Governadora Civil visita Bombeiros do concelho do Barreiro“O Barreiro está bem servido com estas duas corporações”

Por Jornal Rostos
Bombeiros Voluntários Sul e Sueste – mudança para a Quimiparque prevista para Julho
A visita da Governadora Civil de Setúbal, Eurídice Pereira, teve início pelas actuais instalações do quartel dos Bombeiros Voluntários Sul e Sueste, onde o presidente da Direcção da Corporação, Eduardo Correia, informou que a mudança para as novas instalações na Quimiparque está estimada para o mês de Julho.
Necessidade de um carro de intervenção química
No quartel, o Comandante António Reis referiu que uma das grandes preocupações que os dominam é “o facto de irmos para uma área de risco, sem termos nenhum equipamento de protecção para indústria de risco, química”, ao que adiantou: “vamos herdar os carros dos Bombeiros que lá actuam, mas que já têm cerca de 20 a 30 anos”, referindo-se a três viaturas pesadas do Corpo de Intervenção da Quimiparque e chamou a atenção para a necessidade de um veículo novo destinado à intervenção química.
“Não há dívidas, mas não há capacidade de investimento”
Eduardo Correia sublinhou ainda a falta de apoios que os Bombeiros padecem, ao que referiu que o Barreiro parece ser “o parente pobre” do distrito, em termos de apoios camarário. Sobre a situação da corporação, comentou: “não há dívidas, mas não há capacidade de investimento” e do futuro que se aproxima, comentou: “Temos a esperança que com a mudança física, esta situação mude”.
Necessidade “incontornável” de uma Central de Comunicação nova
Adiantou que está prevista a assinatura de um protocolo com a empresa Tanquipor, uma questão que diz ainda estar a ser analisada mas que poderá rondar uma participação de dois mil e quinhentos a três mil euros, por mês, da empresa, o que Eduardo Correia considera que, ao se concretizar, lhes permitirá “dar alguma capacidade de investimento, a nível de equipamentos”, o que diz ser a maior carência do quartel, agora na fase de mudança. Sublinha ainda a necessidade premente e “incontornável” de uma Central de Comunicação nova, um investimento na ordem dos 40 mil euros. Ainda sobre apoios, a Governadora Civil não deixou de apelar à sensibilidade das empresas para o trabalho feito pelos “soldados da paz”.
Objectivo – que até final de 2008 as obras estejam prontas
De passagem pelas futuras instalações dos Bombeiros Voluntários Sul e Sueste, na Quimiparque, Eduardo Correia explicou que existem dois edifícios que vão servir a corporação, referindo-se a uma primeira instalação com cerca de 430 metros quadrados, onde se irá localizar o Comando, a Direcção e as camaratas de saúde, e sobre a qual adiantou que, dadas as suas condições, necessita apenas de pequenas obras, o que permitirá que, numa primeira fase, já no Verão o quartel possa passar para esse espaço. Quanto ao outro edifício, que se destina à garagem, oficinas e salão, esse necessita de obras de fundo, mas Condinho Araújo, responsável de segurança da Quimiparque, disse estar previsto que as obras estejam terminadas no final de 2008, apesar de a obra poder vir a ser sujeita a concurso.
Corpo de Salvação Pública
A visita seguiu-se pelo quartel dos Bombeiros Voluntários do Barreiro – Corpo de Salvação Pública, no qual o presidente da Direcção, Oliveira Soares, referiu que as questões mais preocupantes são, no seu entender, os acidentes da A2 e IC21, e sobre esta última via comentou: “ultimamente tem dado algum trabalho”, ao que sublinhou que o IC21 é “muito utilizado para transportes de mercadorias perigosas”, fazendo menção a um número de três mil pesados que, por dia, circulam na via. Outra preocupação diz ser no Verão com a Mata da Machada, mas sublinha que “nos últimos dois, três anos, com a vigilância a situação tem melhorado”.
