Plenário com a População sobre Centro do BarreiroJoan Busquets apresenta projecto no qual a Avenida Alfredo da Silva é a espinha dorsal do centro
Mercado “tem de ser bonito e interessante, tão bonito como um centro comercial”
Multi Development assume a responsabilidade de reconstruir a Avenida Alfredo da Silva
Ontem, realizou-se no auditório da Biblioteca Municipal do Barreiro a reunião com a população, que conclui o período de discussão pública sobre o projecto para a requalificação do Centro do Barreiro, a cargo do arquitecto Joan Busquets, que esteve presente numa sala que se encheu para ouvir a sua visão para esta zona do Barreiro. Constituir a Avenida Alfredo da Silva como espinha dorsal do Centro do Barreiro e proceder à modernização do Mercado Municipal e área adjacente são os compromissos de um projecto, cujas obras vão arrancar a 3 de Março.

Por Jornal Rostos
Multi Development assume a responsabilidade de reconstruir a Avenida Alfredo da Silva
O presidente da Câmara Municipal do Barreiro, Carlos Humberto, começou por informar: “chegámos a mais um passo de acordo com a Multi”, ao que explicou que para além da responsabilidade da empresa Multi Development na construção do edifício do novo Mercado Municipal, do parque de estacionamento subterrâneo, da Praça adjacente e dos estudos de mobilidade para as ruas do centro do Barreiro, a empresa também assume a responsabilidade de reconstruir toda a Avenida Alfredo da Silva, ao que comenta: “é mais um passo na construção da ideia que, de forma paulatina, temos vindo a construir”.
“Alargar o centro mais do que deslocalizá-lo”
O presidente da Câmara do Barreiro referiu ainda que a preocupação inicial, aquando assumido o objectivo de renovar o centro do Barreiro, ao que acrescentou: “que depois de conseguido o projecto, tudo tem de ser construído de forma sistemática e paulatina”, se prendia com a construção do Forum Barreiro, na zona das Cordoarias, pelo receio “que houvesse o perigo da deslocalização do centro para aquela zona” e, por isso, sublinhou que a estratégia definida “muito antes de sermos eleitos”, foi a de “alargar o centro mais do que deslocalizá-lo”. Perante o projecto para o centro do Barreiro, reitera: “o problema não está resolvido”, considerando que falta ainda “encontrar alguns equipamentos âncora da ideia” de Avenida Alfredo da Silva, Rua Miguel Bombarda e Stara Zagora como centro do concelho do Barreiro.
“Como qualquer lisboeta reconhece a Avenida da Liberdade, também devemos considerar que qualquer lisboeta pode reconhecer a Avenida Alfredo da Silva”
O arquitecto Joan Busquets apresentou o seu projecto para o centro do Barreiro e chamou a atenção para a preservação do passado, ao que referiu que a “restruturação do Mercado tem de dar no futuro, a ideia do que existia antes”. Fez menção ao facto de a Avenida Alfredo da Silva estar perpendicular à Avenida da Liberdade e sublinhou que a Avenida Alfredo da Silva pode constituir um lugar de identificação, à semelhança do que acontece com a Avenida da Liberdade, em Lisboa, ligando o rio à Quimiparque. E deu como ambição do projecto que: “Como qualquer lisboeta reconhece a Avenida da Liberdade, também devemos considerar que qualquer lisboeta pode reconhecer a Avenida Alfredo da Silva”. Ainda da relação entre Lisboa e Barreiro, ao que falou de relação norte – sul, entende que as duas margens separadas por “um rio quase mar” se podem converter em elementos que se relacionem directamente, o que diz que influenciará a economia e a dinâmica da cidade do Barreiro.
Avenida Alfredo da Silva - espinha dorsal do Centro do Barreiro
Entendeu ainda que com a construção de um eixo central, um espaço que sirva de espinha dorsal do Centro do Barreiro, que entende ser a Avenida Alfredo da Silva, “o Barreiro Velho encontrará a sua estrutura de futuro”.
