Saltar para o conteúdo
Perspectivas

“Opções Participadas” no Lavradio - BarreiroCom a 3ª Travessia do Tejo - “Esperamos ter uma outra frente que hoje não temos”

. “Queremos ver se é possível fazer o arranjo do espaço envolvente” da futura Piscina de Aprendizagem

Ontem o Lavradio recebeu a iniciativa “Opções Participadas” e mais uma vez o presidente da Câmara Municipal do Barreiro, Carlos Humberto, sublinhou, a importância da sua realização na gestão do município. Um município que disse ser “um dos mais pequenos do país mas com uma grande densidade populacional”.

Pela proximidade da freguesia com a Quimiparque fez uma pequena apresentação do projecto para esta zona, mas advertiu: “o projecto está pensado mas não está arrumado”, apelando assim à participação dos presentes e referindo que os projectos que estão estimados, como a 3ª Travessia do Tejo ou a Nova Estação Ferroviária iram “influenciar o território do Lavradio”.

12 min de leitura
“Opções Participadas” no Lavradio - Barreiro Com a 3ª Travessia do Tejo - “Esperamos ter uma outra frente que hoje não temos”

Por Jornal Rostos

No Grupo Sport Chinquilho União 9 de Abril Lavradiense a mesa que coordenava os trabalhos contou com a presença, para além do presidente da Câmara Municipal do Barreiro, Carlos Humberto, e do presidente da Junta de Freguesia do Lavradio, Adolfo Lopo, com o vereador João Soares, responsável pelo pelouro dos Serviços Urbanos e Protecção Civil e o vereador Joaquim Matias, responsável pelo Planeamento e Gestão Urbana.

Objectivos para a Quimiparque: um espaço para “viver e trabalhar”

Numa breve apresentação, o presidente da Câmara Municipal do Barreiro falou do projecto estudado para o território da Quimiparque e começou por fazer menção às funções de transporte que ali vão passar, desde o TGV “que não parará no Barreiro”, sublinha, o comboio tradicional que vem de Setúbal e adianta: “em princípio, porque ainda não está decidido, a função rodoviária”, ao que comenta: “uma hipótese admissível que desejamos”. Assumindo como principais funções para esse território: “viver e trabalhar”, sublinha que o grande objectivo é “que seja um pólo de emprego e de desenvolvimento económico”, mas também “queremos aproveitar as margens do rio e os espaços de lazer e também a habitação”. Uma ideia que contempla três zonas, uma de logística de empresas, sobre a qual comenta: ”desejamos que o próprio Porto de Lisboa passe a ter aqui equipamentos”, outra de serviços de tecnologia de ponta e uma terceira de equipamentos e serviços e de aproveitamento da zona ribeirinha.

No Lavradio – construção da “maior Estação Ferroviária da Margem Sul”

Para o edil barreirense esta visão para o território obriga a mudar o actual cais dos barcos, o terminal Rodo-Ferro-Fluvial para a zona do porto da Quimiparque, acrescentando que junto a esse terminal se pretende construir uma praça cuja dimensão o leva a falar de “Terreiro do Paço da Margem Sul”. Para além disso falou na construção no Lavradio da “maior Estação Ferroviária da Margem Sul” que servirá a 3ª Travessia do Tejo e o Metro Sul do Tejo.

“A linha do comboio Lavradio/ Barreiro desapareça e se transforme numa zona verde”

Para o actual terminal Rodo-Ferro-Fluvial, Carlos Humberto falou da construção de um pólo para a náutica de recreio, o que diz pressupor que “a linha do comboio Lavradio/ Barreiro desapareça e se transforme numa zona verde com ciclovia e alguns equipamentos”. Referiu ainda que o projecto para a Quimiparque necessita do acordo com diversas entidades, como com o Governo, Soflusa, REFER ou Administração do Porto de Lisboa e que será um projecto para daqui a 15/20 anos, mas logo advertiu “uma parte das coisas tem de estar pronta em 2013 para servir a passagem do comboio”.

“Queremos ver se é possível fazer o arranjo do espaço envolvente” da futura Piscina de Aprendizagem

A Futura ETAR Barreiro/ Moita, prevista de estar concluída em meados de 2009, a ser construída no território da Quimiparque, as intervenções em Alburrica, numa primeira fase através da recarga de areias, ao que comenta o presidente da Câmara “para voltar a ter Alburrica como tínhamos há 20 anos atrás” e numa segunda fase através do reforço da sua iluminação, assim como o projecto para a requalificação do centro do Barreiro, no qual o edil barreirense sublinha a necessidade de diminuir o tráfego na Avenida Miguel Bombarda e Avenida Alfredo da Silva foram algumas das medidas mencionadas, a par da construção no território do Lavradio quer da Piscina de Aprendizagem junto à Escola Básica do 1º Ciclo nº2 do Lavradio e do Mercado e sobre esta questão acrescenta: “queremos ver se é possível fazer o arranjo do espaço envolvente”, quer da construção da nova Piscina Municipal na zona da Urbanização dos Fidalguinhos, junto à Escola Superior de Tecnologia do Barreiro.

