No Barreiro – Empresários da Quimiparque debatem futuro do territórioProjecto que “irá revolucionar a cidade, a região e o país”
O objectivo focado por Carlos Humberto, presidente da Câmara Municipal do Barreiro, para a Quimiparque foi o de que o território “não se feche em si mesmo”, considerando essencial que se converta num “território para trabalhar e para viver”.
O autarca foi mais longe, referindo que pretende para o espaço da Quimiparque: “Que tenha um papel no século XXI que já tinha no século XX, de trabalho e de modernização”, mas também adverte que seja actualizado aos dias de hoje e por isso está dividido em três centralidades, de forma a reunir diferentes actividades, desde de carácter empresarial, lúdico, recreativo e científico.

Por Jornal Rostos
Depois de ter sido apresentado publicamente o plano “Desenvolvimento Empresarial e Urbano do Território da Quimiparque – Estratégia e Plano de Acção”, decorreu ontem, na Cooperativa Cultural Popular Barreirense, um debate com os empresários da Quimiparque acerca desse projecto encomendado pela Câmara Municipal do Barreiro e pelo Conselho de Administração da Quimiparque. As questões das acessibilidades, construção de um novo Porto e a preocupação com a deslocalização de algumas empresas foram pontos levantados pelos empresários.
Projecto para a Quimiparque, uma “visão que não está fechada”
O presidente da Câmara Municipal do Barreiro, Carlos Humberto, começou por referir que a reunião se inseria num conjunto de outras a realizar até ao final do ano que têm por finalidade fazer a oscultação do plano apresentado para a Quimiparque, uma “visão que não está fechada”, como faz questão em sublinhar, projectando para o início de 2008 a passagem para uma nova fase de estratégia, questão que António Gaspar, assessor da Administração para a Comunicação da empresa Quimitécnica Ambiente – Tratamento de Resíduos e Efluentes S.A, teve uma palavra a dizer, ao questionar se não seria essa uma “visão muito optimista”, uma vez que “as questões macro ainda não estão resolvidas”, comentou.
Grandes interrogações ainda sem resposta – 3ª Travessia do Tejo, Oficinas de Alta Velocidade e APL
E essas grandes questões que ainda não têm resposta foram apresentadas pelo edil barreirense que focou a dúvida de se a 3ª Travessia do Tejo sempre será entre Chelas e o Barreiro, “como é que o Porto de Lisboa (APL) responde ao desafio que lhe fizemos e se as Oficinas de Alta Velocidade ficam ou não no Barreiro”. Interrogações que deseja que venham a ser clarificadas à medida que avança o projecto e considera que no primeiro trimestre de 2008 estarão definidas, especialmente a questão da nova ponte “que não se pode arrastar muito”, sublinha pela necessidade de ficar clarificada para que “o TGV avance”.
Projecto que “irá revolucionar a cidade, a região e o país”
O arquitecto Tomás Salgado sublinhou que essas questões, ainda que importantes, e mesmo que, no caso da ponte, essa infra-estrutura que já está contemplada no projecto, não são essenciais para que o projecto da Quimiparque avance. Um projecto que o presidente da Câmara do Barreiro considera que “irá revolucionar a cidade, a região e o país”, sublinhando que é “indispensável ter esta visão estratégica, ou próxima desta, porque a Área Metropolitana de Lisboa e o País necessitam” e acrescenta: “para que a Área Metropolitana de Lisboa cumpra o seu papel de motor de desenvolvimento do país, é necessário que cresça, que tenha melhores acessibilidades e que olhe para si como um todo”.
Um “território para trabalhar e para viver”
E o objectivo focado pelo presidente da Câmara para a Quimiparque foi o de que o território “não se feche em si mesmo”, considerando essencial que se converta num “território para trabalhar e para viver” e foi mais longe, referindo que pretende para o espaço da Quimiparque: “Que tenha um papel no século XXI que já tinha no século XX, de trabalho e de modernização”, mas também adverte que seja actualizado aos dias de hoje e por isso está dividido em três centralidades, de forma a reunir diferentes actividades, desde de carácter empresarial, lúdico, recreativo e científico.
