Em debate no BarreiroMobilidade Sustentável em Centros Urbanos
“O Barreiro conseguiu inverter definitivamente uma abordagem incipiente e inconsequente que vinha a fazer às questões ambientais ao longo dos últimos 30 anos”, referiu o vereador Bruno Vitorino, salientando, que existe ainda “um largo caminho pela frente”.
Nuno Banza, Administrador-Delegado da Agência Local de Energia do Barreiro/Moita - S. Energia, reconhece que “a nível local há muito poucas iniciativas que, de forma concertada, sustentável e consequente, permitam começar a implementar uma estratégia de gestão de energia, uma estratégia de energética que vise um objectivo ambientalmente mais correcto”.

Por Jornal Rostos
A Biblioteca Municipal do Barreiro recebeu, ontem, dia 27 de Junho, a Assembleia-Geral da APVE (Associação Portuguesa do Veículo Eléctrico) à qual se seguiu uma conferência de imprensa onde foram abordadas as actividades desenvolvidas pela APVE e as linhas de acção para o corrente ano assim como a contribuição que os veículos eléctricos podem dar para a construção de sinergias no âmbito da mobilidade sustentável em centros urbanos. Foi igualmente anunciada a organização de Jornada conjunta entre a Câmara Municipal do Barreiro e Associação Portuguesa do Veículo Eléctrico.
O Barreiro conseguiu inverter a abordagem às questões ambientais
Bruno Vitorino, vereador do ambiente, em representação da Câmara Municipal do Barreiro reafirmou a disponibilidade para estabelecer parcerias estratégicas com todo o tipo de entidade que ajudem a definir uma orientação estratégica para a área do ambiente no município do Barreiro, afirmando que “as matérias do ambiente em geral e da sustentabilidade local em particular devem merecer a maior atenção”. “O Barreiro conseguiu inverter definitivamente uma abordagem incipiente e inconsequente que vinha a fazer às questões ambientais ao longo dos últimos 30 anos”, referiu o vereador, salientando, no entanto, que existe ainda “um largo caminho pela frente”.
Plano Municipal de Ambiente um instrumento territorial
De modo a “construir hoje um melhor Barreiro amanhã”, Bruno Vitorino considera que ter que existir um plano transversal que inclua não só a autarquia mas “os agentes locais, os agentes económicos, toda a chamada sociedade civil”, plano esse que passa por “pensar a nível global mas agir a nível local”. Segundo o autarca é isso que o município tem tentado fazer através do Plano Municipal de Ambiente que se assume como “um instrumento efectivo territorial e de gestão ambiental que irá projectar a cidade nos seus objectivos essenciais do ambiente e ornamento do território” propiciando “uma cidade moderna com qualidade de vida e em que a mobilidade é também um factor preponderante”; através do Plano Estratégico para a Mata Nacional da Machada e para o Sapal do Rio Coina que visa garantir não só a preservação do ponto de vista ambiental e paisagístico mas que permita também o pleno usufruto do espaço; e através da criação da Agência Local de Energia.
“Há tudo para fazer na área das energias”
“Há tudo para fazer na área das energias”, assumiu o vereador do Ambiente que abonou que “a partir de Setembro teremos já no terreno coisas concretas para iniciar o nosso trabalho”. Bruno Vitorino reforçou uma vez mais o interesse num trabalho conjunto com APVE, sendo que “pode vir a ter resultados já a curto prazo através colaboração e das iniciativas previstas para a semana europeia da modalidade”.
Um passo em frente na estratégia para o Barreiro e para a Moita
Nuno Banza, Administrador-Delegado da Agência Local de Energia do Barreiro/Moita considera que iniciativas como esta são “um passo em frente na estratégia que prevê para o Barreiro e para a Moita um melhor desempenho ambiental”. E se por um lado é patente que “o contexto internacional há muito que justifica esta tomada de medidas que permitam inverter o paradigma energético que a sociedade moderna criou”, por outro lado, o representante da S. Energia reconhece que “a nível local há muito poucas iniciativas que, de forma concertada, sustentável e consequente, permitam começar a implementar uma estratégia de gestão de energia, uma estratégia de energética que vise um objectivo ambientalmente mais correcto”.
Encontrar soluções de mobilidade integradas e alternativas
Nuno Banza relembra o estudo do inglês Nicholas Stern que, apesar de não prever com completa certeza as consequências das alterações climáticas, “aponta para alterações significativas na superfície da terra, perda de muitas vidas e globalmente um custo 5 a 20 vezes superior àquele que seria preciso para intervir nestas questões”. Revelou ainda que as medições da qualidade do ar, referentes aos dois concelhos, reflectem uma utilização muito intensa do transporte individual e que se está a espelhar na qualidade do ar das duas cidades. Segundo o engenheiro do ambiente, “todas estas questões empurram-nos para uma necessidade de encontrar soluções de mobilidade integradas e alternativas” pelo que assume que a responsabilidade é grande. A S. energia irá, neste sentido, “consolidar num futuro próximo uma estratégia do ponto de vista ambiental muito mais positiva e muito mais segura para os dois concelhos”.
S. Energia vai funcionar no Barreiro
De relembrar é que A S. Energia, que vai funcionar no Barreiro, é constituída pelas Câmaras Municipais do Barreiro e Moita, Sistema Integrado Multimunicipal de Águas Residuais da Península de Setúbal (SIMARSUL), Fadesa Portugal, AMARSUL, Transportes Sul do Tejo, PLURICOOP, ADENE, QUIMIPARQUE, Instituto Politécnico de Setúbal e COMIMBA e que pretende, entre outras questões, actuar ao nível da gestão da procura de energia, da eficiência energética e da melhoria do aproveitamento dos recursos endógenos.
Nunca nos podemos dissociar das novas tecnologias
Robert Stussi, Presidente da Associação Portuguesa (e Europeia) do Veículo Eléctrico, também consultor, investigador e especialista em transportes e mobilidade urbana com projectos na Europa, nomeadamente em Portugal, em África, na América Latina e no Canadá adiantou o conjunto de linhas de acção para o corrente ano assim como explicou a contribuição que os veículos eléctricos podem dar para a construção de sinergias no âmbito da mobilidade sustentável em centros urbanos. O presidente da APVE apelou à mudança de hábitos da população, afirmando a APVE como uma “peça tecnológica” que, em conjunto com outras entidades, poderá contribuir para uma melhor utilização destas novas tecnologias. “Nunca nos podemos dissociar das novas tecnologias mas podemos melhorar”, concluiu.
Política de transportes e mobilidade sustentável
A Associação Portuguesa do Veículo Eléctrico (APVE) é uma associação sem fins lucrativos, de âmbito nacional, criada em 1999, que tem como missão a promoção de uma ampla utilização de veículos com propulsão eléctrica, (a Bateria, Híbrido e a Pilha de Combustível) integrada numa política de transportes e mobilidade sustentável.
Para a prossecução do seu objecto social a APVE tem como objectivo estratégico desenvolver actividades nos domínios da divulgação, informação, técnica e demonstração e regulamentação e normalização de veículos eléctricos.
Ângela Tavares Belo













