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Perspectivas

Artesanato nas Festas do BarreiroArtesãos consideram que a mostra está melhor em termos de localização

Mais de 20 artesãos estão presentes na mostra de artesanato das Festas do Barreiro. Oriundos do Barreiro, reúnem-se num espaço que é uma oportunidade para revelarem os seus talentos, mostrarem os seus trabalhos e para ficarem na memória de quem passa. Bijutaria, pinturas a óleo ou aguarela e artigos feitos de fósforos ou maquetes que retratam em ponto pequeno casas antigas, é um pouco daquilo que se pode ver ao percorrer os stands

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Artesanato nas Festas do Barreiro Artesãos consideram que a mostra está melhor em termos de localização

Por Jornal Rostos

Todos estão presentes pelo amor que têm ao artesanato, o gosto que alguns apelidam de terapia e aconselham a seguir. E mesmo reconhecendo que as vendas não estão muito fortes, consideram que o facto de a mostra de artesanato ter mudado de lugar, acabou por lhes dar maior visibilidade.

As pessoas “gostam do que vêem, levam um cartão e depois das festas, contactam”

Perpétua Monte de 68 anos dedica-se à arte da pintura a óleo em tela e em porcelana. Filha de oleiro diz que desde criança se entretinha com as “lides artísticas”: “fazia bonecada de barro e pintura” e, nessa altura, eram já os amigos do pai que comentavam: “Aqui está uma futura escultora”, caminho que diz ter pena de não ter seguido. Mas porque o fado assim o quis, não abandonou os trilhos da arte e começou por tirar um curso de pintura sobre tecido em 1978. Hoje diz que o seu “trabalho favorito é pintar a tinta a óleo”. Quanto às festas, comenta: “dá-me muito estímulo pelos elogios que me endereçam”. Já presença habitual nas Festas do Barreiro, diz que as pessoas “gostam do que vêem, levam um cartão e depois das festas, contactam”.

“É construtiva, não apenas pelo valor que se ganha, mas pelo contacto com as pessoas”.

Elsa Carvalho tem 32 anos, é administradora na Santa Casa da Misericórdia do Barreiro, e há três anos começou a dedicar-se com mais afinco à arte da bijutaria, o que diz ter começado quase em jeito de brincadeira, por ter uma roupa para a qual não encontrava um colar “comecei a fazer para mim e depois para as amigas e não parei”, comenta. É a primeira vez que está presente numa mostra de artesanato, ao que comenta: “É construtiva, não apenas pelo valor que se ganha, mas pelo contacto com as pessoas”.

“É gratificante quando apreciam o nosso trabalho”

Dora Fernandes tem 35 anos e começou a dedicar-se à bijutaria há uns cinco anos atrás, perante a possibilidade de abrir uma loja na Avenida de Roma. Hoje tem uma loja virtual onde vende os seus trabalhos. E a paixão pela bijutaria diz ter surgido pelo seu gosto pela cor, como uma forma de “expandir a alegria”, considerando que, através da cor: “temos uma maior predisposição para estarmos alegres”, uma paixão que está muito próxima do seu gosto pelo exoterismo “que esteve sempre ligado à minha vida” e a cromoterapia é, por assim dizer, uma influência no seu trabalho. Quanto à presença nas festas diz que tem notado que “as pessoas a descobrem”, o que considera: “é gratificante quando apreciam o nosso trabalho”.

“Este ano está melhor em termos de localização”

Sílvia Alberto Neves, de 37 anos, trouxe os seus quadros para a Festa. No seu stand encontram-se pinturas feitas com diversos materiais, desde a aguarela, o óleo, o acetinado ou a tinta em três dimensões. Uma arte que diz dedicar-se nos tempos livres. E quando recorda o início desta sua paixão, que diz ter começado mais “a sério” há dois anos atrás, reconhece que foi por influência das duas filhas de sete e oito anos, quando elas lhe pediam para que fizesse desenhos e a vontade despontou sem que desse por isso.
Na segunda vez que participa nas Festas do Barreiro, considera que a mostra está melhor em termos de localização: “Assim, quem vem à festa, vê-nos logo”, e apesar de reconhecer que “as pessoas vêem, gostam mas em termos de compras está um pouco fraco”, sublinha que a sua presença é mais no sentido de divulgação do trabalho.
No stand “Ana´s Artesanato”, Ana Lourenço expõe artigos pintados, utilizando diversos materiais, como a madeira, a chacota (o chamado barro branco) e quadros que diz serem feitos de “ceras quentes passadas a ferro”. O gosto pelo artesanato diz vir já desde pequena, o que a motivou a tirar alguns cursos na área. E, em jeito de balanço das festas, diz: “tem corrido bem, este ano está melhor em termos de localização”.
Celina Lopes trouxe para a mostra bijutaria e quadros com colagem de flores. Diz que desde pequena sempre gostou de trabalhos manuais e de artes decorativas e o seu percurso no artesanato começou pelas “roupinhas para bonecas”. Hoje diz fazer mais quadros e arranjos florais. E quanto às festas, considera: “Penso que este ano, pelo facto de estarmos aqui mais bem localizados, passam mais pessoas para ver o nosso trabalho”.

