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Perspectivas

Na Galeria Municipal do BarreiroRitmos! – O Rock em Portugal 1955/1974
. Marca a abertura do Barreiro Rocks

. Barreiro Rocks não há nada igual na Península Ibérica

. Barreiro é quase por excelência a Capital do Rock português

. Na exposição um registo de diversas bandas do Barreiro : OS BETES, OS DARDOS e os PERSPECTIVA

“Há uma cultura do rock no Barreiro. O Barreiro é quase, por excelência digamos a Capital do Rock português ( esta poderá ser uma forma um pouco forte de o dizer), mas, de facto, o Barreiro é das poucas cidades portuguesas que ainda estimula a vinda de bandas estrangeiras de rock a Portugal, e que faz um Festival anual que é reconhecido em todo o mundo.” – referiu ao “Rostos” Edgar Raposo, da Editora GROOVIE RECORDS, um dos responsáveis pela exposição “Ritmos! – O Rock em Portugal .

8 min de leitura
Na Galeria Municipal do Barreiro Ritmos! – O Rock em Portugal 1955/1974 . Marca a abertura do Barreiro Rocks

Por Jornal Rostos

Edgar Raposo sublinhou que a organização desta exposição partiu de um convite da organização do Festival Barreiro Rocks.
“Eu e uns amigos meus somos um grupo que desenvolve uma actividade de recuperação das música portuguesa, dos anos 50, 60 e 70. Nós achámos que era uma boa ideia fazer esta exposição.” – referiu Edgar Raposo.

Mostrar que havia cultura musical em Portugal

“O objectivo da exposição é mostrar às pessoas, que estão desinformadas, porque a informação não passa, um pouco da história da nossa música.
Nós tivemos uma ditadura e a música que existia foi recambiada para o baú, ou não passou cá para fora. Era difícil de encontrar, até porque nem havia dinheiro.
Esta exposição, vai mostrar às pessoas que havia cultura musical em Portugal.” – sublinha Edgar Raposo.

Diversas bandas do Barreiro

“Nesta exposição, quem a visitar encontra uma síntese da música pop rock gravada e produzida em Portugal de 1955 até 1974, antes do 25 de Abril.
Encontram aqui, na exposição, uma síntese das gravações e das bandas que existiam em Portugal e colónias ( que também estão aqui representadas).
Do Barreiro encontra várias coisas, diversas bandas do Barreiro : OS BETES, que eram naturais do Barreiro; OS DARDOS, que eram do Lavradio e dos PERSPECTIVA, uma banda também aqui do Barreiro.
Dos DARDOS até se encontra uma bobine com gravações originais.” – refere.

Barreiro é quase por excelência a Capital do Rock português

“Há uma cultura do rock no Barreiro. O Barreiro é quase, por excelência digamos a Capital do Rock português ( esta poderá ser uma forma um pouco forte de o dizer), mas, de facto, o Barreiro é das poucas cidades portuguesas que ainda estimula a vinda de bandas estrangeiras de rock a Portugal, e que faz um Festival anual que é reconhecido em todo o mundo.” – sublinha Edgar Raposo, Designer, que conjuntamente com Luís Futre, ambos da Editora GROOVIE RECORDS ( cuja actividade é direccionada para o rocks, promovendo reedições e edições novas) são os responsáveis pela exposição “Ritmos! – O Rock em Portugal 1955/1974”, que pode ser visitada na Galeria Municipal, de terça-feira a sábado, das 14 às 20 horas, até 20 de Dezembro.

Entusiasmo extraordinário pelos anos 60

Daniel Bacelar, actualmente com 64 anos, que aos 17 anos, nos anos 60, foi um dos nomes de referência em Portugal que marcou o género musical do rock ‘n´ roll no movimento que o transformou no Twist.
Daniel Bacelar, reside em Lisboa, no entanto, respondeu ao convite e marcou presença na inauguração da exposição - “Ritmos! – O Rock em Portugal 1955/1974” – sublinhou ao “rostos” que considera esta iniciativa “giríssima” e referiu a existência de um conjunto de blog’s dinamizados por jovens de 20 anos - “que naquela altura não existiam” – que geram um “entusiasmo extraordinário por estas coisas dos anos 60”.
“Naquela altura, quando eu gravei, não havia tanto interesse. Hoje há muito mais interesse e eu acho muito graça, porque as pessoas estão a prestar uma atenção a coisas que se registaram no passado, num tempo em que existiam muitas dificuldades de fazer discos e espectáculos. Por essa razão acho muita piada a estas exposições e ao assinalar estas efemérides.”

