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Perspectivas

No Rotary do Barreiro palestra sobre Arsenal do Alfeite“A Marinha não tem volume para alimentar o estaleiro do Alfeite”

. O Arsenal do Alfeite, em Almada, deverá ser transformado numa empresa no âmbito do Estado

Gonçalves de Brito, Administrador do Arsenal do Alfeite, na última reunião do Rotary Clube do Barreiro, referiu que existe um plano de investimentos de renovação do Arsenal do Alfeite, na ordem dos 70 milhões de euros.

Na sua presença, no Barreiro, Gonçalves de Brito, deu a conhecer a história e a actual realidade do Arsenal do Alfeite que, salientou – “è uma organização que pertence a todos nós e que, é, talvez o último estabelecimento industrial do Estado Português”.

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No Rotary do Barreiro palestra sobre Arsenal do Alfeite “A Marinha não tem volume para alimentar o estaleiro do Alfeite”

Por Jornal Rostos

Na última reunião do Rotary Clube do Barreiro, foi convidado Almirante Vítor Gonçalves de Brito, licenciado na Escola Naval, em Engenharia de Máquinas, em 1967.
Segundo recordou Álvaro Gaspar, presidente da direcção do Rotary, Gonçalves de Brito, após a conclusão do seu curso, embarcou em diversas unidades navais, até ao ano de 1973.
Gonçalves de Brito, é Mestre em Arquitectura Naval, grau que obteve no MIT, nos Estados Unidos, desenvolvendo a sua actividade ao longo de décadas, na área da construção naval.
O Almirante Gonçalves de Brito exerce funções de docente no Instituto Superior Técnico.
Foi Director Técnico do Arsenal do Alfeite, e, ali, actualmente, exerce as funções de Administrador do Arsenal do Alfeite, cargo que assumiu no ano de 2002.

Único estaleiro que existe no Porto de Lisboa

Na sua presença no Rotarry Clube do Barreiro, Gonçalves de Brito, deu a conhecer a história e a actual realidade do Arsenal do Alfeite que, salientou – “è uma organização que pertence a todos nós e que, é, talvez o último estabelecimento industrial do Estado Português”.
Por outro lado, sublinhou que esta “é uma instituição directamente ligada à Marinha”, acrescentando que, “para além de ser uma instituição que serve primariamente a Marinha, eu, que sou um arsenalista de corpo e alma, é uma instituição industrial do país” e o “único estaleiro que existe no Porto de Lisboa.”
Na sua opinião, este é uma das poucas unidades industriais do país, pois ao longos dos últimos anos foram encerrando diversas, desde a Lisnave à CUF, pelo que, Gonçalves de Brito, expressou a sua preocupação se no futuro “não vamos todos acabar a servir cafés no Algarve”.
O Administrador do Arsenal do Alfeite, referiu que “há mais do que isso”, porque, “há capacidade de se trabalhar na indústria”.

Os primeiros petroleiros foram construídos no Arsenal do Alfeite

Gonçalves de Brito recordou que o Arsenal do Alfeite foi criado no ano de 1937, vindo de Lisboa, tendo demorado treze anos a ser construído.
Recordou que muitos poucos dos antigos arsenalistas de Lisboa foram para o Arsenal de Alfeite, sendo excluídos, por razões de ordem política.
O Alfeite tem uma área de cerca de 400 hectares, seno 35 hectares destinados aos Estaleiros.
A actividade do Arsenal do Alfeite terá tido o seu inicio oficial no dia 3 de Maio de 1939, tendo como objectivo construir e reparar navios, podendo construir navios com dimensão até 200 metros.
“Os primeiros petroleiros da SOPONATA foram construídos no Arsenal do Alfeite” – recordou.
Na sua história já construiu 137 navios, ao longo dos anos essa foi a sua principal missão, dos quais 107 foram destinados à Marinha.
O último navio construído foi um salva vidas – Vigilante - com projecto totalmente concebido pelo Arsenal – “foi o primeiro projecto de raiz feito em Portugal”.

