Bloco de Esquerda – BarreiroExposição evoca os nomes de todos os presos políticos do Barreiro da ditadura salazarista

Por Jornal Rostos
Foi apresentada no Parque Catarina Eufémia a exposição – “100 anos de lutas – O outro lado da CUF”, uma iniciativa do Bloco de Esquerda.
Mário Durval, Coordenador Concelhio do Barreiro do Bloco de Esquerda, sublinhou que esta iniciativa é uma das promessas do projecto – “o outro lado da luta” - e visa trazer para “a Praça Pública as memórias” para que todos as possam fixar e partilhar.
Mário Durval considerou ser este um momento solene, sobretudo pelas pessoas cuja memória é evocada, os quais no tempo do fascismo com a sua luta, “ajudaram a construir o Portugal de Abril”.
Os nomes de todos os presos políticos do Barreiro
Sublinhou o líder concelhio do Bloco de Esquerda que no “memorial” estão patentes os nomes de “todos os presos políticos do Barreiro durante a ditadura salazarista”.
“Esta é uma forma de homenagem que o Bloco achou por bem trazer à memória do Barreiro, recordando aqueles que ajudaram a construir esta cidade e esta identidade, afirmando a memória da luta antifascista” – sublinhou Mário Durval.
Foi salientado que a exposição vai circular pelo Barreiro, assim como nos concelhos da região.
O outro lado da CUF teve protagonistas com nomes
João Madeira, que teve a responsabilidade de dirigir a exposição, salientou que “este é um momento importante no âmbito das comemorações dos 100 anos de luta – o outro lado da CUF”.
Salientou que “o outro lado da CUF” foi construído com suor e sofrimento, com trabalho e com resistência.
Recordou que esse outro lado da CUF teve “protagonistas com nomes” e nesta exposição procura-se dar a conhecer este percurso – “entre a chegada do Caminho de Ferro e a construção da CUF, esta terra operária e de tradições antifascistas”.
“Precisamos de resgatar a memória na pluralidade de contributos daqueles que aqui viveram activamente, comunistas, anarquistas, republicanos, socialistas, um caudal humano imenso que ajudou a trazer a democracia para o país. É isso que queremos homenagear, numa perspectiva para a frente e para o futuro, porque os ciclos de luta são incessantes e as grandes utopias, continuam por atingir e essas estão vivas” – sublinhou João Madeira.
Homens e mulheres de todas as cores da esquerda
Francisco Louça, coordenador nacional do Bloco de Esquerda, referiu que esta iniciativa é promovida por “um partido político, resgatando as melhores tradições da esquerda”, fazendo-o com “toda a abertura, como todo o respeito, como a esquerda tem que o fazer”, valorizando a luta desses homens e mulheres, que de “todas as cores da esquerda” foram um exemplo para o país inteiro, salientando Francisco Louça que a exposição refere o que “há de melhor na politica portuguesa e o que há de mais generoso, na luta da esquerda durante todo o século XX, tempo em foram presos em levas sucessivas, dezenas, centenas, de barreirenses que honraram este combate e este compromisso”.
Estamos a corrigir uma injustiça gravíssima
“Num tempo em que se perde a memória” sublinhou o líder do Bloco de Esquerda é importante que se promova uma exposição com o conteúdo da que foi organizada, de forma a divulgar pelos concelhos da região, - “o que foi a tenacidade, a insistência, a coragem e a determinação de um tempo” que não pode ser esquecido.
“Estamos a corrigir uma injustiça gravíssima.” – referiu, sublinhando que a “dinastia da CUF é conhecida e tem fortunas, vários do herdeiros da CUF estão entre os 100 portugueses mais ricos” e desses “falam os jornais”.
Francisco Louça, referiu que “daqueles que trabalharam ou morreram a trabalhar, ou foram presos porque resistiram, à tirania do capital e da ditadura, esses nomes não são lembrados”.
Queremos falar dessas pessoas que foram os heróis do Barreiro
“Nós queremos lembrá-los. Queremos homenagear as suas famílias.” – sublinhou, acrescentando –“esta injustiça entre a exibição e o esquecimento, nós queremos ajudar a corrigir. Queremos falar dessas pessoas que foram os heróis do Barreiro, forma os heróis da luta popular em Portugal. Lembrando que mesmo agora há uma grande luta popular pelos mesmos objectivos, que esses homens e essas mulheres tiveram e que é preciso continuar.”
“É uma luta contra injustiça. Uma pela luta pela memória e em nome da coerência que esta exposição evoca, para que os barreirenses saibam que há activistas que querem manter esse compromisso” – referiu Francisco Louça.
Trabalhar na CUF, viver no Barreiro: o encontro da memória
“Trabalhar na CUF, viver no Barreiro: o encontro da memória” – é o tema da próxima iniciativa do Bloco de Esquerda, a qual irá decorrer na SFAL – Sociedade Filarmónica Agrícola Lavradiense, no dia 9 de Novembro, pelas 21,30 horas, com a participação de Ana Nunes Almeida, investigadora do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa; Cristina Pereira, ex-moradora do Bairro Operário da CUF; Isabel do Carmo, médica e com testemunhos de moradores e trabalhadores do Barreiro e da CUF.
Nas ruas da Cidade
EXPOSIÇÂO - Memórias da Resistência