E considerando que: “O Barreiro tem a grande capacidade de ver o histórico de Lisboa, que está do outro lado, mas também Lisboa pode reconhecer outros valores no Barreiro”, começou por fazer menção à importância e força de alguns espaços verdes no Barreiro, dos Moinhos de Alburrica e do Barreiro Velho, local que diz ser mais antigo e problemático, mas dá como exemplo a estratégia elaborada para Toledo que trouxe uma série de medidas que “tornaram-na de novo o centro da capital”.
No centro - Afastar o tráfego de automóveis, alargar passeios e arborizá-los
O arquitecto referiu que algumas medidas de acesso ao Centro do Barreiro vão ajudar a construir políticas de reabilitação do espaço público. Acerca dessas medidas falou, ao nível da mobilidade, na necessidade de afastar o tráfego de automóveis do centro e apostar no transporte público e zonas pedonais, ao que comentou: “as cidades da Europa necessitam de carro, mas não a cruzar o centro”. Nesse sentido, considerou que nas ruas do centro do Barreiro, os passeios são estreitos e as árvores escassas e que é necessário alargar os passeios, construídos em calçada portuguesa, e introduzir arborização. Considerando que a respeito da Avenida Alfredo da Silva “é larga o suficiente para os transportes públicos e transporte privado, mas também para introduzir estacionamentos entre árvores, para cargas e descargas e estacionamentos rápidos”.
Importância das árvores – “dão um sentido mais distinto à área”
Para a Rua Miguel Bombarda, diz ter uma solução semelhante, alargando os passeios e arborizando o passeio da zona a oriente e colocando em alguns locais estacionamento para cargas e descargas. Destacou a importância da existência de árvores, que para além da função de dar sombra, “dão um sentido mais distinto à área”. Nas ruas do centro do Barreiro, refere ainda que a velocidade máxima deve ser de 30 quilómetros/hora.
Mercado “tem de ser bonito e interessante, tão bonito como um centro comercial”
A respeito da renovação do Mercado Municipal, chamou a atenção para a necessidade de se responder a duas questões: “qual o sentido do mercado do futuro e que tipo de espaço público temos de produzir no futuro” e adiantou: “se pudermos combinar um Fórum novo e um Mercado antigo, que se pode modernizar, respondemos a estas duas questões”. Nesse sentido, defende que os Mercados têm de ser modernos, tendo a vantagem de as pessoas terem um tratamento mais pessoal, mas com a desvantagem de terem um horário mais limitado do que uma grande superfície e que por isso têm de se modernizar e de ser eficientes. Considerando que o Mercado tem futuro, o que diz que tem de se revisto é a dimensão das lojas, os sistemas de higiene e acrescenta: “tem de ser bonito e interessante, tão bonito como um centro comercial”. Defende por isso que o Mercado seja um ponto de interesse e conforto, por si mesmo.
“Um mercado para o futuro”
Do actual Mercado, considerou que “sendo um edifício que não é classificado de monumento, tinha interesse, pela coerência da sua imagem, das portadas, escala do edifício e da forma” e que, desse modo, o que o projecto defende é que seja mantida a imagem de um edifício antigo. Para se modernizar, defende a inclusão de actividades mais livres, como quiosques, a par das que já existem e sublinha a importância da entrada da luz natural. Considera ainda que o Mercado, a Praça 1640 e o Parque Catarina Eufémia devem ser um único elemento, um grande espaço público e para essa concretização propõe algumas intervenções: que a praça nova tenha no pavimento calçada portuguesa, em duas cores, e que seja uma praça livre para todo o tipo de actividades. Na parte inferior fez menção ao parque de estacionamento com 250 vagas e de uma zona reservada ao estacionamento de comerciantes e de monta-cargas, estacionamento que tem acesso à Praça, através de um elevador. Na parte superior, onde estará o Mercado, sublinha que terá mais de 3 mil metros quadrados. E da cobertura do espaço, em madeira laminada, diz dar uma imagem de conforto, o que considera importante para “um mercado para o futuro”.
