Públicas – promoveram um Jantar-Debate, ontem, no restaurante Acordeon, no qual participaram algumas dezenas de empresários do sector da construção civil, talvez, quase a totalidade dos 94 cuja actividade está reconhecida no concelho do Barreiro.
Contributo para a melhoria da qualidade de vida das populações
A iniciativa visou debater e analisar a situação e o futuro do sector da Construção no concelho do Barreiro.
Ponce Leão, do Instituto de Construção Imobiliária, recordou que a actividade do sector da construção civil tem que ter como referência duas realidades por um lado a “globalização”, por outro lado a “sustentabilidade”, dando o seu contributo para a melhoria da qualidade de vida das populações e evitar que as cidades se transformem em “bolinhos com um buraco no centro”, ou seja que vão crescendo e ao mesmo tempo desertificando os seus centros.
Acabar com estas situações de empresas que fecham
Ponce Leão, recordou que as empresas de construção civil têm que adoptar um novo paradigma, ou seja, acabar com o modelo que considera “o contabilista uma mais valia” e “o engenheiro uma despesa”, na sua opinião, este modelo “tem que ser invertido”.
O responsável pelo Instituto de Construção Imobiliária, anunciou que vai ser criado “um Centro de Arbitragem de Conflitos do Consumidor” vocacionado para a área habitacional.
Na sua intervenção interrogou : “Quem é promotor imobiliário neste país?” e como resposta referiu que no final “o único que fica na frente é o construtor, o promotor desaparece”, porque, normalmente, são criadas empresas imobiliárias que “fecham quando é vendido o último apartamento”.
Ponce Leão, referiu que é necessário acabar com esta situações e anunciou que a nova legislação em estudo, vai colocar novas regras na criação de empresas imobiliárias, porque é preciso “acabar com estas situações de empresas que fecham”.
Anunciou, igualmente, que na legislação em estudo, vão ser criadas novas regras de atribuição de alvarás a empresas de construção, nomeadamente, com ma revisão do número de classes actualmente existentes.
Redução de investimento do Poder Central
Carlos Costa, Presidente da Delegação de Setúbal da AECOPS, referiu que a realização desta iniciativa Jantar-Debate, tem como finalidade “a aproximação dos industriais da construção das Câmaras”.
Recordou que está a registar-se uma quebra brutal, na construção no país e no distrito de Setúbal, sublinhando que “caiu mais de 40% da mão de obra, na construção civil”, uma mão de obra que, “representa mais de 50% da mão de obra no distrito de Setúbal”.
Na sua intervenção salientou que a média do desemprego no distrito de Setúbal é “afectada pelo facto da construção civil estar a atravessar um grande crise”, quer devido à redução de investimento do Poder Central, quer devido à redução dos orçamentos das 13 Câmaras Municipais do distrito de Setúbal.
Por outro lado, recordou que a situação financeira das empresas de construção resulta bastante do “atraso dos pagamentos”.
Queremos que tratem com respeito os industriais da construção
“Nós representamos 8% do PIB e 12% da mão de obra activa” – referiu Manuel Costa, além de ter tecido criticas à “máquina burocrática do funcionalismo público”, nomeadamente a CCDR que demora imenso tempo a dar resposta na aprovação de Planos de Pormenor.
“Tiram-nos cada vez mais a vontade de trabalhar pelas nossas cidades” – sublinhou Carlos Costa, criticando aquilo que classificou de “guerras fundamentalistas” que marcam a gestão das autarquias, apelando ao combate “à burocracia instalada” e também contra os “pseudo” empresários não legalizados.
“Chegou a hora de dizer basta. Nós não queremos favorecimentos, queremos que tratem com respeito os industriais da construção” – sublinhou o Presidente da Delegação de Setúbal da AECOPS.
Barreiro “há crise económica e crise social”
O Presidente da Câmara Municipal do Barreiro, Carlos Humberto, referiu que no concelho do Barreiro “há crise económica e crise social”, um problema que não deve ser ignorado, nem deve ser escondido, deve, antes pelo contrário mobilizar todos na procura de soluções.
Na sua intervenção referiu aspectos estratégicos que considera fundamentais para o desenvolvimento do concelho, nomeadamente a revitalização e alargamento do centro da cidade, o aproveitamento das potencialidades da Quimiparque, que deverá significar para o Barreiro, no século XXI, o mesmo que significou no século XX – “factor de diferenciação do Barreiro”, na região e no país, apostando, em”industrias de novas tecnologias”.
Barreiro deve autoorganizar-se em defesa por esta reivindicação
O autarca recordou que as Câmaras do Barreiro, Almada e Seixal, reuniram com o Ministro dos Transportes, onde foram abordadas diversas matérias sobre acessibilidades e o futuro da zona ribeirinha, sublinhando que, desta reunião, ficou claro que está garantida a construção da nova ponte sobre o Tejo.
No entanto, Carlos Humberto, referiu que a nova ponte deve ser um elemento estruturante da Área Metropolitana de Lisboa, como ponte forte e motor do desenvolvimento do país, e que contribua para o desenvolvimento da Península de Setúbal.
Na sua opinião, é essencial que a nova travessia sobre o Tejo contemple a vertente rodoviária, e, neste contexto, lançou o apelo – “o Barreiro deve autoorganizar-se em defesa por esta reivindicação”.













