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Perspectivas

Partido Socialista do Barreiro - Jantar 5 de Outubro“Há sinais de esperança no futuro, o partido está muito mobilizado”

. “Queremos voltar a ganhar as eleições em 2009”

. João Soares “traduz uma família que nos ensinou muito”

. PS relembra memória de Manuel Cabanas: “um homem que encarnou no corpo e no espírito os ideais republicanos”

. Vítor Ramalho, presidente da Federação Distrital do Partido Socialista de Setúbal, defende a necessidade de a nova ponte do Rio Tejo contemplar a travessia rodoviária, ”porque é a única maneira de desenvolver o concelho do Barreiro”

Cerca de 100 pessoas estiveram presentes, ontem, no já tradicional jantar evocativo do 5 de Outubro, promovido pela Comissão Política Concelhia do Partido Socialista, na Quinta do Porto da Ramagem.
No evento que assinalou o 97º aniversário evocativo da Implantação da República, Manuel Cabanas foi apresentado como exemplo de referência republicana.

11 min de leitura
Partido Socialista do Barreiro - Jantar 5 de Outubro “Há sinais de esperança no futuro, o partido está muito mobilizado”

Por Jornal Rostos

Crítico em relação ao actual executivo da Câmara do Barreiro, Luís Ferreira, presidente da Concelhia do PS do Barreiro, considera que o partido socialista está mais unido e mobilizado, o que o leva a manifestar: “Queremos voltar a ganhar as eleições em 2009”.

“O nosso partido é um partido cada vez mais unido”

Luís Ferreira, presidente da Comissão Política Concelhia do Partido Socialista do Barreiro começou por invocar, no seu discurso, a memória de Manuel Cabanas: “um homem que encarnou no corpo e no espírito os ideais republicanos”, acrescentando: “é um contributo de referência para todos”. E em jeito de análise, a respeito do partido socialista do Barreiro, considera: “O nosso partido é um partido cada vez mais unido”, ao que referiu: “há sinais de esperança no futuro, o partido está muito mobilizado”, contando que nos últimos dois anos o partido viu acrescido o seu número de militantes em quatro centenas. Com a sede da concelhia remodelada “e tendo meios financeiros que nos permitem ter a certeza de que ninguém nos vai fechar as portas”, lança o desejo: “Queremos voltar a ganhar as eleições em 2009”.

Critica o que diz ser a prática de “secretismo e de opacidade” do actual executivo

Em relação ao actual executivo camarário, Luís Ferreira pronunciou: “O PCP descobriu recentemente a participação democrática no concelho mas sempre que pode tenta asfixiar todo o tipo de participação”, criticando o que diz ser a prática de “secretismo e de opacidade” no processo de revisão do Plano Director Municipal (PDM). Em relação ao projecto para a Quimiparque, considera que “o debate tem de ser feito de forma mais ampla” e vai ainda mais longe quando diz: “o PCP pegou nos nossos projectos e apresentou-os ao público como uma grande novidade”.

PS contesta políticas sociais, de educação e cultura

Considerando que “a situação do concelho é particularmente preocupante nas áreas da educação e cultura”, manifestou: ”temos uma vereadora que tem vindo a transformar o exercício deste lugar num enorme lugar comum”, criticando os atrasos na Carta Educativa e o encerramento da Casa da Cultura, ao que somou: “O AMAC está transformado num elefante branco, gerido ao sabor das conveniências”. Outro aspecto apontado pelo presidente do PS Barreiro foi o que diz ser “o agravamento da situação social”, considerando: “O PCP não fala aos barreirenses do que se passa na Quinta da Mina, Bairro das Palmeiras, Barreiro Velho e Quinta da Amoreira” e, nesse âmbito, acrescenta: “Veja-se o trabalho notável que João Soares fez no combate ao flagelo das barracas em Lisboa, enquanto aqui no Barreiro, o PCP não conseguiu realojar mais de 35 por cento dos agregados familiares identificados no Programa Especial de Realojamento”.

“O PCP prefere discutir as grandes questões nacionais”

Luís Ferreira considera: “o PCP prefere discutir as grandes questões nacionais ou as que não têm directamente a ver com a questão autárquica”. Com base nesta afirmação, mostra-se crítico relativamente à postura do executivo em relação à actual situação do Hospital Nossa Senhora do Rosário, E.P.E., ao que se pronuncia: ”depois de ser anunciada a criação de um Centro Hospitalar Barreiro/Montijo, há alguma indefinição a respeito do processo de constituição do Conselho de Administração, no entanto não há qualquer reflexo no que diz respeito à saúde pública, no entanto, o PCP prefere o alarmismo, o populismo e a demagogia”.