Compromissos - Avenida Alfredo da Silva, a espinha dorsal do centro do Barreiro e levar a cabo a “renovação forte do mercado”
Quanto ao Parque Catarina Eufémia, o arquitecto disse ser um espaço agradável, no qual considera que o grande atributo são as árvores “grandes e lindíssimas” mas defende a necessidade de melhorar a zona do lago e a lógica de arborização existente, de modo a colocá-lo em ligação com a Praça e com o Mercado. Joan Busquets concluiu a apresentação, sublinhando o compromisso do projecto em definir, por um lado, que a Avenida Alfredo da Silva constitua a espinha dorsal do centro do Barreiro e, por outro, proceder à “renovação forte do mercado”.
“Tratamos o Barreiro com o mesmo nível de paixão e de entrega profissional que tratamos todas as outras cidades do mundo inteiro”
Da empresa Multi Development, Matias Lopes referiu ser com paixão que assumiram a intervenção no centro do Barreiro e expressou o desejo que se transforme numa “intervenção exemplo”. Com o objectivo de trazer mais qualidade para o centro, disse que a preocupação de ouvir os lojistas e perceber as dificuldades foi tida em conta. Apontou como falhas no centro do Barreiro a falta de gestão urbana, de informação aos lojistas, ao que acrescenta a necessidade de profissionalizar os lojistas com um modelo de gestão comercial e garantir emprego e sectores de qualidade. Terminou a sua intervenção, sublinhando:”A Multi não está aqui para colher louros, não está aqui para ser a banqueira financiadora, a Multi está aqui para introduzir no Barreiro o que pratica por toda a Europa”, referindo estarem envolvidos com projectos em 19 países europeus e rematou: “Tratamos o Barreiro com o mesmo nível de paixão e de entrega profissional que tratamos todas as outras cidades do mundo inteiro”.
Estátua Alfredo da Silva deverá ser colocada no Largo das Obras
No período de intervenção do público, foram dadas algumas sugestões e colocadas interrogações pelos munícipes presentes. O futuro da Estátua Alfredo da Silva, que não está contemplada no projecto, foi uma delas, ao que o presidente da Câmara referiu que o primeiro projecto apresentado pelo arquitecto colocava a estátua no chão, mas adverte: “mas a estátua é um todo, uma obra de artista, que não se pode separar” e que diz que é incompatível com o projecto elaborado para a zona, por isso considera: “Com todo o respeito que a pessoa merece, para o bem e para o mal, o que defendo é que, como um todo, a estátua seja deslocada para uma outra zona, com respeitabilidade e dignidade”. E disse que a zona mais provável para a sua colocação será no Largo das Obras, onde vai ser construída uma rotunda. Quanto à sugestão dada por alguns cidadãos de que a estátua deveria ficar perto da zona do Mausoléu Alfredo da Silva e do Museu Industrial, considerou: “tornava mais complexa e atrasava a solução, porque ficava condicionado com o projecto para a Quimiparque”.
“(…) há duas fachadas que têm de ser sacrificadas, senão não conseguíamos alargar o Mercado”
Ainda no sentido de serem resguardas as memórias, foi levantada a questão da preservação da estrutura original do edifício do Mercado, ao que os munícipes questionaram, uma vez que está garantida a preservação das duas fachadas para a Rua Eça de Queirós e para a Avenida Alfredo da Silva, o porquê de não acontecer o mesmo com a fachada voltada para a Praça 1640. A respeito dessa questão, o presidente da Câmara referiu que no estudo do mercado existiam limitações, que se prendiam com a dimensão máxima possível para o edifício, que se ultrapassasse “matava o espaço público”. Uma vez que se pretendia que o Mercado trouxesse vida própria e animação “precisávamos de uma dimensão maior”, comenta e para isso sublinha que não se podia manter todas as fachadas, ao que sustenta: “só é possível crescer para trás ou para o lado e, por isso, há duas fachadas que têm de ser sacrificadas, senão não conseguíamos alargar o Mercado”.
