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Perspectivas

Por unanimidade Câmara Municipal do Barreiro exigeNomeação do representante do município no Conselho de Administração do Hospital

. Hospital do Barreiro défice orçamental na ordem dos 14 milhões de euros em 2006

Regina Janeiro, apresentou na reunião pública da Câmara Municipal do Barreiro, realizada no Auditório da Verderena, uma moção sobre a temática da Saúde no concelho do Barreiro, aprovada por unanimidade, na qual se exige que a tutela proceda à nomeação do representante do município no Conselho de Administração do Hospital do Barreiro.

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Por unanimidade Câmara Municipal do Barreiro exige Nomeação do representante do município no Conselho de Administração do Hospital

Por Jornal Rostos

Na referida moção sublinha-se que o “a saúde constitui um direito fundamental dos cidadãos” e que compete ao “Estado a organização dos serviços de Saúde” e garantir os meios necessários para “a sua efectiva concretização”, dado que a Saúde é um direito fundamental consagrado na Constituição da República Portuguesa.
Sublinha, igualmente que o “Serviço Nacional de Saúde geral, universal e tendencialmente gratuito” é o principal meio de concretização desse objectivo “na prestação de cuidados de saúde a todos os que dele necessitam”.

Défice orçamental na ordem dos 14 milhões de euros

“Uma comunidade de cidadãos saudável requer serviços de saúde a funcionar plenamente” – salienta o texto da moção.
Acrescenta-se que o Hospital Nª Srª do Rosário é uma “importante instituição de prestação de cuidados de saúde diferenciados”, com cerca de 20 especialidades e 360 camas activas, que serve uma população de 220 mil habitantes e que tem serviços considerados de excelência.
Por outro lado refere-se, na moção, que a situação criada no Hospital do Barreiro, relativamente à sua liderança, teve “consequências preocupantes”, nomeadamente, gerando a inexistência de um Plano de Investimentos e afectando o desenvolvimento de várias áreas de diferenciação.
Refere a moção, entre outros aspectos, os indicadores de produtividade, nomeadamente a diminuição de internamentos e a existência de um forte défice orçamental, na ordem dos 14 milhões de euros, no ano de 2006.

Nomeação do representante do município no Conselho de Administração

Por outro lado salienta-se que foram nomeados apenas dois dos quatro, mais um, que é o representante do município no Conselho de Administração do Hospital do Barreiro.
Refere a moção que foram concretizadas diversas diligências junto à tutela no sentido de ser esclarecida a demora, do representante do município no Conselho de Administração do Hospital.
A Câmara Municipal do Barreiro, na sua “qualidade de parceiro” relativamente ao planeamento dos serviços de saúde do concelho, refere a importância das Comissões de Utentes e do Conselho Municipal de Saúde, como formas de participação dos cidadãos nas matérias relativas à planificação da saúde.
Nesse sentido, sublinha a moção, a firme determinação da Câmara Municipal do Barreiro de exigir perante a tutela, a nomeação do representante do município no Conselho de Administração do Hospital de Nª Srª do Rosário, de forma a ser respeitada a legislação e a participação dos órgãos de Poder Local na gestão dos serviços.

Comunidade saudável “é a que menos precisa dos serviços de saúde”

Na discussão da moção, Emídio Xavier, referiu que os Vereadores do Partido Socialista apoiavam a decisão da moção, no sentido de ser nomeado o representante do município no Conselho de Administração do Hospital do Barreiro, porque a “legislação garante aos órgãos de Poder Local a participação”, nesse sentido considerou “normal e saudável” a moção apresentada por Regina Janeiro.
No entanto, deixou duas notas em relação aos considerandos, a primeira sobre a frase utilizada de “uma comunidade de cidadãos saudável”, porque uma comunidade saudável “é a que menos precisa dos serviços de saúde”, referindo que preferia que ficasse – “uma comunidade requer serviços de saúde e não saudável”.
O Presidente da Câmara Municipal do Barreiro, interrompeu e referiu – “está aceite essa alteração”.

Hospital ter um défice ou não ter défice, isso não é um drama

O seu segundo comentário foi relativo, à análise feita, sobre a situação do Hospital, como sendo dramático ter 14 milhões de euros de défice corrente – “fico surpreendido”, acrescentando que – “a saúde não é um negócio, e portanto a questão do Hospital ter um défice ou não ter défice, isso não é um drama”.

Na sua opinião a questão é saber se o Hospital é “bem gerido ou mal gerido”.
Acrescentou que falar da gestão do Hospital a partir da questão do défice é dar razão “a todos os economicistas, que acham que o Hospital tem que dar lucro”.
Nesse sentido, sublinhou que votava favoravelmente a moção mas – “começo a recear algum espírito economicista que eu não estava à espera, quando se começa a analisar o funcionamento dos Hospitais”.
Regina Janeiro, recordou que na moção está expresso que o Serviço nacional de Saúde deve “ser tendencialmente gratuito” e que na moção o que se pretende é alertar para um indicador real, devido ao facto de não existir uma gestão efectiva no Hospital do Barreiro e ter sido apenas uma gestão corrente.

Deve preocupar a todos porque são dinheiros públicos

Bruno Vitorino, referiu que concordava integralmente com o teor da moção, porque de facto o Hospital do Barreiro esteve em gestão corrente, sublinhando que “à conta de uma indefinição por parte do Governo” que manteve um ano e meio uma Administração com gestão corrente – “não foi possível programar investimentos e continuar o trabalho que vinha a ser feito”.
Na sua opinião o Vereador Emídio Xavier, faz declarações “para brincar com as palavras, da forma como o fez com um assunto tão grave”.
Por outro lado salientou que os 14 milhões de euros de défice, durante 2006, é um exemplo, que nos “deve preocupar a todos, porque são dinheiros públicos”.

Pode haver défice e o Hospital estar a ser bem gerido

Emídio Xavier, em nova intervenção, referiu que o défice corrente de um Hospital deve “ser analisado apenas pela qualidade do serviço e apenas isso, porque pode não haver défice e estar um Hospital a ser mal gerido, e pode haver défice e o Hospital estar a ser bem gerido, porque a saúde não é uma empresa”.
Por outro lado referiu que a Administração que lá estava, foi indicada pelo Governo e esteve lá até agora – “foi a mesma Administração”.
Sublinhando que não acredita que –“o Conselho de Administração não geriu em condições por vontade própria, não cometo essa injustiça”.
A finalizar, salientou que é legitimo que os órgãos autárquicos tenham o seu representante no Hospital, e – “vou-me bater por isso independentemente de tudo o resto, não fazemos depender esta questão dos considerandos”.

A liberdade de decidir é diferente porque há medidas que não pode tomar

Carlos Humberto, Presidente da Câmara Municipal do Barreiro, salientou que houve uma alteração dos resultados orçamentais na gestão do Hospital do Barreiro – “pode não ter sido, com o facto da gestão estar em corrente”, e , referiu que há diferenças para um Conselho de Administração estar a exercer as suas funções em pleno e estar em gestão corrente – “a liberdade de decidir é diferente porque há medidas que não pode tomar”.
Por outro lado, referiu que a situação orçamental pode ter origem nessa situação – “não digo que tem, pode ter sido”.
Referindo que partir desta referência na moção, para um debate politico-ideológico – “pode ter, não deve, porque não pode concluir que a CDU, defendem uma gestão economicista”.
O Presidente da Câmara considerou que o essencial é que “todos os vereadores” estejam de acordo com a resolução da exigência da nomeação do representante do município no Conselho de Administração do Hospital do Barreiro.
Após o debate a moção foi colocada à votação, sendo aprovada por unanimidade.

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