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Perspectivas

No Barreiro9º Concurso Gastronómico Ribeirinho 2007
“Vale a pena vir comer ao Barreiro”

Hoje foi a vez do restaurante “A Passagem”, em Coina, dar mostras da sua arte culinária no Concurso de Gastronomia Ribeirinha que tomou início a 11 de Junho. Nesta primeira participação do restaurante, o prato a apresentar ao júri foi “Polvo à Passagem”, uma iguaria que Irene do Carmo, a proprietária do estabelecimento e responsável pela cozinha, diz ter sido uma criação sua para o concurso.

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No Barreiro 9º Concurso Gastronómico Ribeirinho 2007 “Vale a pena vir comer ao Barreiro”

Por Jornal Rostos

A respeito do prato, os júris remeteram-se ao silêncio, guardando as opiniões para a entrega dos prémios a 28 de Junho, Dia da Cidade, mas não deixaram de falar de gastronomia e do Barreiro. Celeste Cavaleiro, da Região de Turismo da Costa Azul, fez uso do seu conhecimento em relação à restauração do concelho para referir: “Vale a pena vir comer ao Barreiro”, opinião partilhada pelo Chefe Silva que apenas encontrou um reparo na iniciativa gastronómica: “em vez de se chamar concurso devia chamar-se festival”.

“A cozinha não é estática, evolui como tudo na vida”

Celeste Cavaleiro diz conhecer o concurso desde o seu início e considera que existem sempre diferenças de um ano para o outro: “a diferença tem sido substancial, não só na qualidade dos produtos, que foi sempre boa, mas também na forma de os confeccionar e de os apresentar”. Falou nos hábitos que se vão perdendo na cozinha e que demonstram uma maior preocupação no momento de servir os alimentos que, em vez de virem no tacho para a mesa, vêm servidos em pratos ou travessas, uma constatação que tomou nota e que a leva a pegar nas palavras do Chefe Silva, quando diz: “A cozinha não é estática, evolui como tudo na vida”. Não deixa, no entanto, de apontar o que considera ser um “grande defeito dos portugueses” e que é chegar à mesa e não ter paciência para esperar, aponta 25 minutos como o tempo normal para ser confeccionado um prato e insiste:”há que dar tempo à cozinha”.

“Vi aqui pratos que tomaria Lisboa ter essa criatividade”

O Chefe Silva mostrou ter uma boa opinião quanto à arte da cozinha no Barreiro, considerando que tem tido uma boa evolução, constituído um bom exemplo de gastronomia ribeirinha: “Vi aqui pratos que tomaria Lisboa ter esta criatividade”. E é a criatividade e o profissionalismo que faz questão em sublinhar como sendo a “matéria” essencial na realização de boas iguarias.

“ Isto é um concurso de gastronomia e não de restaurantes”

Falando de critérios a ter em conta no acto de avaliar os pratos, Celeste Cavaleiro fez menção à confecção, como sendo, na sua opinião, o conceito mais importante de analisar, adiantando também que este critério está amplamente relacionado com a qualidade do produto, e que “o resto vem por acréscimo”, comenta. Também frisou que na avaliação do concurso tem de se ter em conta que os restaurantes não são todos da mesma categoria e que, por isso, a questão da apresentação se remete aos pratos e não às mesas ou à apresentação do próprio estabelecimento. “Não podemos ser injustos”, afirma e acrescenta: “ Isto é um concurso de gastronomia e não de restaurantes”.

Alguns profissionais vêm na restauração “um emprego ou um trabalho de circunstância”
Jorge Paulino, da Associação de Comércio e Serviços do Barreiro e Moita, referiu que, apesar de o pequeno comércio estar actualmente em declínio, a restauração é uma área que vai florescendo. No entanto, também apontou a falta de preparação de alguns profissionais que vêm na restauração “um emprego ou um trabalho de circunstância”. Considerando que o cuidado na formação é importante também pela existência de concorrência: “Nós normalmente procuramos ir a uma casa onde somos melhores servidos”, sublinha. Desse modo, referiu que a confecção, a apresentação e a originalidade são factores muito importantes a ter em conta em qualquer restaurante.

Os pratos que vão a concurso são depois muito solicitados

No Barreiro, Jorge Paulino diz que, apesar de não ser uma zona de turismo por natureza, e de os pratos estarem “mais vocacionado para as pessoas que moram cá”, não deixa de notar que já existem restaurantes com bons profissionais e que sabem exercer essas qualidades da prática de bem confeccionar um prato. Em relação ao concurso, diz ter especialmente uma função promocional e que têm tido o retorno, quer deste ano, quer de anos anteriores, de que os pratos que vão a concurso são depois muito solicitados.

“A divulgação do restaurante, essa é feita pelo cliente”

Irene do Carmo é conhecida como a “Irene cabeleireira”, também porque se dedica à actividade de cortar e pentear cabelos, mas o gosto pela cozinha fez com que investisse no negócio e arregaçasse as mangas na cozinha: “Todos os pratos são da minha autoria”, salienta e diz que está sempre a supervisionar o que lá se passa, por não gostar “de nada artificial”. Dos ingredientes que compunham o prato a concurso, Irene do Carmo diz que o polvo é já um “habitué” no seu restaurante, tendo à disposição cerca de seis pratos com este “peixe” que diz ter fresco todos os dias: “As vezes até vem vivo”, sublinha. Face à crise que tem afectado o comércio, Irene do Carmo diz não sentir muito a falta de clientes: “a casa está lotada normalmente”, afirma. A presença no concurso diz ter sido mais pela questão de participar e de divulgar um prato novo, até porque considera: “A divulgação do restaurante, essa é feita pelo cliente”.

“Um sinal de vitalidade e um estímulo para o negócio

Para os barreirenses o júri lança palavras de estímulo, para que frequentem os “seus” restaurantes, e os “que concorrem ou não”, sublinha Celeste Cavaleiro e acrescenta: “o melhor promotor é o que vem comer, vale mais esse do que um anúncio num jornal”. Quanto ao concurso diz ser “um sinal de vitalidade e um estímulo para o negócio” com uma concorrência saudável e leal que “ajuda a elevar a qualidade de gastronomia a todos os níveis”.

Andreia Lopes Gonçalves

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