“Partimos do princípio, que para nós é o objectivo, de que as pessoas que lá estão hoje a vender, continuem lá”
De forma a animar o comércio tradicional houve quem defendesse que na futura taxa de estacionamento subterrâneo, a franquia na primeira hora fosse mais reduzida, de modo a atrair mais pessoas. A respeito da modernização do mercado, o edil barreirense sublinhou: “partimos do princípio, que para nós é o objectivo, de que as pessoas que lá estão hoje a vender, continuem lá” e acrescenta: “são condicionalismos e é com eles que temos de tentar encontrar soluções o mais dinâmicas possíveis” e, sobre isso, defendeu uma “gestão cuidada, empenhada e objectivos claros”. O aumento da dimensão do Mercado diz surgir no sentido de “incorporar outras coisas”, que considera que são ainda insuficientes mas advoga: ”isto é um processo dinâmico” e acrescenta: “O ponto de partida não será necessariamente igual ao ponto de chegada e o ponto de chegada da inauguração do mercado não será o ponto de chegada daqui a dois anos”. E remata: “Só se justifica esta intervenção pesada do ponto de vista financeiro e urbanístico, se tiver estes objectivos”.
Alguns reparos à entrada para o parque de estacionamento na praça
A entrada para o parque de estacionamento na Praça também foi alvo de alguns reparos, aos que os munícipes consideraram ser um elemento pesado que poderia ser colocado noutro lado, em resposta o arquitecto Joan Busquets referiu que é por uma razão técnica que se encontra no largo e considerou que essa entrada, que apelidou de “volume de cristal e não pesado”, permite o acesso do parque de estacionamento à Praça e ao Mercado e que não impossibilita a realização de eventos, porque considera que a sua transparência a torna “fluida”.
“O Barreiro Velho não é tão grande que não possa ser reabilitado”
Um dos munícipes, depois de sugerir a pedonização e cobertura do Pátio Albers, que liga a Rua Miguel Bombarda ao Campo das Cordoarias, questionou o arquitecto se fazia sentido que na zona velha da cidade houvesse um mercado organizado, regulamentado, como forma de atrair pessoas e também valorizando a zona, ao que Joan Busquets respondeu que em relação ao Barreiro Velho considera que “pela tipografia das ruas e pelos elementos das casas se pode recuperar”, ao que acrescenta que falta somar alguns elementos e, no seu entender, trazer actividades e vivacidades para a zona pode ser um desse elementos. Mas deixou o conselho: “O Barreiro Velho não é tão grande que não possa ser reabilitado” e acrescentou: “As cidades não se constroem num dia, é um trabalho que dura gerações”.
Necessidade de serem recuperados os eixos de entrada para o Barreiro Velho
A questão da necessidade de serem recuperados os eixos de entrada para o Barreiro Velho foi também levantada, nomeadamente a respeito da Rua Professor Egas Moniz e Avenida Henrique Galvão, uma vez que o projecto contempla a entrada pela Rua Eusébio Leão, houve quem considerasse que seria uma boa altura para serem melhorados esses corredores, ao que o presidente da Câmara sustentou: “é preciso ter em linha de conta que o que foi pedido ao arquitecto que estudasse foi a Avenida Alfredo da Silva, a Rua Miguel Bombarda e Stara Zagora, a zona do Mercado e o Parque” e acrescenta: “É claro que se tivéssemos meios financeiros em condições, teríamos pedido estudos para o conjunto da freguesia do Barreiro, ou se quisermos para este núcleo central mais histórico”.
Joan Busquets pode vir a estudar outros elementos do concelho
Em conclusão, o presidente da Câmara Municipal do Barreiro disse estar “satisfeitíssimo por termos encontrado possibilidades” para levar a cabo o projecto, cujas obras vão ter início a 3 de Março e sublinhando “não podemos avançar, com pena nossa, que o arquitecto vai estudar o Barreiro Velho”, adiantou: “Estamos convencidos de que, daqui a algum tempo, vai estudar outras coisa no concelho, tão ou mais importantes do que o Barreiro Velho”.
Andreia Catarina Lopes













