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Perspectivas

Hospital do Barreiro - Debate sobre o Futuro“Formas construtivas de pressão poderão servir de argumento”

. “Não podemos tolerar a ausência de respostas”

O facto de o hospital estar há dezoito meses em gestão corrente, desde que em Janeiro de 2006 viu alterado o seu estatuto para Entidade Pública Empresarial, é uma questão que levanta preocupações, uma situação indefinida “com implicações a nível da saúde, não só no Barreiro mas nas zonas envolventes”, considera o deputado municipal Jorge Espírito Santo.

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Hospital do Barreiro - Debate sobre o Futuro “Formas construtivas de pressão poderão servir de argumento”

Por Jornal Rostos

Ontem realizou-se um debate na Cooperativa Cultural Popular Barreirense (CCPB) sobre o futuro do Hospital Nossa Senhora do Rosário. O facto de o hospital estar há dezoito meses em gestão corrente, desde que em Janeiro de 2006 viu alterado o seu estatuto para Entidade Pública Empresarial, é uma questão que levanta preocupações, uma situação indefinida “com implicações a nível da saúde, não só no Barreiro mas nas zonas envolventes”, considera o deputado Jorge Espírito Santo. E na ausência de respostas da parte da tutela do hospital, a Comissão Permanente de Acção Educativa, Cultural e Social da Assembleia Municipal do Barreiro organizou um debate para informar a população e apelar à sua mobilização no sentido de mostrar o seu desagrado quanto a esta questão. Numa altura em que a criação do Centro Hospitalar Barreiro/Montijo parece ser uma realidade certa e em que se torna premente garantir a manutenção das valências no Barreiro, foi levantada a ideia da constituição de um grupo de reflexão que possa pensar num plano de acção para o hospital.

“O Hospital do Barreiro ou ganha vida própria ou vai ser esmagado pelos dois pólos (Almada e Setúbal) ”

Com a criação de um Centro Hospitalar Barreiro/Montijo, previsto num protocolo assinado entre o ministério e o município do Montijo em Fevereiro passado, e que já foi anunciada pelo Ministério da Saúde, o debate veio levantar a questão de que em gestão corrente, o Hospital Nossa Senhora do Rosário corre o risco de se fragilizar, não tendo capacidade de tomar decisões estratégicas ou discutir o próprio desenvolvimento da sua instituição. “O Hospital do Barreiro ou ganha vida própria ou vai ser esmagado pelos dois pólos (Almada e Setúbal) ”, comenta Leonel Rodrigues.

Garcia de Orta propôs encerramento às 24 horas de algumas urgências do Hospital do Barreiro

No debate foi também dada a conhecer a recente informação de que o Hospital Garcia de Orta, em Almada, propôs à Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo o encerramento às 24 horas das urgências de Ginecologia/Obstetrícia, Pediatria e Ortopedia no Hospital do Barreiro, assim como a sua transferência para o Hospital de Almada. Uma situação que Jorge Espírito Santo encara como sendo um “risco real”, ressalvando que a Administração Regional de Saúde não pronunciou ainda a sua decisão. Referiu que como o Hospital Garcia de Orta não tem no momento condições, nomeadamente em termos de recursos humanos, para manter uma urgência polivalente, em vez de “propor colaboração ou partilha de urgências” propôs o fecho das valências no Barreiro, local onde acrescenta: “serem garantidos os mínimos técnicos nessas urgências”. Perante esse pedido, o deputado questiona:”Teremos capacidade de influenciar essa decisão com 18 meses de gestão corrente?”. Uma questão que o preocupa, nomeadamente quando a decisão da Tutela aponta a passagem do Barreiro a urgência médico-cirúrgica.

“Não podemos tolerar a ausência de respostas”

Com a saída do presidente do Conselho de Administração do Hospital do Barreiro, e daí a sua justificação para não comparecer no debate, e na ausência da nomeação de um Conselho de Administração, o deputado Jorge Espírito Santo fala de uma “cultura de silêncio” que se tem prolongado, na falta de respostas da parte do próprio Conselho de Administração do Hospital, ao que acrescenta: “não temos informação, ninguém nos deu e devia ter dado”. E essa ausência de informação persiste numa altura em que considera: “estarmos em risco de perder aquilo que é a caracterização original do Hospital Nossa Senhora do Rosário”, e quando, no seu entender, “temos capacidade de criar um pólo de excelência que inclua serviços de diferenciação tecnológica e técnica e que inclua ensino e investigação”. Valências que acredita serem muito importantes para atrair recursos humanos. Sustentando “Se não conseguirmos agora, não vamos conseguir”.
Considerando que o impasse e a indefinição que se tem criado no hospital poderá ter consequências inclusivamente para o desenvolvimento do concelho, ao que acrescenta: “Não podemos tolerar a ausência de respostas”.

