25º Aniversário da “NÓS” – BarreiroAssinatura do Contrato de comparticipação financeira para Lar Residencial
No Dia 11 de Junho, em Setúbal, decorre a cerimónia onde será efectuada a assinatura do Contrato de comparticipação financeira para o Lar Residencial

Por Jornal Rostos
Ontem comemorou-se o 25º aniversário da associação “NÓS”, num jantar que teve lugar no restaurante Acordeon. Cerca de 200 pessoas estiveram presentes para assinalar as bodas de prata da associação. Sócios, familiares, e todos os que, de algum modo, são considerados como os amigos da associação, marcaram presença num encontro onde o convívio e a partilha falaram mais alto.
“Os nossos valores constituem o nosso património mais importante”
O presidente da direcção da “NÓS”, Paulo Braz, fez alusão para o sentimento de partilha, como sendo um dos valores fundamentais da instituição. Apelidando a ocasião como um “momento de troca”, não quis deixar de falar no que considera ser o motor da instituição, o que, no seu entender, dá corpo às práticas da “NÓS”: “Os nossos valores constituem o nosso património mais importante”. Património que engloba as grandezas da parceria, da tolerância, da diversidade e da transparência, palavras expressas no discurso de Paulo Braz mas que também davam nome às mesas onde se reuniam os convivas. E porque era dia de aniversário falou-se na prenda mais ansiada, a construção do Lar Residencial ainda este ano: “Cumpriu-se um sonho iniciado há 25 anos”, comentou o presidente da direcção que também aproveitou a circunstância para lançar o seu desejo para os jovens, crianças e famílias: “Sentir que são felizes e pertencem à comunidade como todos os outros”.
“Alargámos o âmbito, sem perdermos a visão inicial”
Deixando espaço à memória, recuou aos tempos iniciais da associação, quando em 1982 por iniciativa e esforço de um conjunto de pais que procuraram soluções para os seus problemas na educação dos seus filhos, se edificou um caminho para que em 1990 a “NÓS” se constituísse enquanto associação, iniciando o seu funcionamento: uma Instituição Particular de Solidariedade Social direccionada para responder aos problemas de crianças e jovens com deficiências. E os projectos e serviços foram surgindo, desde a creche, ao apoio familiar e aconselhamento parental, ao crescer em família, à formação profissional e ao programa alimentar e outros tantos. Chegada a 2006 a “NÓS” viu os seus estatutos alargarem-se, passando a abranger o apoio a famílias carenciadas e em perigo de exclusão social e a jovens em risco. “Alargámos o âmbito, sem perdermos a visão inicial”, advoga Paulo Braz.
A importância da cooperação e da participação de todos
Chegados aos 25 anos de existência e olhando para o tempo que passou, considerou que “dificilmente se cumpririam os objectivos se ficássemos fechados”, e por isso a abertura da associação ao exterior, através da cooperação com outras instituições, revelou-se, no seu entender, essencial no caminho da “NÓS”: “Sentimos que era nossa obra ajudar”. A este respeito, fez menção às parcerias com os centros de saúde e com as escolas. E ainda que insistisse também na necessidade da defesa da identidade e da autonomia da associação, tendo a consciência de que “não somos privados, somos particulares”, esses valores devem, segundo referiu “ter a capacidade e o engenho para mobilizar a comunidade”. Ainda nesse âmbito não quis deixar de aludir para a importância da participação da comunidade nas questões da solidariedade, elogiando o trabalho dos voluntários e acrescentando: “Todos podem ser actores” e actores numa peça que é a vida e em que se “partilha a convivência, o sofrimento, a alegria, as derrotas e as conquistas”. Difundindo a mensagem de esperança “para poder responder cada vez melhor às necessidades dos nossos filhos”.