Necessidade de mais espaços de debate interno no Partido Socialista

Para o Partido Socialista, Luís Ferreira reconhece a necessidade de serem criados espaços de debate interno, quer nacionais, distritais e concelhios. Uma preocupação que diz estar presente ao longo do seu mandato, o que procurou responder na Concelhia PS do Barreiro através da promoção de debates, ao que comenta: “Acho que temos um Fórum Cidade que tem funcionado de maneira exemplar, com o contributo de João Pintassilgo e Jorge Carvalho”. Anunciou ainda para Outubro um debate que conta com a presença dos oradores Pacheco Pereira e José Magalhães, que vai abordar temas sobre o impacto das novas tecnologias e o seu efeito na qualidade de vida democrática.

”Estamos neste momento a passar por um período de descrença e de desconfiança da democracia”

Luís Ferreira focou ainda os problemas a nível civilizacional, ao que comentou: ”Estamos neste momento a passar por um período de descrença e de desconfiança da democracia”, sublinhando: “os partidos estão cheios de doença e de vícios, o PSD está mais doente do que nós mas nós também temos problemas que temos de resolver”. Problemas que considera resultarem muitas vezes da existência de: “Pessoas com pouca identificação com a causa pública que diariamente atraiçoam o trabalho que é desenvolvido”. Mas também quis sublinhar que existem “milhares de pessoas que de forma altruísta roubam tempo às suas família e amigos para defenderem princípios e valores”, nesse sentido fez referência a António Cabos Gonçalves: “que desenvolveu uma iniciativa de cidadania absolutamente notável”, referindo-se ao projecto “Mercado Marquês de Pombal”.

“Eu nunca acreditei em juventudes partidárias, mas nesta juventude acredito”

“Porque as instituições devem ter memória”, referiu que à semelhança do ano anterior, a ocasião é aproveitada para prestar homenagem aos militantes que completam 30 anos de filiação partidária, o que diz ser ”o reconhecimento público pela dedicação ao partido”, sendo os homenageados: Casimiro Cabrita, Maria Arlete Santos e João Rodrigues Freire.
A par das memórias, disse ainda que o maior orgulho que o partido tem actualmente é a Juventude Socialista do Barreiro, elogiando os seus militantes: “gente que é solidária até aos ossos” e em jeito de confissão, assume: “eu nunca acreditei em juventudes partidárias, mas nesta juventude acredito”

As sinergias criadas dentro do partido “são um importante contributo para poder ganhar as próximas eleições”

Carlos Silva, coordenador da Concelhia da Juventude Socialista do Barreiro disse ser com profundo orgulho que via a concretização de um jantar “recheado de um espírito comemorativo e assinalando uma efeméride tão significativa” como representa o 5 de Outubro, ao que comentou: “não podemos ficar indiferentes ao esforço heróico de milhares de pessoas na Implantação da República”. Quanto à situação do partido, referindo que, se em 2005 o PS Barreiro “sofreu uma série de reveses” com a derrota nas eleições autárquicas, hoje diz que as sinergias criadas dentro do partido “são um importante contributo para poder ganhar as próximas eleições”.

“Desenvolvemos um trabalho tão peremptório, tão eficiente que temos condições para ganhar, se nos soubermos unir”

“Temos de acreditar no nosso povo, povo que determina sempre qual deve ser o sentido da marcha”, expressou o deputado Vítor Ramalho, presidente da Federação Distrital do Partido Socialista de Setúbal, ao falar nos desafios que se avizinham com a aproximação das eleições autárquicas de 2009. “Desenvolvemos um trabalho tão peremptório, tão eficiente que temos condições para ganhar, se nos soubermos unir”. Uma das formas que diz reflectir essa união é o apoio em relação à construção da terceira travessia sobre o Tejo, sublinhando: ”mas temos de ser ousados” e nessa ousadia defende a necessidade de a ponte contemplar a travessia rodoviária, ”porque é a única maneira de desenvolver o concelho do Barreiro”, comentou, ao que acrescentou que Alcochete e Montijo já beneficiam nesta matéria com a Ponte Vasco da Gama.