Câmara defende a constituição de uma Comissão Municipal para a Saúde
Em representação da Câmara Municipal do Barreiro, a vereadora Regina Janeiro, apesar de reconhecer que “a câmara não tem efectivamente ainda as competências na área da saúde”, refere que não deixa de intervir, fundamentalmente na área da prevenção. A respeito da questão que suscitou todo o debate, referiu que a partir do momento em que tiveram conhecimento de que a Direcção do Hospital tinha competências apenas para fazer gestão corrente, foi pedida uma audiência com o ministro da Saúde e que nessa circunstância lhes foi comunicado que a situação seria resolvida em breve, para além de lhes ter sido “colocado na mesa o Centro Hospitalar Barreiro/Montijo”. Como a situação ainda carece de solução, informa que a câmara vai pedir uma nova audiência ao ministro. Sublinhando: ”Defendemos que tudo o exista no hospital seja o mais rentabilizado possível” e adiantou que a câmara defende a constituição de uma Comissão Municipal para a Saúde, um grupo de reflexão constituído por elementos de diversos organismos, incluindo utentes.
“O problema fundamental são as valências e as estratégias”,
O presidente da Câmara do Barreiro, Carlos Humberto, mostrou-se igualmente incomodado pela ausência de respostas, reforçando a posição deixada pela vereadora, a respeito da constituição de um grupo de reflexão que, no seu entender: “envolva as pessoas mais próximas do problema” de modo: “ a articular posições e gerir soluções”. Expressou ainda, a este respeito, a vontade de que a comissão estivesse organizada ainda em 2007 “e que fizesse pelo menos uma reunião” neste ano. Em relação ao Centro Hospitalar Barreiro/Montijo, considera que, mais importante do que saber se será um hospital isolado ou com dois agrupamentos, “o problema fundamental são as valências e as estratégias”, ao que sublinha: ”das que querem retirar e que nós não queremos e das que se podem reforçar”.
“Diferenciação no ramo oncológico e potencializar o que os outros hospitais não têm”
Para falar da necessidade de haver um planeamento da parte da gestão de um hospital, na definição de valências e estratégias a seguir, esteve presente Leonel Rodrigues que começou por sublinhar que, nestas questões, o factor mais importante é o tempo: “Nunca se tem uma segunda oportunidade para se causar boa impressão”, comentou. Considerando fundamental que no futuro Centro Hospitalar Barreiro/Montijo se tenha em conta a não sobreposição de valências, assim como os 26 km que separam as duas cidades. Aludiu ainda para a necessidade de os hospitais se diferenciarem, ao que considerou: “Se o Hospital do Barreiro não se conseguir diferenciar irá competir com o Outão e o Garcia de Orta”. E nessa diferenciação fala de duas lógicas essenciais: “fazer melhor e fazer diferente” na procura de “nichos de mercado”. A respeito do Hospital do Barreiro, e dando o seu parecer técnico, aconselha a “diferenciação no ramo oncológico e tentar potencializar o que os outros hospitais não têm”. Advoga que essas decisões levam tempo a ser equacionadas, considerando: “no mínimo seis meses”. Para além dos pareceres técnicos, Leonel Rodrigues revelou a sua disponibilidade para integrar “qualquer grupo de reflexão não político” que pretenda analisar o plano hospitalar distrital.
Reconfiguração dos centros de saúde – “vão ser dados mais poderes às pessoas que estão no terreno”
O director do Centro de Saúde do Barreiro, Francisco Gouveia, pronunciou-se a respeito da constituição do Centro Hospitalar Barreiro/Montijo, considerando: “pessoalmente acho que não é uma ameaça mas um desafio”. E aproveitou a posse da palavra para falar da reconfiguração que está a decorrer nos cuidados primários de saúde através da criação de unidades de saúde familiar (USF), o que pressupõe o surgimento de quatro agrupamentos de centros de saúde, sendo eles: Almada, Setúbal, Seixal e Barreiro. Considerando ser esta “uma direcção que muitos consideram positiva”, reconhece que “ainda é tempo de perceber se esse será o melhor caminho”. Revelando que: “Para a nossa zona será constituindo um agrupamento de centros de saúde”, que vão agrupar as áreas da Moita, Barreiro, Montijo e Alcochete, em substituição das “actuais sub-regiões”, esclarece. Um aumento de competências e uma nova forma de gestão “mais horizontal”, é assim que Francisco Gouveia caracteriza esta reforma, entendendo que “vão ser dados mais poderes às pessoas que estão no terreno”. Concluiu, referindo que o Centro Hospitalar Barreiro/Montijo terá “a mesma área de intervenção deste agrupamento de centros de saúde”.
Centro Hospitalar Barreiro/Montijo – “que não sirva como arma de arremesso político”
Na conferência de imprensa que se seguiu ao debate, o deputado Jorge Espírito Santo expressou o desejo de que o Centro Hospitalar Barreiro/Montijo sirva a população e que “não seja desvirtuado por interesses locais ou nacionais”, sublinhando: “que não sirva como arma de arremesso político”. E apela ainda ao envolvimento da população nesta questão, através de uma “reacção saudável”, de modo a mostrar o seu desagrado pelo que considera ser a “desqualificação do serviço de saúde”.

Grupo de Reflexão – “Encontro valeu por esse caminho aberto”

A respeito do contexto em que surgiu o protocolo que pressupôs a constituição do novo Centro Hospitalar, o deputado Humberto Candeias considera que resultou mais de uma reacção à mobilização da população do Montijo, perante o risco de perder o serviço de urgência, do que de uma “discriminação pensada” em relação ao concelho do Barreiro. Humberto Candeias quis ainda congratular a ideia que surgiu no debate, da constituição de um grupo de reflexão, comentando: “O encontro valeu por esse caminho aberto”. Um caminho onde “formas construtivas de pressão poderão servir de argumento”, rematou.

Andreia Lopes Gonçalves

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