“Fase de expectativa” – veículos rebocados pela PSP deixaram de ser colocados no espaço do quartel
Em relação ao acordo tripartido existente entre a Corporação de Bombeiros, a Câmara Municipal do Barreiro e a Policia de Segurança Pública (PSP) para a cedência de um espaço, com vista ao parqueamento temporário de veículos rebocados pela PSP, o presidente da Direcção do Corpo de Salvação Pública disse estar numa “fase de expectativa”, uma vez que refere que os veículos deixaram de ser colocados nas instalações.
Necessidades
Como necessidades mais premente, Oliveira Soares falou na falta de um veículo ligeiro de combate a incêndios, ao que fundamentou: “Quando as duas Corporações de Bombeiros saem em emergência do Barreiro, o concelho fica desgovernado em termos de combate a incêndio”. Já dispondo de um veículo ligeiro, acrescenta que esses carros são mais rápidos, em caso de urgência, e refere que o que precisam é de adaptar um carro mais velho a essas características, o que diz andar à volta dos três mil euros. Equipas de primeira intervenção foi também uma necessidade apontada pelo presidente, que referiu dispor de apenas 18 assalariados.
“O Barreiro está bem servido com estas duas corporações de Bombeiros”
No final da visita, a Governadora Civil em declaração ao “Rostos”, considerou: “O Barreiro está bem servido com estas duas corporações de Bombeiros”. Dos Bombeiros Voluntários do Sul e Sueste, referiu que a resolução do problema de instalações, através da cedência de infra-estruturas, por parte da Administração da Quimiparque, é uma boa notícia, ao que expressa: “esse problema está a dois passos de ser resolvido e ainda bem, depois terão de fazer o respectivo apetrechamento, mas no global, parece-me que estão no bom caminho”. E a respeito dos Bombeiros Voluntários do Barreiro – Corpo de Salvação Pública, sublinhou o facto de terem um quartel recente, com três anos e expressou:”Estão relativamente bem apetrechados. É evidente que se pode sempre melhorar, e estou convencida de que se irá melhorar”. Razões que a fazem expressar: “Do meu ponto de vista, o Barreiro está bem servido e não o faço por palavras de circunstância, faço-o com a convicção de que assim o é”.
“Se há coisa que nos podem unir são as questões da protecção civil”
Referiu ainda que, enquanto responsável distrital da política de protecção civil, se sente “com a consciência de uma grande responsabilidade”. E das visitas que tem vindo a fazer pelas Corporações dos Bombeiros do distrito, diz procurar potencializar uma maior proximidade, entendendo que: “se há coisa que nos podem unir, são as questões da protecção civil”. Quanto ao objectivo das visitas, diz ser no sentido de encontrar respostas conjuntas, “porque este trabalho tem de ser em rede e não de costas voltadas”, advoga. E na área da Protecção Civil, considera que o distrito de Setúbal “tem, pelas suas características sociais, económicas e sísmicas, responsabilidades acrescidas em relação a muitos outros”.
“Pela primeira vez em cinco anos, a protecção civil é contemplada nos Quadros Comunitários de Apoio”
Ainda no distrito, sublinhou a necessidade de Alcácer do Sal ter um quartel de Bombeiros novo, uma questão que comenta: “as portas estão abertas para que isso se venha a verificar, no âmbito do Quadro de Referência Estratégico Nacional (QREN), se a autarquia e os bombeiros apresentarem candidatura”. Questão que a leva a sublinhar: “Pela primeira vez em cinco anos, a protecção civil é contemplada nos Quadros Comunitários de Apoio” e, nesse sentido, refere que os Bombeiros, os Municípios e a Autoridade Nacional de Protecção Civil têm, pela primeira vez, a possibilidade de se poderem candidatar a fundos de apoio comunitários “para adquirirem equipamentos, para a formação e inclusive para a actualização de planos de emergência”, realçou.
Andreia Catarina Lopes