João Soares “traduz uma família que nos ensinou muito”

Para o deputado a comemoração do 5 de Outubro no Barreiro tem um significado especial: “numa terra de gente séria, frontal e de trabalho”, ao que considerou: “Foi aqui que nasceu antes do 5 de Outubro, o 5 de Outubro, com Manuel Cabanas e com outros homens”. Congratulou ainda a presença de João Soares numa ocasião em que se “comemora a República”, acrescentando: “traduz uma família que nos ensinou muito”, referindo que o seu avô, João Lopes Soares, foi um homem que contribuiu para a implantação da república, tendo sido ministro das Colónias da 1.ª República. E de Mário Soares, diz ter tido um importante contributo no pós-25 de Abril na tradução da imagem de equilíbrio entre o Estado e a Igreja. Desse modo, sublinha: “Esta homenagem que se presta à República é também aos familiares e homens de grande dimensão que institucionalizaram a liberdade, a igualdade e a fraternidade”

“Quem dera que o partido socialista, em termos nacionais, estivesse tão bem como está a Federação de Setúbal, no debate político interno”

Por sua vez, João Soares disse ser com honra e prazer que marcava presença “numa tradição de celebração republicana”, considerando que são os valores da República que distinguem o partido socialista dos outros partidos. Referiu ainda “ter tido o privilégio” de conhecer Manuel Cabanas, de quem foi amigo e admirador. Não quis deixar de realçar o trabalho feito por Vítor Ramalho, presidente da Federação Distrital do Partido Socialista de Setúbal: “um exemplo de actividade profícua num quadro democrático de liberdade de opinião e de apelo à palavra e à intervenção cívica de todos e de cada um dos militantes do partido socialista”, acrescentando: “Quem dera que o partido socialista, em termos nacionais, estivesse tão bem como está a Federação de Setúbal, no debate político interno”.

“É preciso que a estrutura do partido dê alento àqueles que nos governam para que haja a coragem de ir mais além”

No seu discurso não deixou de traçar elogios à governação socialista, referindo: “o partido socialista tem estado a fazer um trabalho, que evidentemente como todo o trabalho de equipa, tem pontos altos e pontos menos altos, mas onde há um esforço muito significativo e positivo de procurar aproximar a nossa Pátria daquilo que são os níveis de desenvolvimento sustentado da União Europeia”. E nesse sentido insistiu: “é preciso que a estrutura do partido dê alento àqueles que nos governam para que haja a coragem de ir mais além, nas medidas a tomar para assegurar as igualdades”.

“Queremos que vão mais à frente nas reformas (…) no plano internacional”

Numa altura em que o governo português preside a União Europeia, considera ”É preciso que nós, socialistas, fiéis aos valores que herdámos da 1.ª República, saibamos dizer aos nossos governantes que queremos que vão mais à frente nas reformas, que podemos e devemos, propor no plano internacional”, e neste aspecto sublinhou também a importância de se tomarem medidas no sentido de se acabar com as empresas “offshore”. Deixou ainda a vontade de que a assinatura do Tratado Constitucional Europeu seja concretizada no território português: “ que passe a ser identificado com a nossa Pátria e com a cidade de Lisboa”.

“Foi nesta cultura republicana que ganhámos o espírito e a vontade de travar os combates que levaram ao 25 de Abril de 74.”

O esforço de atingir uma educação livre e gratuita, a separação da Igreja do Estado e a constituição do Registo Civil foram aspectos destacados por João Soares como importantes medidas que surgiram da Implantação da República. Falou ainda no caminho que se foi traçando na igualdade de géneros, referindo que foi a 1.ª República que concedeu às mulheres o direito de voto, ao que comentou: “Graças a esses republicanos e republicanas, que deram o melhor de si no esforço da igualdade e fraternidade”. E acrescentou: “Foi nesta cultura republicana que ganhámos o espírito e a vontade de travar os combates que levaram ao 25 de Abril de 74.”

“Hoje, alguns dos sonhos que acalentaram continuam meio concretizados, meio por concretizar”

“Uma data cheia de esperança e tão significante na obtenção de direitos civis e, ainda que mais timidamente, de direitos sociais”, expressou Catarina Marcelino, presidente do Departamento Federativo das Mulheres Socialistas (DFMS) do distrito de Setúbal, ao evocar a memória da Implantação da República. No seu discurso não deixou de fazer menção a mulheres que contribuíram para a propaganda dos ideais republicanos, mencionando nomes como Ana de Castro Osório, Carolina Beatriz Ângelo e Maria Veleda. E prosseguiu: “O Estado Novo acabou com o sonho destas mulheres, só em Abril de 74 o sonho e a esperança voltou e hoje, alguns dos sonhos que acalentaram continuam meio concretizados, meio por concretizar”.

Andreia Lopes Gonçalves

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