UFA – “que chamem a atenção da empresa no sentido de verificar se aqueles equipamentos estão em condições”

Das intervenções dos moradores da Freguesia do Lavradio, uma das grandes questões focadas incidiu no impacte ambiental provocado pelas empresas instaladas na freguesia, nomeadamente pela UFA-Lavradio, sobre a qual António Plácido Rita, que trabalhou durante 40 anos na empresa, disse querer alertar para o perigo que a fábrica constitui: “Que não se esqueçam de que o Lavradio tem uma bomba atómica cá dentro” e acrescentou: “que chamem a atenção da empresa no sentido de verificar se aqueles equipamentos estão em condições”.

Passeios degradados e zonas verdes mal tratadas

A urbanização dos Lóios e a Urbanização dos Fidalguinhos foram também apontadas pelos moradores, se na primeira Paulo Dias fala na questão da falta de harmonia entre os edifícios, o que considera que “não embeleza o Lavradio” e insiste ainda no problema da falta de estacionamento que se coloca “com o pedido de licenciamento de torres de 10 andares”, já no caso da Urbanização dos Fidalguinhos, Álvaro Branco comenta: “uma urbanização que nasceu torta e muito dificilmente se endireita”, apontando para o facto de continuar com espaços degradados, como os passeios, os lancis e a existência de buracos nas estradas, aos quais acrescenta o problema da higiene urbana, referindo também que as zonas verdes existentes estão mal tratadas.

A limpeza da freguesia deveria ser uma questão a melhorar

A limpeza da freguesia, a necessidade de renovação dos sistemas de esgotos e os problemas de trânsito foram também trazidos ao debate pela população. José Cardoso, morador no lavradio há 47 anos, referiu que a limpeza deveria ser uma questão a melhorar, pois apesar de reconhecer “que vê algum esforço”, considera que ainda há muito a fazer.

“Tenho pena que não se arranje um simples jardim”

António Lopes, residente há 30 anos no Lavradio, levantou a questão da necessidade de um campo de jogos, nomeadamente para as crianças, adiantando que o campo existente urge de limpeza, sendo alvo de actos de vandalismo. Questão que Fernando Brito insistiu, referindo que, perante um projecto da dimensão da Quimiparque, “tenho pena que não se arranje um simples jardim”, fazendo menção ao Parque dos Pardalitos na Rua Palmira Bastos. Por sua vez, Jorge Costa aproveitou a sessão para solicitar em nome do Sporting Clube Lavradiense a cedência de um terreno, nas traseiras da zona da Rua Salgueiro Maia, para um campo de futebol de sete.

Necessidade de espaços de convivência urbana e espaços pedonais

“Que o Lavradio comece a ser pensado em termos de reabilitação urbana” foi sugerido por Sousa Pereira, aludindo para a necessidade de serem criados espaços de convivência urbana e espaços pedonais, fechando algumas ruas ao trânsito. A ligação da freguesia ao rio foi também um aspecto que sublinhou, questionando: “vamos ter tanque e piscina mas e o rio, vamos vê-lo através das grades?”. E em relação à Antiga Escola Primária do Lavradio que se encontra encerrada, lançou a ideia de que se tornasse num Centro Museológico ou como comentou: “sendo esta uma zona de risco industrial” falou na hipótese de ser utilizado enquanto Centro de Interesse de Estudos Ambientais “voltado para aspectos industriais”, sublinhou.

Os planos internos das empresas foram actualizadas e aceites pelo Plano de Segurança de Setúbal

O vereador João Soares reconheceu que na freguesia existem “situações preocupantes”, que se estendem fundamentalmente ao trânsito e à segurança. Relativamente à empresa da UFA, e perante as preocupações dos presentes, referiu que essa preocupação tem sido objecto de discussão ao nível da protecção civil “com entidades que interferem com a segurança pública”, adiantando que os planos internos das empresas ali localizadas, foram actualizadas e aceites pelo Plano de Segurança de Setúbal, e por isso comenta: “temos de ter confiança”, mas ao mesmo tempo afirma: “vamos estar com atenção”, não deixando de referir que a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) é que tem competência para intervir nestas questões.

Com os moldes actuais “a fábrica não é compatível com o futuro que queremos para o Barreiro”

Por sua vez o vereador Joaquim Matias reconheceu que a fábrica da UFA constitui “um perigo muito grave”, mas não deixa de referir que tendo a fábrica uma licença para trabalhar, a câmara só poderá intervir quando há discussão de impacte ambiental.
Ainda sobre esta questão, o presidente da Câmara Municipal do Barreiro, Carlos Humberto, não escondeu que “se fosse hoje a câmara não queria aqui a fábrica”, acrescentando que com os moldes actuais “a fábrica não é compatível com o futuro que queremos para o Barreiro”. No entanto, refere que enquanto a fábrica estiver em funcionamento “serão tomadas todas as medidas do ponto de vista de defesa ambiental”.

