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Perspectivas

Rotary do Barreiro homenageia Eurico Garrido“O Barreiro continua a ter um dos bons hospitais do país e isso em grande parte o devemos ao Eurico Garrido”

Ontem, o Rotary Club do Barreiro agraciou o médico Eurico Garrido, atribuindo-lhe o Prémio de Profissional do Ano, evocando o trabalho realizado pelo médico enquanto Director do Hospital do Barreiro entre os anos de 1985 e 2003, tendo coordenado a passagem dos serviços para o Hospital de Nossa Senhora do Rosário.
Do galardão, Eurico Garrido considerou ser “para todo o corpo clínico do hospital, para todos os profissionais não médicos e para a inserção do hospital no Barreiro”.

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Rotary do Barreiro homenageia Eurico Garrido “O Barreiro continua a ter um dos bons hospitais do país e isso em grande parte o devemos ao Eurico Garrido”

Por Jornal Rostos

“Faltam aqui de certeza muitas funções e cargos desempenhados na sua carreira, sempre com muito mérito e brilhantismo”

O rotário Janeiro Neves fez uma breve apresentação do currículo de Eurico Garrido, sublinhando: “faltam aqui de certeza muitas funções e cargos desempenhados na sua carreira, sempre com muito mérito e brilhantismo”. Nascido em Vila Nova de Gaia no ano de 1940, Eurico Garrido concluiu a Licenciatura em Medicina pela Universidade de Coimbra em 1964, tendo passado como interno de Neurocirurgia no Centro Hospitalar de Coimbra e entre os anos de 1966 e 1968 como médico do Quadro Comum do Ultramar, em Moçambique. Galardoado com o Título de Cirurgião pela Ordem dos Médicos em 1970, Eurico Garrido foi, entre 1985 e 1987, director do Hospital Distrital do Barreiro, tendo coordenado a transferência dos serviços para o Hospital Novo, continuando a exercer a função de Director Clínico do Hospital de Nossa Senhora do Rosário até 2003, ano em que cessa funções por aposentação.

“Uma excelente oportunidade de homenagear este profissional tão conhecido e tão dedicado, que tanto prestígio goza do Barreiro”

Miguel de Sousa, convidado do rotário Janeiro Neves, considerou a atribuição do Prémio de Profissional do Ano ao médico Eurico Garrido: “uma excelente oportunidade de homenagear este profissional tão conhecido e tão dedicado, que tanto prestígio goza do Barreiro”. Contando que o conhecimento com o galardoado data dos tempos de liceu, confessa ser uma amizade que se estende já há 55 anos e “que sempre se manteve num padrão impecável”. Disse ainda ter trabalhado na companhia de Eurico Garrido no Hospital Nossa Senhora do Rosário, no Barreiro, e que nesse tempo “nunca houve o mínimo atrito, deslealdade ou deselegância” e sublinha: “Quantas pessoas podem dizer isto?”.

“Não há em muitos hospitais do país uma Unidade de Radioterapia como a que temos”

E fez uso das memórias para recordar o tempo em que trabalharam no Hospital do Barreiro: “Quando em 1964 abrimos o serviço de urgência, começámos a trazer para o Barreiro a medicina que se fazia no mundo”. E acrescenta que a instalação dos hospitais distritais foi um movimento muito importante:” na medida em que o hospital foi evoluindo e que houve pessoas que optaram, o que foi o nosso caso, por deixar os hospitais centrais e transportar, para a chamada província, esse conhecimento”.
Referiu que desde 1975 até 1995, esses vinte anos foram marcados pela instalação de uma rede hospitalar por todo o país e comenta: “onde praticamente nada existia, excepto os Hospitais das Misericórdias que viviam como podiam, mas que infelizmente não tinham a qualidade técnica assistencial, nem a qualidade científica”. E actualmente considera: “A medicina que se faz hoje nos hospitais distritais é exactamente igual, da mesma qualidade e do mesmo nível da dos hospitais centrais”, sublinhando que as diferenças podem passar pelo desenvolvimento de algumas especialidades nos hospitais centrais, mas também adverte: “por necessidades nacionais”. Do Hospital Nossa Senhora do Rosário refere: “não há em muitos hospitais do país uma Unidade de Radioterapia como a que temos” e que considera ser “uma instalação de nível superior”.

“O Barreiro continua a ter um dos bons hospitais do país e isso em grande parte o devemos ao Eurico Garrido”

Essa evolução diz ter resultado do trabalho de muitos anos e, nesse sentido, deixou um repto: “Só me resta pedir aos restantes internos da medicina que seja possível manter o nível que ainda temos”, o que diz ser dificultado, muitas vezes, pela razão que acrescenta: “hoje em dia está a ser abandonado aquilo a que se chama as carreiras médicas”.
E apesar de apontar que “quebras de qualidade aqui e ali possam ter havido”, considera: “O Barreiro continua a ter um dos bons hospitais do país e isso em grande parte o devemos ao Eurico Garrido”.

“Um acto de simpatia e de homenagem à área da saúde que anda a ser um pouco maltratada no país”

Por sua vez, o homenageado da noite, o médico Eurico Garrido, disse ser com emoção que recebeu a notícia desse galardão e considerou-o: “um acto de simpatia e de homenagem à área da saúde que anda a ser um pouco maltratada no país”. E sem falsas modéstias, acrescentou: “um galardão não para mim mas para todos os meus colegas e colaboradores que aqui estão”, dirigindo-se à plateia de cerca de 50 pessoas, onde muitas figuras da medicina marcaram presença.

No Barreiro, onde se começou “novamente” a realizar profissionalmente e pessoalmente

Da passagem pelo Hospital Nossa Senhora do Rosário quis sublinhar: “a relação fraterna de amizade e o gosto pela minha estadia na Instituição” e acrescentou ainda que foi no Barreiro que começou “novamente” a realizar-se a nível profissional e pessoal e o local onde diz que os seus filhos cresceram. Dessa fase a que apelidou de “estupenda”, refere ter predominado “um grande crescimento, desenvolvimento, sacrifício de trabalho”, o que o faz concluir: “penso que deu os seus frutos”. Não quis deixar ainda de fazer referência ao médico Agostinho Nunes, a quem chamou de pai espiritual.

“ (…) Se um hospital não estiver inserido na sua comunidade e se a comunidade também não trabalhar com ele, não se desenvolve”.

Numa homenagem que insistiu ser “para todo o corpo clínico do hospital, para todos os profissionais não médicos e para a inserção do hospital no Barreiro”, quis deixar uma chamada de atenção: “Para que as pessoas saibam que se um hospital não estiver inserido na sua comunidade, e se a comunidade também não trabalhar com ele, não se desenvolve”.

“É para nós um prazer comemorar este dia”
O presidente do Rotary Club do Barreiro, Álvaro Gaspar, recordou ser Outubro o Mês do Profissionalismo, no qual todos os Clubes Rotary assinalam a data, ao destacarem um profissional do ano, adiantando que o profissionalismo e a ética na profissão são valores de grande importância no movimento rotário e, por essa razão, expressou: “ É para nós um prazer comemorar este dia”, no que disse ser uma “cerimónia simples, modesta mas de grande valor do que é para nós o profissional do ano”.

Andreia Lopes Gonçalves

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