Protocolo entre Câmara do Barreiro e GalitosConcretizado um sonho com mais de 50 anos
“Em curto prazo, se a ponte vier, estamos em condições de articular a terceira travessia com o Campo dos Galitos”
Ontem foi assinado entre a Câmara do Barreiro e o Galitos Futebol Clube um protocolo de cedência de direito de superfície de duas parcelas de terreno, onde estão implantados os campos de futebol do Clube, uma aspiração já com mais de 50 anos e, por isso, o dia de ontem foi considerado pelo Clube como “marcante” nos seus 73 anos de história.
Por sua vez, o presidente da Câmara chamou a atenção para as alterações que a vinda da terceira travessia sobre o Tejo terá no concelho, ao que comentou que o traçado da ponte: “obrigará a que se desloque o Campo do Galitos”, uma questão que diz estar em condições de ser articulada.

Por Jornal Rostos
“Um dia muito especial, em que todos estamos de parabéns”
O presidente do Galitos Futebol Clube, Carlos Filipe, referiu tratar-se de “um dia muito especial, em que todos estamos de parabéns” e esses parabéns partilhou-os com a Câmara do Barreiro “que fez justiça em atribuir a cedência dos terrenos”, à Junta de Freguesia de Santo André “por ter estado do nosso lado e por ser nosso parceiro na construção” e ao Galitos “por ver concretizado um sonho com mais de 50 anos”. Um Clube com 73 anos de história “sempre a favor da inclusão social”, sublinha e acrescenta: “Nunca comprámos formação para as nossas equipas, nós formamos”. A cedência dos terrenos onde estão implantados os campos de futebol têm como objectivo a construção de infra-estruturas desportivas, com destaque para a modalidade de Futebol e edifício vocacionado para o apoio às modalidades, o que o presidente do Clube considera importante para a projecção do Barreiro no âmbito do futebol. Um desafio que espera que seja o quanto antes concretizado, com a construção de um Centro de Formação de Futebol do Galitos Futebol Clube.
“Já em 25 de Abril de 1935 era já senhor do terreno”
O presidente da Junta de Freguesia de Santo André, João Raio, disse ser com “redobrado orgulho e dupla satisfação” que assistia à cerimónia de assinatura de protocolo e lembrou que desde sempre o campo foi utilizado pelo Clube, ao que comenta: “Já em 25 de Abril de 1935 era já senhor do terreno”. Quanto ao futuro, lançou o mote: “Mãos à obra” e mostrou a disponibilidade da Junta de Freguesia na construção dos equipamentos: “Contam connosco, já que a Junta também conta convosco”.
“Penso que a Câmara é que tem de estar agradecida ao Galitos”
O presidente da Câmara Municipal do Barreiro, Carlos Humberto, disse ser com “prazer e satisfação que cumprimos um dever” a uma associação que diz “ocupar a população mais jovem” e que dá “oportunidade aos mais velhos de terem um ponto de encontro” e, por isso, sublinha: “Penso que a Câmara é que tem de estar agradecida ao Galitos”, considerando que através da promoção da prática desportiva “ajuda a que a saúde da população seja melhor” e “combate um certo isolamento que a sociedade nos empurra hoje”.
Terrenos – “Estão em melhores condições de serem aproveitados nas mãos dos Galitos, do que na Câmara”
Quanto aos terrenos, o presidente da Câmara, considera: “estão em melhores condições de serem aproveitados nas mãos dos Galitos, do que na Câmara” e acrescenta: “não vejo razão para que não tivesse sido feita há mais tempo”. E reconhecendo que “a Câmara não tem níveis financeiros para apoiar o movimento associativo”, adianta: “mas tem outros meios”, considerando a cedência de terrenos, um deles. E revelou ainda a disponibilidade da Câmara “para cooperar na construção das futuras instalações” do Galitos.
Se vier a 3ªtravessia do Tejo - “O Barreiro vai estar nos próximos quatro, cinco anos em obras, vai ser um grande estaleiro com todos os inconvenientes que isso tem”
O edil barreirense não deixou de falar na terceira travessia do Tejo, uma vez que a sua construção irá trazer uma série de transformações ao território do Barreiro e também à freguesia de Santo André. Começou por comentar: “Jamais defenderíamos que a ponte viesse para o Barreiro, se não fosse uma decisão acertada para o país”. E do Barreiro, considerou: “uma terra com muita história, que se sacrificou pelo país e é essa a nossa obrigação”. Do traçado da ponte, sublinha que se a ponte vier a ser construída no Barreiro, vais entrar em território barreirense pelos terrenos da Quimiparque e seguirá em direcção ao prolongamento do IC21 e sublinha: “vão ser construídas uma imensidão de infra-estruturas”, ao que acrescenta: “O Barreiro vai estar nos próximos quatro, cinco anos em obras, vai ser um grande estaleiro com todos os inconvenientes que isso tem”.
Necessidade de “serem construídos um conjunto de arruamentos e acessibilidades que mudarão o concelho”
No Lavradio, entre a Escola Álvaro Velho e as Oficinas de Transportes Colectivos do Barreiro, o presidente da Câmara diz que vai ser construída “a maior Estação Ferroviária a Sul do Tejo”, de onde diz que virá a ligação rodoviária e ao Metro Sul do Tejo. Fala por isso na necessidade de “serem construídos um conjunto de arruamentos e de acessibilidades que mudarão o concelho”. E nessa mudança, diz que a freguesia de Santo André também será afectada, ao que prossegue: “um dos principais nós vai ser no chamado nó da Vila Chã que é daí que partirá a ligação para o Seixal.”
Traçado da ponte - “obrigara a que se desloque o Campo do Galitos”
De portagens refere que “eventualmente não haverá”, adiantando que o que poderá existir é uma portagem neutral de mecanismo de contagem de carros, mas advertiu: “não estou a dizer que não é paga”. Ainda quanto ao traçado da ponte, sublinha: “obrigara a que se desloque o Campo do Galitos”. Fundamentando: “o actual IC21 deixa de ser o IC21 para passar a ser o acesso à Ponte e, ao lado, tem de se construir o IC21 para dar acesso ao Barreiro”. Uma “obra imensa”, onde sublinha que “nas futuras instalações do Galitos tem de se ter isso em conta”. E concluiu: “Em curto prazo, se a ponte vier, estamos em condições de articular a terceira travessia com o Campo dos Galitos”.
Dia de festa
O sócio nº 1 do Clube não quis deixar de endereçar algumas palavras à Câmara pela iniciativa da cedência dos terrenos, agradecendo: “esta grande prova de simpatia para com o Galitos”. E em dia de festa, o Grupo Coral de Santo André marcou presença com a sua actuação na sede do Clube.
Valor anual simbólico de 50 euros a pagar pelo Galitos
Da cedência de terrenos que não é a título definitivo, é constituída por um prazo de 50 anos, que poderá ser prorrogado por um período de 25 anos. Não é uma cedência onerosa e por isso não inclui o pagamento do Imposto Municipal sobre as Transmissões Onerosas de Imóveis (IMT). Está estabelecido, por outra, o pagamento pelo Galitos de um valor anual simbólico de 50 euros, como ónus superficiário, ao Município do Barreiro, para que seja mantido o vínculo contratual.
Andreia Catarina Lopes