Actividade actualmente é 90% dedicada à manutenção

O Arsenal do Alfeite manteve uma Escola de Formação sendo, há vários anos, parceiro do Instituto de Emprego e Formação Profissional, através da sua Escola de Aprendizes.
Ao longos dos anos as suas instalações têm sido aperfeiçoadas de acordo com novas tecnologias para servir a Marinha, embora, referiu – “Nós também prestamos serviços ao exterior”.
No Arsenal do Alfeite existem 35 áreas tecnológicas e a sua actividade, actualmente, é “90% dedicada à manutenção”.
Os Laboratórios estão acreditados pelo Instituto Português da Acreditação. Sublinhando Gonçalves de Brito os serviços de qualidade do Laboratório de Metrologia
Recordando que por exemplo, que devem ser os únicos no país que fazem medições dos “efeitos de vibrações no corpo humano”.

Alfeite factura anualmente cerca de 31 milhões de euros

Gonçalves de Brito, referiu que existe um plano de investimentos de renovação do Arsenal do Alfeite, na ordem dos 70 milhões de euros, sobretudo com a finalidade de “alinhar o estaleiro com as novas necessidades, sobretudo da Marinha” .
Refriu que existe um Departamento de Projecto, que – “é o único de projecto de engenharia que existe em Portugal”.
Na sua intervenção salientou a acção social, nomeadamente a existência de um Infantário que serve 150 crianças, importante apoio aos mais de 1300 trabalhadores do Arsenal do Alfeite.
Recordando que são cumpridas, anualmente, as 40 horas de formação contínua a todos os trabalhadores.
De salientar que no Arsenal do Alfeite 1260 trabalhadores são civis e 110 são militares.
O Arsenal do Alfeite factura anualmente cerca de 31 milhões de euros.
No projecto de actualização de conhecimentos, de referir, estão, actualmente, cerca de 100 trabalhadores do Arsenal do Alfeite, a receber formação em diversos países, na Alemanha, Holanda e Itália.

Marinha não tem volume para alimentar o estaleiro

Gonçalves de Brito sublinhou que o Arsenal do Alfeite tem todas as condições para manutenção de navios e equipamentos, desde reparação de armamento, mísseis, torpedos e equipamento electrónico.
O Arsenal do Alfeite tem, sublinhou, uma excelente localização no Porto de Lisboa, com certificação de qualidade, com capacidades de expansão física.
Referiu, que a “Marinha está numa fase de transição”, no entanto, acrescentou que “a Marinha não tem volume para alimentar o estaleiro do Alfeite”.

Adquirir mais capacidade de intervenção

Gonçalves de Brito, defende que o Arsenal do Alfeite tem que evoluir no sentido de prestar serviços a “navios militares de Marinhas amigas, beneficiando da sua posição geográfica”, recordando que recentemente foi prestado apoio na reparação de um submarino norueguês.
Neste contexto, considerou essencial, “a ampliação das capacidades de sustentação logística integrada”.
e “que não fique cingido à actividade militar” adquirindo mais capacidade de intervenção”.
“O objectivo é que para além dos 30 milhões que facturamos para a Marinha, gradualmente podemos atingir outro tanto para clientes externos” – salientou Gonçalves de Brito.
Para atingir este patamar, referiu que o Arsenal deverá ser transformado numa empresa no âmbito do Estado – “porque um país como o nosso não pode ter as pessoas empregadas a funcionar a 70%”.
Gonçalves de Brito, a finalizar a sua intervenção salientou – “Eu sou um entusiasta do Arsenal:”

Uma Escola Profissional de Tecnologias Navais.

Na sua intervenção referiu que o edifício, fora do perímetro do Arsenal do Alfeite, onde existiram as Oficinas de Armamento e Electrónica, segundo referiu Gonçalves de Brito vai ser alienado, prevendo-se que poderá ser destinado a uma Escola Profissional de Tecnologias Navais.
Por fim formalizou o convite para os rotários e o “Rostos” para assistir à entrega, em Janeiro, do 2º salva vidas - ATENTO – e recordou que o terceiro salva vida será o DILIGENTE.

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