O que é preciso é tocar e a malta divertir-se

Entretanto, Daniel Bacelar, sobre o Barreiro Rocks sublinhou – “É uma iniciativa óptima. O que é preciso é tocar e a malta divertir-se.”
Nesta sua visita ao Barreiro, veio reencontrar-se na exposição, nesse mergulho aos anos 60, sublinhando : “Acho piada. Tudo o que ai está eu tenho lá em casa, mas há uma certa diferença, entre ter as coisas em casa e estar numa exposição e ver o passado. É giro. É como estar a partilhar a memória”.

Estamos a fazer a abertura do Barreiro Rocks

Carlos Ramos, da Hey, Pachuco! – Associação Cultural, entidade promotora do Barreiro Rocks, referiu ao “Rostos” que - “Esta exposição está enquadrada no Festival Barreiro Rocks. Nós todos os anos tentamos ter várias iniciativas, que não seja só a música. O ano passado houve um ciclo de cinema. Já promovemos exposições.
Este ano apostámos em promover uma exposição maior e conseguimos fazê-la, portanto, pode dizer-se que com a inauguração desta exposição estamos a fazer a abertura do Barreiro Rocks.”

Bandas a tocar e D’J até às tantas da manhã

“O Barreiro Rocks vai manter-se no mesmo formato, com quatro bandas por noite. A única diferença é que a festa após os concertos, porque há pessoas de outras partes do país e espanhóis, assim como pessoas de Lisboa que vêem para o Barreiro, não havendo sitio para ficarem até às 6 horas da manhã. Normalmente a festa continua até ás 6 da manhã noutro sitio, este ano a festa vai continuar nos Ferroviários, com um palco secundário.
Isto significa que, após a última banda tocar, continuam, noutro palco, bandas a tocar e D’J até às tantas da manhã.” – referiu Carlos Ramos.

Consolidar o Barreiro como um palco de iniciativas

“O Barreiro Rocks está a consolidar-se. Nós achamos que sim, porque cada vez é mais fácil promover o festival, cada vez é mais fácil arranjar os parceiros que queremos, e, por outro lado, cada vez temos mais bandas a quererem vir tocar ao Barreiro Rocks.
Há uns anos atrás, nós tentávamos procurar bandas. Hoje sentimos que o Festival já é prestigiado.
O Barreiro Rocks sendo feito para um nicho de pessoas, tem o seu público e não há nada igual na Península Ibérica, por isso vem muita gente de fora do país e de fora da cidade, nos dias do Festival, no Barreiro.
Mais que consolidar o Festival o importante é consolidar o Barreiro como um palco de iniciativas, fortes, que marcam e dão visibilidade.” – salienta Carlos Ramos, da Hey, Pachuco! – Associação Cultural.

A exposição - Ritmos! – O Rock em Portugal 1955/1974

Esta mostra convida o público a relembrar toda a história de um estilo musical que marcou o mundo com novas tendências, formas de estar na sociedade e, fundamentalmente, a criação de vários estilos musicais que surgiram a partir do rock ‘n’ roll.

Cronologicamente a exposição retrata a década de 50, época em que começaram a aparecer os primeiros conjuntos e cantores como Joaquim Costa e os Rapazes da Estrela, José Manuel Silva conhecido como Baby Rock, os Babies, do José Cid, entre muitos outros.

Nos anos 60, mudam-se os artistas, mudam-se os géneros e o rock ‘n´ roll transforma-se no Twist, no Ye-Ye, no Surf e outros géneros associados à dança.
Com uma nova cultura e música direccionadas para a juventude, começam a surgir dezenas de novas bandas por todo o País e colónias.

A música, inspirada pelos discos que a Censura deixava passar, era composta por versões da música tradicional portuguesa, podendo, assim, agradar a todas as idades, e por êxitos internacionais, com letras em português.
Entre eles destacaram-se o Daniel Bacelar, o Vítor Gomes, Os Conchas, o Fernando Conde, Os Titãs, entre muitos outros.

Em 1965 a música ganha um novo conteúdo devido à realidade que se fez sentir na guerra colonial. Se anteriormente qualquer forma de revolta e contestação estava ligada a figuras públicas e movimentos estudantis, a música e as próprias letras começaram a ganhar maior relevo e a ser cada vez mais reivindicativas. Cantavam os Ekos "sou um ser desprezado, onde tudo está errado", e o Quarteto 1111 gritava "liberdade".

O que a Censura não conseguia alcançar, por estar escrito em inglês ou por ser transmitido via rádios pirata inglesas, veio influenciar e dar origem a novos géneros musicais.
Do psicadelismo à música de intervenção, Portugal estava a ficar contaminado por toda uma nova cultura que se estendeu ao cinema e às restantes artes.

Um olhar sobre a exposição...

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