“Orgulho em ser portuguesa e em ter instituições como temos”
A secretária de Estado Adjunta e da Reabilitação, Idália Moniz, traçou elogios à “NÓS”, considerando: “Quão rico é um país que tem na direcção das instituições a vontade de transmitir preocupações com a questão da autonomia dos serviços, falando também de abertura à sociedade”. O facto de na direcção da associação estarem pais e familiares é, no seu entender, uma mais-valia e acaba também por revelar o empenho da “NÓS”: “para que o bem-estar e a felicidade sejam uma realidade”. Manifestou nesse sentido um orgulho: ”Em ser portuguesa e em ter instituições como temos”.
Diferença – “Há 33 anos era encarada como uma fatalidade, um sinónimo de isolamento”
Idália Moniz fez também uso dos factos da história, mas desta feita para falar da evolução da reabilitação em Portugal, referindo que ao longo de 33 anos se passou por vários processos de reconhecimento e de atenção às diferenças, acrescentando: “Há 33 anos era encarada como uma fatalidade, um sinónimo de isolamento”. Fez uso inclusivamente do exemplo da proibição da utilização da língua gestual, durante o Estado Novo, para explicar os atrasos do país nestas matérias das diferenças. Mas referiu que o tempo trouxe mudanças e essas mudanças estenderam-se pelas mentalidades e também pelas instituições.
11 de Junho - assinatura do contrato de comparticipação financeira para Lar Residencial
A respeito da “Nós”, Idália Moniz considerou também benéficas as preocupações de solidariedade mas também de gestão que a associação manifesta: “Ainda bem que conseguiu de forma tão equilibrada fazer um casamento entre essas duas preocupações”.
No dia em que comemorava o 25º aniversário fez questão em falar do novo desafio da associação: ”passar das valências ocupacionais para as residenciais”, o que vai ser concretizado pela construção do Lar residencial num terreno cedido pela Câmara Municipal da Moita, cuja candidatura ao Programa Paz já foi aprovada e no dia 11 de Junho irá proceder-se à assinatura do contrato de comparticipação financeira. Declarando a sua disponibilidade permanente para a “NÓS”, revelou uma vontade: “Que rapidamente possamos estar juntos na abertura do novo equipamento”.
“Honra o Barreiro, honra o país, porque se honra a si mesma”
Em representação da Câmara Municipal do Barreiro, o vice-presidente, Joaquim Matias, falou da “NÓS”, como “uma das instituições de primeira linha do Barreiro”. E tendo em conta a importância fundamental do associativismo para o concelho do Barreiro, expressou a sua opinião a respeito da associação, tecendo largos elogios: “Honra o Barreiro, honra o país, porque se honra a si mesma”. O presidente da Câmara Municipal da Moita, João Lobo, por sua vez mostrou-se entusiasmado com a construção do Lar Residencial em terrenos da Moita: “Que surja o novo equipamento com as novas valências”.
“Tentámos criar um equipamento à imagem do que os utentes têm em casa”.
Para falar do Lar Residencial foi convidado o arquitecto responsável pelo projecto, José Manuel Marques, que fez uma breve apresentação, referindo que se tratou de um trabalho com cerca de dez anos, que foi sofrendo alterações. Enunciando: “tentámos criar um equipamento à imagem do que os utentes têm em casa”.
Se no seu início estava previsto que tivesse espaço para 12 utentes, hoje “conseguimos chegar aos 18 com a mesma área”, sublinha. As alterações do projecto passaram por adaptações aos novos decretos, no que diz respeito à necessidade de isenção de barreiras arquitectónicas e também de utilização de energias alternativas, através do uso de painéis solares.
Um terreno cedido pela Câmara Municipal da Moita em 1998 com dois lotes de terreno de cerca de cinco mil metros quadrados, localizado na região do Penteado “com características naturais e numa zona habitacional de vivendas”, foi assim que José Manuel Marques definiu a zona que vai receber a construção do lar, um sonho de longa data que presenteia o 25º aniversário da “NÓS”.
Andreia Lopes Gonçalves













