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Perspectivas

Livro “Irmandade de N.ª S.ª do Rosário Barreiro”“É preciso preservar esse passado, conhecê-lo e divulgá-lo”

. Câmara do Barreiro pretende prosseguir no tratamento e recuperação dos arquivos de outras entidades do concelho

Ontem, foi apresentado o livro relativo aos documentos existentes na Igreja Nossa Senhora do Rosário. Documentos antigos que fazem parte da história da Irmandade de Nossa Senhora do Rosário e que fazem parte da história do Barreiro.

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Livro “Irmandade de N.ª S.ª do Rosário Barreiro” “É preciso preservar esse passado, conhecê-lo e divulgá-lo”

Por Jornal Rostos

“Um livro bem construído, com base científica”, assim o caracteriza o padre José Manuel e o que levou a que o presidente da Câmara do Barreiro, Carlos Humberto, considerasse: “Passamos a partir de hoje a saber mais da nossa terra”.

“A minha conversa foi muito simples e tocou-lhes no coração”

Da parceria entre a Igreja e a Câmara Municipal do Barreiro, formalizada em 25 de Março de 2006, com a assinatura de um protocolo que deu início a um trabalho de cooperação com vista ao inventário, organização e tratamento do arquivo histórico que se encontrava na igreja, resultou um livro. Livro que teve como impulsionador o padre José Manuel que, ao dar-se conta da quantidade de documentos antigos existentes na igreja, contactou a câmara para que algo fosse feito: “a minha conversa foi muito simples e tocou-lhes no coração”, comentou.

“Que noutros momentos saibamos aproveitar vontades e saberes para valorizar o concelho”

Sobre essa parceria, o presidente da Câmara Municipal do Barreiro, Carlos Humberto, expressou: “A ideia de que temos da nossa terra é a de que tem de ser construída por todos e particularmente pelos que estão organizados”, estendendo a vontade Câmara Municipal do Barreiro de prosseguir no tratamento e recuperação dos arquivos de valor histórico de outras entidades do concelho: “Que noutros momentos saibamos aproveitar vontades e saberes para valorizar o concelho” e acrescentou: “É esta experiência e saber que caracteriza o Barreiro de solidário, trabalhador, dedicado, activista, persistente que todos nós conhecemos e que estes documentos também espelham”. Referiu ainda, nesse sentido, que a ideia chave para a gestão do município é: “Trabalhar com os outros e para os outros”.

“É preciso preservar esse passado, conhecê-lo e divulgá-lo”

Da importância de um livro que reúne documentos que remontam ao século XVIII, considera: “É preciso preservar esse passado, conhecê-lo e divulgá-lo”, o que entende que representa mais um passo “dentro dos instrumentos de participação e de decisão que precisamos para o futuro”. Um contributo que na sua opinião “nos ajuda a pensar o que é a nossa história, passado e a melhorar o nosso futuro”.

“E é de geração em geração que vai ficar”

O padre José Manuel falou do processo que levou à elaboração do livro, o que começou pela organização de um Arquivo Histórico da Igreja de N.ª S.ª do Rosário, e porque na sua opinião os documentos “não podiam ficar dentro do armário”, surgiu assim a ideia de os compor num volume. “Pois era necessário valorizar todo este trabalho”, sublinha. Refere ainda que existem ainda mais documentos, dos quais a Igreja não é proprietária, encontrando-se em casas particulares e é por isso que comenta: “Isto é só o começo”. Mas um começo que diz reflectir um grande esforço, quer por parte da Câmara do Barreiro, quer da Igreja “para preservar a história e identidade da nossa comunidade”. Disse ainda que nos documentos constavam partituras antigas o que levou a expressar: “ temos um património bastante rico, com obras até inéditas”, acrescentando: “E é de geração em geração que vai ficar”.

“Actualizar a grafia musical para que possa ser apresentada por músicos de formação actual”

Na inventariação da documentação constatou-se a existência de 321 maços, 19 livros e nove partituras musicais, com datas que vão de 1966 a 1985. Para proceder ao tratamento das partituras, foi convidado João Silva, mestre de ciências musicais da Universidade Nova, que considerou que o interesse dessas obras musicais resulta fundamentalmente do facto de estarem completas e bem conservadas, sendo o objectivo: “actualizar a grafia musical para que possa ser apresentada por músicos de formação actual”. Quanto às principais características das partituras diz serem de arte sacra e de alguns dos principais compositores do século XVIII, “muito ligados à corte”, sublinha, ao que falou de compositores como Francisco António de Almeida e de Frei José Espírito Santo.
Em termos estilísticos diz haver uma grande influência da ópera italiana e a tender para um certo ‘espectacularismo’, o que diz ser característico da religiosidade da época.

”Existia uma grande amálgama de documentos, tivemos dificuldades em perceber a sua lógica”

Isabel Soares, coordenadora do Gabinete de Arquivo e Gestão de Documentos da Câmara Municipal do Barreiro, falou do projecto que levou à organização de um arquivo que diz ter começado há cerca de um ano atrás, estendendo-se por cinco fases, sendo o primeiro passo a limpeza e higienização dos documentos, o segundo a ordenação de documentos soltos, ao que comentou: ”existia uma grande amálgama de documentos, tivemos dificuldades em perceber a sua lógica” e seguidamente explica que houve o trabalho de arquivo, onde diz ter sido importante ter em conta a história da Irmandade do Rosário, seguido pela sua leitura e enquadramento histórico e, por fim, a sua organização dentro das pastas.

“Está aqui muito material de investigação para quem quiser estudar a nossa história”

Uma documentação histórica que serve, no seu entender para conhecer a história do Barreiro, referindo que o arquivo se encontra disponível num espaço da Igreja Nossa Senhora do Rosário para quem quiser consultá-lo: “Está aqui muito material de investigação para quem quiser estudar a nossa história”, ao que adverte: “acaba por perder o seu valor se não for consultado e servir de base a outras investigações”. Ideia que Fernando Mota, também do Gabinete de Arquivo e Gestão de Documentos, reforça: “A história desta Igreja e da Irmandade ainda está por fazer. Os historiadores são bem vindos a visitar este local”.

Até 13 de Outubro a Igreja está aberta 24 horas

Na apresentação do livro, o padre José Manuel lembrou ainda que a partir do dia de ontem e até ao próximo sábado, dia 13 de Outubro, a Igreja Nossa Senhora do Rosário vai estar de portas abertas à comunidade, 24 horas por dia, no âmbito do que diz ser “um grande acontecimento”, referindo-se ao Cerco de Jericó.

De realçar que o livro “Irmandade de N.ª S.ª do Rosário Barreiro” pode ser adquirido na Igreja Nossa Senhora do Rosário, na Papelaria Central, na Livraria du Bocage e na Papelaria Antunes e Valera e o seu preço é de 5 euros.

Andreia Lopes Gonçalves

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