Plano de Desenvolvimento do Território da Quimiparque“Estamos a tratar do desenvolvimento empresarial do Barreiro para as próximas épocas”
O presidente do Conselho de Administração da Quimiparque, José Neto, lançou o repto para que os cidadãos “contribuam para enriquecer esta visão”, aludindo para o projecto apresentado, o que considera ser, cem anos após a instalação da primeira fábrica da CUF, sinónimo de “desafio e de oportunidade”. “Estamos a tratar do desenvolvimento empresarial do Barreiro para as próximas épocas”,

Por Jornal Rostos
No passado sábado foi apresentada, no Auditório Municipal Augusto Cabrita, a estratégia de desenvolvimento urbanístico e empresarial para o território da Quimiparque que contempla três zonas que se constituem como centralidades ligadas por corredores urbanos, “uns com e outros sem circulação rodoviária”, sublinhou Augusto Mateus. E para além da requalificação do Parque Empresarial, lança como objectivo a afirmação do Barreiro enquanto centralidade da Área Metropolitana de Lisboa: “de modo a que Lisboa tenha duas margens, o que actualmente não acontece”, sublinhou. O estudo apresenta-se, nas palavras de Augusto Mateus, como “exequível”, ao que reforçou: “viável com ou sem nova ponte”, o que diz ser essencial é “conjugar as vontades dos intervenientes”.
Zona A - “Intermodalidade entre rodovia, ferrovia, metro de superfície e porto”
Para a área nascente do Parque Empresarial da Quimiparque, no Lavradio, denominada de zona A, está previsto o alargamento da plataforma fluvial e a construção de novos cais, condições que permitam a criação de uma plataforma logística onde se verifique “a aglomeração ordenada de actividades industriais e de logística pesada e especializada”, pois no entender de Augusto Mateus “a intermobilidade é o segredo para se ter logística”, por isso acrescenta ainda a vontade de que este espaço permita uma “intermodalidade entre rodovia, ferrovia, metro de superfície e porto”, este último aspecto através da cedência de um espaço ao Porto de Lisboa para “o seu desenvolvimento articulado com outros projectos ambiciosos”, potencialidade que depende ainda de um estudo da Administração do Porto de Lisboa (APL) para este local. Quanto à nova estação ferroviária, designada como um projecto estrutural para a zona A, Augusto Mateus diz não ser uma estação simples, mas antes um “pólo eficiente de mobilidade intermodal de mercadorias e de pessoas”, ao que acrescenta: “com muitos serviços e espaços”.
“Passeios maiores que os da Avenida da Liberdade” para o Barreiro
Neste âmbito de projectos estruturantes, estão também incluídas as avenidas do Barreiro, que Augusto Mateus diz não deverem ser em linha recta, mas antes em forma de serpente “com pelo menos três faixas de rodagem e com passeios maiores que os da Avenida da Liberdade, em Lisboa”, referenciou.
Zona B – oferecer um prolongamento do Terreiro do Paço
Para a zona B, que integra o espaço desde o território ocupado pelo Feira Nova e que se estende na direcção do Barreiro, o projecto contempla a ocupação de actividades mistas qualificadas baseadas no conhecimento e criatividade, ao que o arquitecto Tomás Salgado considerou: “as indústrias não compatíveis com o meio urbano devem ser retiradas deste espaço”. Para além deste aspecto, Augusto Mateus fala também “num espaço charneira de atracções de funções metropolitanas e de reestruturação de funções locais” e também na requalificação da frente de rio, referindo que para esta área pretende-se também: “moldar a centralidade e fazer frente ao Terreiro do Paço”, acrescentando: “de modo a oferecer um prolongamento de uma outra praça”, através do que diz ser a constituição de um espaço de qualificação de frente de Tejo, “valorizando a sua utilização como nó intermodal de serviços qualificados”.
Zona C – “desenho urbano cuidado”
Para a zona C a tónica é dada à reabilitação e valorização da vida urbana no Barreiro, através da reabilitação do edificado e qualificação das frentes de rio e dos espaços verdes. Para esta área, Tomás Salgado fala de “um desenho urbano cuidado”, acrescentando: “tentando copiar o que de melhor se fez no Parque das Nações”. Adianta ainda que existem algumas interrogações, que se prendem com a contaminação ribeirinha do solo, ao que defendeu a descontaminação dos solos através de um tratamento local, que no seu entender apesar de ser mais demorada parece ser a mais exequível.
Vital o estabelecimento de parcerias com APL, Parque Expo e empresas na Quimiparque
O desenvolvimento do projecto, aponta Augusto Mateus, depende da “conjugação das vontades dos diversos intervenientes”, o que passa também pela resolução de questões, como a relativa à terceira travessia sobre o Tejo, acerca da qual Augusto Mateus sustenta: “Se houver travessia rodoviária, para que o Barreiro tenha futuro não deve haver praça de portagem”; ou à localização do parque de manutenção da rede ferroviária e do comboio de alta velocidade. Considera ainda vital o estabelecimento de parcerias, nomeadamente com a APL, com a Parque Expo, assim como com as empresas assentes no Parque Empresarial.
Futuro do Barreiro – “questão do pólo de emprego” e da diferenciação de competências
Acrescentou que os “segredos” para o futuro do Barreiro assentam na “questão do pólo de emprego” e da diferenciação: “de modo a oferecer ao desenvolvimento empresarial recursos humanos qualificados de nível quatro e cinco”. Tudo para que “o Barreiro encontre o seu espaço como cidade de mobilidade mas também de qualificação de competências”, comenta.
“Não vamos propor para o Barreiro um mega projecto imobiliário”
Encomendado pela Câmara Municipal do Barreiro e pelo Conselho de Administração da Quimiparque, a cargo da Augusto Mateus Associados e da Risco S.A. Tomás Salgado, da Risco S.A, o projecto surgiu no âmbito de “Pensar de uma forma pragmática e efectiva o que pode ser o desenvolvimento de um território”, referiu Augusto Mateus. Como termo de comparação do projecto disse que se poderia pensar no Parque das Nações mas também advertiu: “não vamos propor para o Barreiro um mega projecto imobiliário”.
Projecto para “criar atractividade para trabalhar e viver no Barreiro”
O economista referiu ainda que o projecto tem de ter participação “alargada e partilhada” e que será importante que a “população perceba o que está em causa”, pois “haverá muita obra”, advertiu. Explicou ainda que se trata de um projecto para “criar atractividade para trabalhar e viver no Barreiro”, explorando a sua centralidade a sul do Tejo e contribuindo simultaneamente para a “redução dos movimentos pendulares na Área Metropolitana de Lisboa”.
Sinónimo de “desafio e de oportunidade”
E no âmbito da participação, o presidente do Conselho de Administração da Quimiparque, José Neto, lançou o repto para que os cidadãos “contribuam para enriquecer esta visão”, aludindo para o projecto apresentado, o que considera ser, cem anos após a instalação da primeira fábrica da CUF, sinónimo de “desafio e de oportunidade”. “Estamos a tratar do desenvolvimento empresarial do Barreiro para as próximas épocas”, comentou, acrescentando que nesse âmbito será necessário proceder à relocalização de algumas empresas. E não deixando de reconhecer: ”demorará anos e será sempre um trabalho inacabado”, considerou “estamos agora no caminho correcto de satisfazer o máximo de interesses”.
Andreia Lopes Gonçalves