Orçamento da Câmara – uma “limitação real” (…) “mas não é isto que nos vai fazer baixar os braços”

O presidente da Câmara do Barreiro referiu que é necessário ter-se em conta que novos problemas surgem resultantes “das alterações que se vão passando na sociedade”, tendo aumentado a insegurança e quis sublinhar ainda a situação financeira da Câmara Municipal do Barreiro: ”temos um orçamento que anda à volta dos 50 milhões de euros, mas as receitas na melhor das hipóteses chegam aos 40 milhões de euros”. Uma realidade que diz que deve ser tida em conta. Questão que o vereador Joaquim Matias também focou ao afirmar “Estamos a discutir o orçamento e a Câmara do Barreiro funciona acima do nível das suas posses”, considerando que essa é uma “limitação real” que tem o seu peso na resolução dos problemas, mas ainda assim acrescentou: “mas não é isto que nos vai fazer baixar os braços e não tentar resolver os problemas”.

Reabilitação urbana vai começar na freguesia do Barreiro, uma experiência a ser alargada no Lavradio e Alto do Seixalinho

A respeito da reabilitação urbana, o vereador Joaquim Matias referiu que essa acção vai começar na freguesia do Barreiro, uma experiência que a Câmara Municipal do Barreiro pretende ver alargada, fundamentalmente à freguesia do Lavradio e do Alto do Seixalinho, advertindo ainda que para que seja executada é necessário “muito trabalho, ponderação, participação e compreensão”, uma vez que também diz que a maior parte dos terrenos são privados. Ainda neste sentido, diz que a reabilitação “é uma questão fundamentalmente de sociabilidade e de vivência” e não tanto de arquitectura.

Corredor urbano para ligar as freguesias ao rio

Em relação ao aproveitamento da frente de rio, o vereador considera que integrado no estudo previsto para a Quimiparque “deve de haver ao longo de todo o rio, desde o Coina, um corredor urbano”. Por sua vez, o presidente da Câmara do Barreiro refere que “a frente de rio do Lavradio acho que pode e deve de ser resolvida”.

Resolução dos problemas de carácter cívico – repressão e formação cívica

Considerando que os grandes problemas no concelho são fundamentalmente de emprego, desenvolvimento social e económico, o presidente da Câmara não deixou de sublinhar que estes acabam por trazer outros problemas que podem ser mais pequenos mas que se tornam muito relevantes pela sua dimensão. A respeito dos problemas de carácter cívico, considera que a melhor forma de os resolver é através da repressão mas também da formação cívica e democrática, admitindo que esta ultima medida “demora gerações”.

Cedência de terrenos aos clubes – se o terreno não for privado

Relativamente aos campos de jogos e ao pedido do Sporting Clube Lavradiense para a cedência de terreno, o edil barreirense refere que a posição da câmara é: “ceder o terreno em direito de superfície”, advertindo que se o terreno for privado esse procedimento não poderá ser feito e acrescentando que a construção dos equipamentos passa pela responsabilidade dos clubes.

Com a 3ª Travessia do Tejo - “Esperamos ter uma outra frente que hoje não temos”

O presidente da Junta de Freguesia do Lavradio, Adolfo Lopo, a respeito da frente de rio, referiu que espera que com a definição dos limites da freguesia pela 3ª Travessia do Tejo que Barra a Barra passe a ser do Lavradio, ao que acrescenta: “Esperamos ter uma outra frente que hoje não temos”.

“Há certas coisas que não correm da melhor forma”

Reconhecendo que “há certas coisas que não correm da melhor forma”, o presidente da Junta de Freguesia do Lavradio disse que em relação à limpeza nem tudo funcionou bem, dando como exemplo o facto de a quantidade de herbicida que foi dado para ser utilizado ao longo do ano, “acabou por ser gasto nos Fidalguinhos em dois meses”. Em relação ao trânsito, referiu que na segunda fase do Plano de mobilidade para a freguesia pressupunha a intervenção junto das escolas, o que diz ter sido feito, ao que acrescenta: “não houve condições para fazer mais”. Anunciou ainda, no sentido de atenuar os problemas de trânsito, a construção de cerca de onze passadeiras elevadas pela freguesia, ficando cinco delas na Urbanização dos Fidalguinhos.

Projectada a recuperação dos parques e das traseiras da Rua Palmira Bastos e Rua Egas Moniz

Relativamente aos campos de jogos referiu que hoje existem mais regras para a sua construção e comenta: ”ninguém quer um campo de jogos à sua porta, mas quem vive fora acha que deve de haver ali um”. No Parque dos Pardalitos referiu “os poucos brinquedos funcionais continuavam a ser vandalizados e por isso foram retirados” e sobre isso assentou: “Quem prevarica vai começar a pagar”. Anunciou ainda que a reabilitação do parque está estimada para 2009, enquanto para 2008 está acordada a reabilitação do Parque Maria Machado (junto ao Beira Mar, Quinta dos Morgados). Ainda neste âmbito falou num projecto existente para as traseiras da Rua Palmira Bastos e para a Rua Egas Moniz, para a recuperação de toda a avenida.

Andreia Lopes Gonçalves

Publicidade

Notícias relacionadas

Publicidade

Notícias por secção