No Barreiro – Comício do PCP com Jerónimo de Sousa“Basta de Injustiças! Mudar de política para uma vida melhor!”
“Belo comício este! E um bom prenúncio para o dia 18 de Outubro”, assim expressou o secretário-geral do Partido Comunista Português, Jerónimo de Sousa, ontem, no comício organizado pela Direcção Regional de Setúbal do PCP, que teve lugar na Sociedade Filarmónica Agrícola Lavradiense (SFAL), no âmbito da campanha “Basta de Injustiças! Mudar de política para uma vida melhor!”.

Por Jornal Rostos
Apelando à presença na Manifestação Nacional convocada pela CGTP-IN para dia 18 de Outubro, às 14h30, no Parque das Nações, em Lisboa, exclamou: “naquela que será, estamos certo, uma grandiosa manifestação nacional de luta contra as políticas sociais do governo de José Sócrates e de exigência de mudança de política”.
“Basta de Injustiças!” – para levar palavras de confiança e de apelo à luta e ao protesto das populações
O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, fundamentou o surgimento da campanha nacional do Partido Comunista Português sob o título: “Basta de Injustiças! Mudar de política para uma vida melhor!”, como sendo um vasto conjunto de iniciativas “levando a nossa palavra de esclarecimento, de confiança e de esperança, numa campanha que é também de mobilização e de apelo à luta e ao protesto dos trabalhadores e das populações”, perante o que considera ser “o prolongar de uma política de direita”, levada a cabo pelo actual governo socialista. O modelo económico Flexigurança e as propostas de alteração ao Código do Trabalho foram os pontos mais criticados num comício onde o espaço da SFAL encheu e pareceu pequeno para receber todos os que ali se chegavam.
Flexigurança – “vai ao encontro das principais exigências do grande patronato e do grande capital”
Em relação ao emprego, o aumento do trabalho precário, os salários baixos e o aumento do desemprego em Portugal foram questões criticadas pelo líder comunista, pronunciando-se: “o desemprego atinge as mais altas taxas da União Europeia, mas da parte dos responsáveis do governo e do PS, o que vemos são tentativas para iludir a sua real dimensão e gravidade”. Não deixou de reprovar a atitude do governo socialista quanto à sua vontade de impor o modelo económico Flexigurança, que, na sua opinião: “vai ao encontro das principais exigências do grande patronato e do grande capital”.
Revisão ao Código do Trabalho – “ataque aos direitos dos trabalhadores”
A revisão ao Código do Trabalho pelo governo também mereceu críticas, apelidando-o de “ataque aos direitos dos trabalhadores”. E sobre esta matéria, prosseguiu: “ propostas que visam a facilitação dos despedimentos individuais sem justa causa; a desregulamentação das condições de trabalho e a sua fixação arbitrária pelas entidades patronais, ao nível dos horários, nomeadamente com a eliminação do conceito de horário diário de oito horas, ao mesmo tempo que se abre a possibilidade de redução de salários”. Medidas que reflectem, no seu entender: “o agravamento da exploração do trabalho” e que têm em conta: “propostas de ataque também aos sindicatos”, com o objectivo que diz ser de: “promover a sua desagregação”.
Trabalhadores da Transtejo – um exemplo que “obrigaram o governo a recuar”
Por se aproximar a data da Manifestação Nacional a 18 de Outubro, convocada pela CGTP-IN, Jerónimo de Sousa não deixou de apelar à presença “do povo do distrito de Setúbal” nesta manifestação, de modo a “transformar esta jornada de luta na maior manifestação de protesto de sempre”, sublinhou, ao que acrescentou: “que seja também uma clara resposta contra a inqualificável estratégia de intimidação e de medo que o governo do PS tem vindo a pôr em prática contra os trabalhadores e contra os sindicatos”. Nesse sentido, fez referência aos trabalhadores da empresa Transtejo que devido à decisão da empresa de marcar faltas injustificadas a quem aderiu à greve geral e de descontar o prémio de assiduidade, mostraram o seu descontentamento e anunciaram nova greve contra esta atitude, o que foi, no entender de Jerónimo de Sousa um exemplo que “obrigaram o governo a recuar”.
“Consideramos inaceitável qualquer avanço para este novo tratado, sem que seja realizada uma consulta ao povo português”
Referindo que a manifestação agendada para o próximo dia 18 de Outubro coincide com a data da Cimeira de Chefes de Estado e de Governo dos Países da União Europeia que se reúnem em Lisboa, não deixou de mostrar o seu descontentamento quanto ao Tratado Reformador da União Europeia que, no seu entender: “é um novo salto na integração capitalista europeia, aprofundando o seu carácter federalista, neoliberal e militarista e com profundas consequências para a soberania e independência nacional” e acrescenta: “uma manobra política que visa contornar a vontade soberanamente expressa pelos povos que o recusaram com meras operações de cosmética e de disfarce”. E é nesse sentido que defende a realização de referendos: “consideramos inaceitável qualquer avanço para este novo tratado, sem que seja realizada uma consulta ao povo português”
Saúde e educação mais caras para a população
A educação e a saúde também foram assuntos focados pelo secretário-geral do Partido Comunista Português, considerando que na educação existem mais encargos para a família, resultado do que diz ser a “crescente mercantilização da educação e com a desvalorização da Escola Pública”, criticando ainda o encerramento das escolas do 1º. Ciclo e o novo Regime Jurídico do Ensino Superior que na sua opinião “abriu as portas ao seu controlo pelo poder económico”, revelando-se preocupado com a facilidade de privatização que daí pode advir. Na saúde, referiu que está cada vez mais cara, resultado “do processo de desmantelamento do Serviço Nacional de Saúde” e contestou o encerramento de serviços e a entrega da gestão clínica dos novos hospitais a entidades privadas.
“Uma grande jornada de luta e de demonstração de descontentamento e de protesto”
Telma Capucho, representante do organismo executivo da DORS, fez menção, no seu discurso, aos problemas com que se debate o distrito de Setúbal, focando desde a questão do emprego precário e do desemprego, ao referir que a condição de um em cada oito trabalhadores é precária. Criticou a falta de investimentos no ensino da parte do governo. E em relação aos cuidados de saúde, referiu que quer o número de médicos, quer o número de camas nos hospitais do distrito são inferiores à média do país, num distrito onde diz que “cem mil residentes não têm médico de família”. Condições que diz serem prejudicadas com o encerramento dos Serviços de Atendimento Permanente (SAP’s). Estas foram algumas das questões que levantou quando apelou à participação e mobilização na Manifestação de 18 de Outubro, o que diz ser “uma grande jornada de luta e de demonstração de descontentamento e de protesto”.
Andreia Lopes Gonçalves













