No Barreiro – Galerias do Centro Comercial FórumExposição “O Surreal e outra coisa qualquer (Retrospectiva) ” de Mel Ferreira

Por Jornal Rostos
A pintura como terapia
Eduarda Ferreira nasceu em Lisboa em 1971, tendo vindo para o Barreiro quatro anos mais tarde, quanto às lides artísticas da pintura começou como autodidacta aos 29 anos. E porque os seus trabalhos, na altura, já suscitavam alguns elogios dos amigos, esse incentivo levou-a a procurar uma formação “mais à seria”, como comenta, ingressando no curso de pintura na Sociedade Nacional de Belas Artes em 2002. O que diz ter funcionado também como terapia, pois numa altura em que esteve de baixa médica, foi a própria médica que a aconselhou a fazer uma coisa que sempre gostasse de fazer. E assim foi. Aliás, comenta que foi inclusivamente numa montra numa loja do Centro Comercial Fórum que viu as telas e os pincéis, na companhia de uma amiga que comentou: “Tu não dizias que quando fosses grande querias ser pintora?”. E dois meses depois já estava a expor na Fábrica do Gelo, “e vendi logo um quadro”, sublinha. Depois disso seguiu-se um trajecto com várias exposições e mostras por diversos pontos do país, desde no Barreiro, Lisboa, Foz do Arelho ou Algarve.
“Pintura Interactiva” onde o realismo e o movimento se conjugam
Se de início, e pela formação que teve, se dedicou a uma pintura mais clássica, ao que refere “há milhares de pintores muito melhores do que eu nessa técnica e mesmo que tivesse um rasgo de inovação, não estava a inovar”, em si revolvia-se uma vontade, de ir mais além, de inovar, de criar algo seu. Ao frequentar outras exposições via aspectos que a agradavam “mas tinham sempre fotografia” e isso achava que já era fugir à pintura. Procurava algo que focasse simultaneamente o realismo e o movimento mas onde a pintura se sustentasse a si mesma e, num momento de inspiração, assim se revelou a ideia: “e lembrei-me dos espelhos”. Ao que explica: “o que é reflectido no espelho é realismo e se o que estiver em frente do espelho se mexer, provoca movimento”.
“Se me colocar em frente a um dos espelhos pode ser um auto-retrato”
Para compor as obras que retratam o período após 2005 diz ter usado cores primárias e complementares, cartão telado e ripas de balsa com o intuito de criar “harmonias e contrastes sobre o que é reflectido”. Assim o jogo entre o azul ciano, o magenta e o amarelo primário conjugam-se com a originalidade da inclusão de espelhos. Quanto a títulos adverte que não existem e que essa foi uma decisão deliberada, ao que explica: “porque o título pode mudar, consoante a imagem que é reflectida nos espelhos”, acrescentando: “se me colocar em frente a um dos espelhos pode ser um auto-retrato”. E daí chamar a estas obras de “pintura interactiva”.
“Se pudesse, dedicava-me só à pintura”
Sempre conciliou a vertente artística com outros trabalhos, quer nos seguros, quer enquanto comercial da área da cosmética e imobiliária, ao que comenta: “No nosso país é muito difícil viver-se só da pintura”, mas logo acrescenta: “se pudesse, dedicava-me só à pintura”. Agora quanto aos preços dos quadros, diz ter “para todas as bolsas”, variando entre os 290 e 1100 euros. E em relação à receptividade do público, considera ser muito positiva, comentando: “Tenho um livro de actas onde as pessoas podem deixar mensagens e nele posso ler já muitos elogios”.
A 29 de Setembro vai estar presente na iniciativa Parques Vivos
Em relação à galeria de arte do Centro Comercial Fórum, considera ser um “grande passo” na divulgação dos artistas locais. Divulgação que é sempre importante para qualquer artista. E falando de divulgação, refere que a 29 de Setembro vai estar presente na iniciativa Parques Vivos, da Câmara Municipal do Barreiro, no Jardim dos Franceses com uma obra sua e portfólio. Para Outubro também já tem agendada uma exposição no Espaço J, no âmbito da pintura interactiva e em Dezembro volta ao espaço da Galeria do Centro Comercial Fórum, mas desta vez para um exposição colectiva.
“Portanto não há desculpa para não vir”
Agora quanto à sua exposição individual, “O Surreal e outra coisa qualquer (Retrospectiva)”, que está patente de dia 17 de Agosto a 11 de Setembro, num horário de segunda-feira a domingo, das 10h às 23h, deixa o recado: “portanto não há desculpa para não vir”. Uma exposição onde se pode ver o trajecto do seu trabalho, de um lado o surreal e, do outro, as cores e os espelhos que se conjugam e onde o movimento dos corpos se reflecte nas telas, com a assinatura de Mel (Ferreira).
Andreia Lopes Gonçalves