“Aconselho as pessoas, que tenham problemas de nervos, que se liguem a estas coisas”

Maquetes que recriam com originalidade casas que tendem a desaparecer, pinturas a tinta-da-china e artigos em madeira é o que se pode ver no stand de António Gonçalves. Mas os seus trabalhos, sublinha, são só para exposição e não para venda: “são peças que me dizem muito e que me custa muito desfazer-me delas”. Na sua exposição pode ver-se, em tamanho pequeno, com todos os pormenores inimagináveis, o mundo debaixo da terra das formigas, uma casa que contém tudo o que convém a uma habitação antiga (incluindo um gira-discos) ou uma fábrica de componentes electrónicas que tem uma linha de montagem.
Diz ter começado nos bancos da escola a desenhar mas foi quando estava na empresa Sociedade Nacional de Sabões em Lisboa que começou a desenvolver outras apetências. Aos 45 anos “começou a brincar com a madeira” e depois começou a recolher material electrónico e as ideias começaram a surgir, muitas delas também inspiradas pelos livros de pintores conceituados, como de Salvador Dalí ou de Monet. Na exposição entretém-se também a contabilizar o número de pessoas que passam no seu stand. Mais de 1800 pessoas em quatro dias de festa, é o número que regista. E desta sua forte ligação à arte, comenta: “foram os melhores comprimidos que tive”, o que diz ser um escape e uma forma de evasão para as agruras que muitas vezes se acercam da vida. E lança ainda um desafio: “Aconselho as pessoas, que tenham problemas de nervos, que se liguem a estas coisas”.

15 mil fósforos para fazer a maqueta da Igreja de Nossa Senhora do Rosário

Emílio Pereira, de 59 anos faz arte utilizando fósforos e para a festa trouxe artigos baseados em temas do Barreiro, mas “só para exposição”, realça, desde os moinhos de Alburrica, a uma maquete da Igreja de Nossa Senhora do Rosário, que Emílio Pereira diz contar com 15 mil fósforos e um ano e meio de trabalho e sublinha que ainda não está terminada. Um oficio que diz ter começado por passatempo, há dois anos atrás, numa altura em que se encontrava desempregado e que a arte se revelou um bálsamo para passar os seus dias. Trabalhava em artes gráficas e talvez daí lhe venha também o “olho” para a criatividade. Quem passava, parava para perguntar e Emílio Pereira não se rogava em explicar: “ Um moinho com tudo ao pormenor, desde a casinha do moleiro, à escada em caracol”, contava a um dos jovens que se mostrava interessado. Divide o stand com os trabalhos do Borges, alfaiate, feitos à mão e com madeira que recriam peças antigas do Barreiro desde os anos 30 até aos 60, “a única forma que há de representar o Barreiro antigo”, sublinha Emílio Pereira, e que conta com diversas artigos, como a carroça de trazer a cortiça.

Um incentivo para os jovens ocuparem o seu tempo livre

Maria João Rato tem 38 anos e trouxe para a mostra artigos que utilizam técnicas de arte contemporânea. A chamada arte do “Decoupage”, que explica ser o trabalho com colagem de diversos materiais, desde reutilizáveis, como o jornal, como guardanapos ou a técnica do decalque. Baús, bases para os ratos dos computadores, camisolas e sacos de praia são alguns dos artigos que tem para venda. E no seu caminho pelas artes contemporâneas, já incentivou a sua filha Marta Sofia de 15 anos e uma colega de escola, a Nídia Afonso de 16, que no ano passado começaram a fazer trabalhos de artesanato “para ocuparem o tempo de férias”. Da presença deste ano nas festas tem um reparo a fazer: “as pessoas estão sem dinheiro”, o que considera ser resultado também de se tratar de um período de férias.

