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Perspectivas

Encontro/Debate de cidadãos – Barreiro“A Indústria no Barreiro: o passado, o presente e o futuro”

O Movimento Património Memória e Futuro pretende a criação de um Centro Histórico Operário Industrial assente em várias valências: bairro operário, porto fluvial, ramal ferroviário, Museu-Casa Alfredo da Silva, núcleo museológico de assistência e núcleo museológico industrial.
O Centro histórico operário Industrial seria “um museu da época recente do capitalismo social e da luta pela transformação desta nossa sociedade”.

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Encontro/Debate de cidadãos – Barreiro “A Indústria no Barreiro: o passado, o presente e o futuro”

Por Jornal Rostos

O Movimento Barreiro Património – Memória e Futuro promoveu, na passada sexta-feira, dia 29 de Junho, na Junta de freguesia do Barreiro, um encontro/debate de cidadãos. “A Indústria no Barreiro: o Passado, o Presente e o Futuro”, foi o tema abordado neste evento, no qual foram apresentadas diversas propostas que, à semelhança do ano anterior, serão entregues a diferentes entidades do Barreiro

Propostas que promovam o progresso sustentado e harmonioso da cidade

No ano anterior, algumas das propostas sugeridas no Encontro sobre os comboios no Barreiro, foram entregues e discutidas com entidades como a Junta de Freguesia do Barreiro, a Câmara Municipal do Barreiro, a CP e a Ferbritas/Refer.
Com o mesmo objectivo, no Encontro “A Indústria no Barreiro: o Passado, o Presente e o Futuro”, foram debatidas questões da actualidade e do futuro ligadas ao património e à economia, esperando o Movimento Património Memória e Futuro, contribuir para a definição dos paradigmas de desenvolvimento do Barreiro no século XXI, formular sugestões/propostas que promovam o progresso sustentado e harmonioso da cidade e analisar o papel histórico e as perspectivas futuras da indústria.

Identidade própria baseada numa grande diversidade cultural

Raul Malacão, presidente da Junta de Freguesia do Barreiro, salientou a importância da reflexão e do debate de temas que, como estes, são comuns a toda a população barreirense e, relembrando o tempo em que o Barreiro recebia gente de todas as regiões do país em busca de trabalho, o presidente da Junta de Freguesia do Barreiro realçou esta “identidade própria baseada numa grande diversidade cultural que deu corpo às formas de vida associativa, democrática ainda hoje presentes no Barreiro”.

Futuro passa necessariamente pelo conhecimento do que fomos

José Encarnação, ferroviário e membro do Movimento Património Memória e Futuro explicou que este movimento, que nasceu há pouco mais de um ano, começou com conversas de amigos numa “espécie de tertúlia”. Rapidamente, decidiram “passar à prática” tendo sido criado um movimento cujo objectivo, não esquecendo o presente e o futuro, era a promoção da “defesa do património”. Equiparando, José Encarnação afirmou ser como “o caminhar nas auto-estradas do futuro sem esquecer, no entanto, o que vai ficando para trás”.
O ferroviário destacou as propostas feitas no âmbito do encontro sobre os comboios mas recorda que “ainda há muito para fazer, sendo cada vez mais necessário o empenho dos cidadãos na defesa do seu património como forma de preservação da memória de um povo.” Assim, o objectivo deste encontro foi “a discussão em torno da indústria no Barreiro, o seu passado, o seu presente e o seu futuro”, pois “a construção do futuro passa necessariamente pelo conhecimento do que fomos e do que somos”.

História do Barreiro se confunde e interpenetra com a história da industrialização

Ercília Talhadas, convidada a falar sobre o passado industrial do Barreiro brindou os presentes com o que apelidou de “contributos sobre a memória do Barreiro, como património de modernidade e progresso do futuro”. Nestes contributos, a ex-operária têxtil da CUF, recuou no tempo, entre memórias pessoais e colectivas, retratando os tempos que outrora se viveram no Barreiro. “É inegável que a história do Barreiro se confunde e interpenetra com a história da industrialização e com a história da CUF”, afirmou, asseverando ainda que “honrar a memória é sempre um investimento no património do futuro”. A Jurista e também ex-deputada assegurou que: “Se não tivesse sido aquela jovem operária da CUF, hoje não seria esta mulher que sou e certamente que o meu olhar sobre a vida seria outro”. Tecendo ainda alguns comentários sobre o futuro, Ercília Talhadas exaltou a importância da valorização do trabalho como um “factor de influência decisiva no modelo de desenvolvimento do país” assim como uma aposta não só qualidade do emprego mas também no progresso das empresas. Concluiu o seu testemunho citando com “optimismo” a expressão de Simone Beauvoir: “o presente não é um passado em potência, mas sim o momento de acção”.