Criar as condições para a captação de actividades de logística e pequenas indústrias
Por sua vez, o arquitecto Tomás Salgado defendeu a ideia de que “o Barreiro deve reinventar a sua actividade económica, em tempos assentes na indústria pesada”, considerando que existe no Barreiro espaço para captar um conjunto de actividades económicas, ao que sublinhou as pequenas indústrias, actividades de logística e serviços às empresas e às famílias, actividades que diz “terem aparecido na Área Metropolitana de Lisboa sem grandes condições”, desse modo considera essencial criar as condições para a captação desse tipo de empresas.
O projecto “é compatível com ou sem ponte”
E sublinhando que o projecto apresentado é “exequível”, focou um conjunto de interrogações e de pressupostos que têm de ser clarificados, ao que falou da questão da área ferroviária “que corta o Barreiro em dois” e que segundo o arquitecto necessita de ser clarificada a questão da localização do Parque de Manutenção de Oficinas (PMO) com a Rede Ferroviária de Alta Velocidade (RAVE), para além desta questão falou na necessidade de se esclarecer a área do terminal marítimo com a Administração do Porto de Lisboa (APL) - que está a elaborar um estudo com um prazo de seis meses - e de perceber se a 3ª Travessia do Tejo passa ou não no Barreiro, apesar de afirmar que o projecto “é compatível com ou sem ponte”, sublinha a importância de o Barreiro “ter uma palavra a dizer nesta estrutura”, partindo do pressuposto de que comporta via rodoviária, sublinha: “é fundamental que não exista uma praça de portagem”, o que diz consumir uma área urbana muito grande. E, no caso, da ferrovia refere: “que a ligação à malha ferroviária convencional permita a criação de um interface no Lavradio”. A ter em conta, falou também da descontaminação do subsolo, cujos custos e prazos são elevados, assim como da necessidade de ter uma estratégica jurídica e de um plano financeiro de conjunto ”que cruze estes investimentos e estas receitas”, salienta.
Conciliar a necessidade de funcionar como empresa e a sua requalificação
Tomás Salgado sublinhou ainda a importância de envolver no projecto as empresas já existentes no espaço da Quimiparque, mas adverte: “não se podem manter, nomeadamente à volta da centralidade nº2, certas empresas que não são compatíveis” e por isso fala na necessidade de haver deslocalização de empresas. Por sua vez, o administrador Luís Tavares fez alusão para a importância de pensar a estratégia para a Quimiparque, conciliando a necessidade de funcionar como empresa e a sua requalificação.
“ (…) O que propomos é a deslocalização de algumas empresas que fiquem próximas da zona urbana para a área mais logística”
Os empresários presentes no debate focaram essencialmente as questões das acessibilidades, reforçando a ideia de que muitas empresas se abastecem por via marítima e de que necessitam de um Porto que lhes permita utilizar barcos de maiores dimensões, não vendo com muitos bons olhos a utilização de barcaças e reforçam a importância de a questão das acessibilidades ser mais desenvolvida, focando a utilidade também da acessibilidade ferroviária. Por outro lado, mostraram também alguma preocupação quanto à necessidade de algumas empresas serem deslocalizadas, questão que o presidente da Câmara Municipal do Barreiro clarificou: “defendendo que as empresas que se localizam no terreno se devem manter e nenhum posto de trabalho se deve perder, o que propomos é a deslocalização de algumas empresas que fiquem próximas da zona urbana para a área mais logística” e também advertiu que se trata de um “plano para concretizar em dez, 20,30 anos” e por isso sublinha que esses processos vão ser graduais e que “alguns objectivos vão ser atingidos na fase final”. Quanto às questões do tráfego fluvial colocadas pelos empresários, refere que espera que o estudo da APL venha dar resposta a esse assunto.
“O projecto mais importante da região”
Para a concretização do projecto, e tendo em conta a necessidade de ainda encontrar uma entidade gestora, falou na eventualidade de “o transformar numa coisa parecida com o PIN Mais (Projectos de Potencial Interesse Nacional) ” e acrescentou: “é preciso ganhar o sector ferroviário e o Porto de Lisboa e envolver o Parque EXPO, que já está envolvido, assim como de dialogar com várias entidades da Administração Central”, o que considera essencial para “o projecto mais importante da região”.
Andreia Lopes Gonçalves