“Temos de preencher a nossa vida com alguma coisa”

Frederico Marques e a esposa Niza têm também um espaço para mostrar o seu trabalho. Frederico dedica-se à pintura de quadros, referindo que trouxe de propósito, para a festa, telas pintadas a óleo, cujos temas se inspiram no Barreiro, fundamentalmente nos moinhos de Alburrica. Diz sempre ter gostado de pintura e porque “temos de preencher a nossa vida com alguma coisa para além da televisão” e porque diz não gostar de televisão, mas mais de cinema, dedicou-se nos tempos livres à arte da pintura. Por sua vez, a sua esposa, Niza trouxe artigos que utilizam técnicas de colagem, com telas, tecidos e muita cor. O que Frederico Marques conta ter começado “em jeito de brincadeira”, quando Niza começou a fazer alguns artigos para os filhos e que depois os amigos lhe pediam para que fizesse também para eles, o que se tornou num incentivo para continuar. Da presença na festa, diz: “Tem sido muito giro e interessante, especialmente a nível de contactos”. Pois pela experiência que tem de outras feiras sabe que normalmente as vendas surgem mais depois das festas.
No stand da Teresa Dourado e da São & Zé, encontram-se artigos de bijutaria, da autoria de Teresa Dourado e roupa pintada à mão de José Lourenço e da sua esposa São Borges. José Lourenço conta que tudo começou “como uma brincadeira” há um ano e meio atrás, quando pintou uma t-shirt para a mulher, que é professora, e que ao levá-la para a escola causou logo uma boa impressão e os pedidos começaram a ser muitos.

“Temos as nossas clientes certas e vamos adquirindo novas clientes”.

Noémia Santos divide um stand com a sua amiga Ana Paula Marques. Um espaço onde dizem poder ver-se “arte aplicada em bijutaria”, através da utilização de diversos materiais, desde organzas, pedras semipreciosas, vidros ou cabedal. Mas enquanto Noémia Santos se dedica inteiramente a essa arte e diz “este gosto é meu, já nasceu comigo”, Ana Paula Marques faz dele mais um hobbie, apesar de confessar que se tornou na actividade que mais gosta de fazer, o que diz também servir de terapia.
Com um atelier em casa e referindo que a divulgação do seu trabalho é feita mais pelos amigos, através do chamado “boca a boca”, Noémia Santos considera ser positiva a presença nas festas: “temos as nossas clientes certas e vamos adquirindo novas clientes”.

“Não vinha com grandes expectativas mas a partir de agora talvez vá para outras mostras com mais expectativas”

Rosabel Nunes tem 57 anos e traz para a festa dois tipos de artigos, para venda tem a bijutaria para adulto e a mais infantil, utilizando material de modelagem. Sendo os colares com bonecas pintadas, o que diz mais se vender. Para exposição trouxe uma mostra de pintura em chacota e em azulejo, para dar a conhecer o mundo das artes decorativas, onde se pode ver os azulejos antes e depois de serem pintados e as próprias tintas utilizadas.
Na primeira vez que participa numa mostra de artesanato, comenta: “não vinha com grandes expectativas mas a partir de agora talvez vá para outras mostras com mais expectativas”.

No artesanato deste ano a bijutaria é o artigo mais exposto

Alberto Santos é estilista, faz desenhos, mas também se dedica à bijutaria e para as festas resolveu trazer esses artigos. Já com uma marca de nome “AS”, diz dedicar-se mais à bijutaria há uns quatro anos para cá, apesar de sublinhar que a grande paixão foi sempre “fazer roupas”, e nesse âmbito já realizou desfiles para a discoteca DNA. Quanto à bijutaria diz que a sua preocupação é diversificar os materiais utilizados. E das festas comenta: “não tem corrido mal”, apesar de reconhecer que as pessoas tendem mais a parar para ver, do que a comprar. Divide o espaço do stand com Sandra Passinhas que trouxe para a mostra artigos de decoração feitos à base de tecido.
Sandra Figueiredo tem 32 anos e faz artigos de bijutaria desde os tempos de faculdade. Sendo a sua preocupação fazer peças únicas. Tem sido presença em muitas feiras de artesanato, desde na Expo, até em Azeitão ou no Estoril e quanto à presença na mostra de artesanato do Barreiro considera: “É muito positivo”, não deixa é de reconhecer que este ano a bijutaria foi um artigo muito utilizado na mostra de artesanato.

Andreia Lopes Gonçalves

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