“Valorização dos traços de identidade social, cultural e histórica”

Armando Teixeira, membro deste movimento de cidadãos, debruçou-se no presente e no futuro da Indústria no Barreiro, salientando a importância da “valorização dos traços de identidade social, cultural e histórica” que marcam os barreirenses e que passam inevitavelmente por um forte passado industrial. Segundo o engenheiro, a grande questão neste debate sobre o futuro da Indústria do Barreiro, prende-se com área de quase 300 hectares sob jurisdição da Quimiparque – Parques empresariais e o que fazer com ela. As sugestões que apresentam assentam em três linhas de força fundamentais, “o desenvolvimento sustentado, a integração da cidade e a preservação do património e da memória” e abrangem várias alíneas: a industria tradicional, o pólo de investigação e desenvolvimento, as empresas de tratamento de resíduos, a terceira travessia do Tejo, a actividade empresarial de comércio e serviços, os muros da Quimiparque, o desenvolvimento urbano e as acessibilidades e o centro histórico operário industrial.
No que diz respeito à indústria tradicional, o movimento considera “imprescindível que continue a existir e a morar no Barreiro com vista à economia da região, ao desenvolvimento da cidade, à criação de mais postos de trabalho e à contribuição para a produção nacional”, sendo para isso “necessários e exigíveis novos investimentos”.

Interdito o acesso ao rio porque as fabricas foram cerradas entre muros

Um pólo de investigação e desenvolvimento que promovesse novos projectos designadamente na área do ambiente seria um “passo importante rumo ao futuro com as indústrias no Barreiro diminuindo os impactos ambientais e potenciando novas tecnologias. As empresas de tratamento de resíduos são igualmente uma preocupação para o Movimento Património Memória e Futuro.
O quarto ponto, referente à Terceira travessia do Tejo e àquilo que o movimento denomina “a devolução do rio à cidade” prende-se com a construção da nova ponte Chelas – Barreiro e da área ribeirinha que a delimita. “Há mais de 100 anos que nesta zona está interdito o acesso ao rio porque as fabricas foram cerradas entre muros”, constatou Armando Teixeira pelo que sugere: “Era uma boa oportunidade para que tudo isto fosse reconvertido, nomeadamente com um parque verde com valências de cultura e de lazer, com passeio pedonal, ciclovia e pavilhão multi-usos”.
A actividade empresarial de comércio e serviços representa uma dinâmica assinalável no contexto da Quimiparque uma vez que abrange cerca de 200 empresas. Esta actividade é, segundo o movimento de cidadãos, “claramente vantajosa no bairro operário” permitindo manter e dar-lhe vida, podendo ainda “conceber-se outros projectos com maior envergadura”.
“Que se derrubem os muros, potencie o desenvolvimento urbano e refaçam as acessibilidades”, afirmou Armando Teixeira. O penúltimo ponto ambiciona, desta forma, o fim dos muros de separação, compreendendo todo um ordenamento do terreno da Quimiparque tendo em vista, de uma forma integrada, a conversão de habitação e a criação de novas acessibilidades.

Criação de um Centro Histórico Operário Industrial

Por fim, o Movimento Património Memória e Futuro pretende a criação de um Centro Histórico Operário Industrial assente em várias valências: bairro operário, porto fluvial, ramal ferroviário, Museu-Casa Alfredo da Silva, núcleo museológico de assistência e núcleo museológico industrial. O Centro histórico operário Industrial seria “um museu da época recente do capitalismo social e da luta pela transformação desta nossa sociedade”, concluiu
Seguiu-se o debate no qual os presentes tiveram oportunidade de participar, dando as suas opiniões e ideias sobre o tema. “A Indústria no Barreiro: o Passado, o Presente e o Futuro”, foi o assunto abordado neste encontro, no qual foram apresentadas diversas propostas que, à semelhança do ano anterior, serão entregues a diferentes entidades do cidade na expectativa de contribuir para a definição dos padrões de desenvolvimento do Barreiro no século XXI, que potenciem o progresso sustentado e harmonioso do concelho bem como analisem o papel histórico e as perspectivas futuras da indústria.

Ângela Tavares Belo

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