Nas Festas do Barreiro - Noite de Metal“Tocar no Barreiro é como estar a jogar em casa”
Apesar de populares, as Festas do Barreiro têm uma programação musical muito diversificada que assenta na possibilidade de chegar e agradar a públicos diferentes. No passado Sábado à noite as Festas receberam, nos seus palcos, bandas de Metal que têm raízes no Barreiro.

Por Jornal Rostos
Léo, o vocalista dos Mindfeeder, considerou: “Acho que este dia de Metal é muito importante, tal como é o dia para os outros estilos musicais, porque cada estilo tem de ter o seu espaço e é muito importante que o Barreiro proporcione essa oportunidade às bandas”.
“Tocar no Barreiro é como estar a jogar em casa”
No Palco das Marés actuaram os Mind Over Flow e os My Enchantment e a partir das 24h00 o palco na Área da Juventude recebeu a banda GOD e os Mindfeeder. Em noite de “sonoridades mais pesadas”, a adesão foi grande para ouvir bandas com elementos que começaram a dar os seus primeiros passos na música no Barreiro. Como foi o caso dos My Enchantment, o sexteto que conta agora com sete anos de existência, com um álbum lançado intitulado SINpHonic e que alcançaram o primeiro lugar no Concurso de Bandas de Garagem de Setúbal em 2005. O guitarrista João Pepe, após o concerto comentou: “Tocar no Barreiro é como estar a jogar em casa”. E nesse “jogo em casa” acrescentou: “Todos os anos tem havido um espaço dedicado às bandas do Barreiro, que são muitas, e nesse sentido acho que nunca deverá deixar de haver este tipo de iniciativas da Câmara Municipal do Barreiro”. E quanto ao público, considerou: “estava muito composto, gostámos muito da adesão e agradecemos ao público do Barreiro”.
“O público do Barreiro é ‘uma grande onda’, tenta apanhar as letras e canta”
Os Mind Over Flow foram a banda de abertura da noite, um projecto que conta com um ano de existência e que ao que conta Irina, a vocalista da banda, este foi um ano de grandes transformações, na medida em que conseguiram alcançar a sonoridade que pretendiam, passando de um projecto instrumental para uma banda de metal alternativo onde o aspecto melódico se revela. O facto de terem tocado no palco principal da festa é um aspecto que Irina não deixa de realçar: “foi uma experiência diferente, sobretudo por podermos tocar num grande palco, com grandes condições”, ao que acrescenta: “tivemos muita sorte por sermos convidados para esta festa”. E quanto ao público, é assim que o descreve: “é sempre cinco estrelas”, comentando: “o público do Barreiro é ‘uma grande onda’, tenta apanhar as letras e canta, neste caso também fizemos uma cover dos Eurythmics e toda a gente cantou.”
“Tivemos aqui amigos que vieram de Lisboa e de outras cidades”
No palco da área da Juventude, a noite de Metal prosseguiu, desta feita pela presença da banda GOD, formada em 1993 na Roménia e actualmente composta por elementos romenos e barreirenses, que pela primeira vez tocou nas Festas do Barreiro. O vocalista Costel Lapusneanu, mais conhecido por Castor, considerando ser importante tocar no Barreiro, realçou o valor que tem a realização de uma noite dedicada ao Metal: “até para o pessoal que gosta deste estilo de música, tivemos aqui amigos que vieram de Lisboa e de outras cidades”. E é também nesse sentido que sublinha: “em termos de público, acho que foi bom, perfeito, pediram mais uma música e fomos tocar mais uma vez”. Uma banda que traz para palco influências do folk romeno e onde as componentes cénicas, com a presença de martelos e espadas, cotas de malha e pinturas faciais, reforçam a sua originalidade, razões para que Castor considere: “Em Portugal não há nenhuma banda que toque este estilo”. Um estilo que recria o tempo dos guerreiros de há 2000 anos atrás, ao que comenta: “Tentamos fazer uma coisa que gostamos e que sentimos, misturando mitologias romenas e portuguesas e é por isso que tocamos em romeno, inglês e português.”
“Acho que o ideal seria ter reunido as bandas no mesmo espaço e com as mesmas condições”
A fechar a noite estiveram os Mindfeeder, uma banda, cuja música é definida por Léo, o vocalista, como sendo: “Melódica, poderosa e de entretenimento”. Um projecto que nasceu em finais de 2002 com o nome Inertia, mudando em 2003 para Mindfeeder e onde a sonoridade se baseia no Heavy e Power Metal. Nas palavras do seu vocalista, o facto de tocarem no Barreiro tem um gosto especial: “Como o Barreiro é a nossa terra, é sempre importante tocar cá”, no entanto, mesmo considerando importante a realização de noites dedicadas a diferentes estilos musicais, não quis deixar de frisar: “acho que o ideal seria ter reunido as bandas no mesmo espaço e com as mesmas condições”. E, ainda no “quente” do concerto, referiu: “Mas acho que demos o nosso melhor, como fazemos sempre e o público acho que gostou”.
Numa noite de Agosto em que o frio se precipitou, também ajudado pelo local muito propício aos ventos mais frescos, junto à praia de Alburrica, o público presente insistia em não arredar pé e deixava que as sonoridades tomassem conta dos seus corpos, clamando por mais músicas, mas já era certo que às 3h da manhã a música tinha de terminar e assim teve de ser mas até lá os sons do Metal fizeram-se ouvir na cidade do Barreiro.
Andreia Lopes Gonçalves













