Barreiro – Conferência “Absentismo Escolar e Indisciplina na Sala de Aula”"Quando se abre uma escola, fecha-se uma prisão"

Por Jornal Rostos
Absentismo escolar e Indisciplina na Sala de Aula - “uma realidade presente”
O juiz de Direito do Tribunal de Família e Menores do Barreiro, António José Fialho, começou por sublinhar a pertinência do tema que serve de mote para a conferência e que diz ser “uma realidade presente” e do problema da indisciplina na sala de aula alertou para o facto de poder estar “associado a comportamentos de risco”. Sublinhou o papel importante que a família deve ter no acompanhamento da vida escolar dos educandos e na prevenção de comportamentos que possam conduzir ao abandono escolar.
Absentismo mais junto da população que não valoriza o tipo de ensinamento que se pratica na escola
Definindo o abandono escolar de jovens até aos 15 anos, referiu que essas situações tendem a acontecer junto da população que não valoriza o tipo de ensinamento que se pratica na escola, dando o exemplo da etnia cigana, cujos ensinamentos passam sobretudo pela transmissão oral. Nesse sentido, chamou a importância para que se tenha presente o Princípio Constitucional de Igualdade de Direitos e de Deveres e para que a escola não se torne num “mundo desconhecido e ameaçador” para crianças que vêm de culturas diferentes.
Indisciplina e o Meio Escolar
A Indisciplina e o Meio Escolar é outro dos temas que diz ir ser abordado na conferência e sublinha que se trata dos “comportamentos que transgridem as normas escolares” e que se tornam perturbadores para a acção do professor. Alertou ainda para o facto de “indisciplina raras vezes ser delinquência”, colocando em causa mais a ordem da escola, do que a da sociedade.
“Ser jovem não significa ser apático”
O juiz António José Fialho referiu ainda que os problemas de absentismo escolar e de indisciplina suscitam em primeiro lugar a intervenção da Escola, depois, se for caso disso, a Comissão de Protecção de Menores e só depois o Tribunal de Família e Menores e chamou a atenção para a importância de as intervenções terem em conta medidas que suscitem a prevalência na família, sendo que a principal responsabilidade nestas questões é parental. Destes problemas, considera que podem ser “reflexo dos conflitos que grassam na sociedade em geral”, chamando a atenção para a crise de valores e para os confrontos geracionais que ocorrem nos dias de hoje. E sublinhou a importância de se ter em conta que “ser jovem não significa ser apático” e que a sociedade de hoje é mais imprevisível, ao que acrescenta o papel que a tecnologia assume na formação dos mais jovens que têm assim acesso a outros conhecimentos, que deixam de ser “clássicos e uniformes”.
Importância da relação pedagógica entre professores e alunos
Para o professor sublinha o facto de o controlo da disciplina ser uma das tarefas mais difíceis, mas adverte: “o sucesso da sua actividade acentua-se ao nível da relação pedagógica que consegue estabelecer com os alunos”. Acrescenta também o perigo de a escola se tornar num dever, o que pode originar uma fonte de desinteresse. Por isso defende que a escola tem de ser entendida como “um local onde se enriquece” e onde a pedagogia tenha em atenção que as crianças aprendem mais através da imitação.
Escola não está indissociável da sociedade
Da organização do evento, sublinhou o facto de terem surgido alguns reparos quanto às entidades promotoras, por não serem consideradas as mais adequadas, tratando-se de um tema que diz respeito à Educação, ao que justificou que a Escola não está indissociável da sociedade, da qual é parte integrante. Considerando que o tema não se esgota no espaço escolar e acrescentou ainda: “dos seis oradores, quatro deles desempenham ou desempenharam funções na educação”. E para o debate, que ocupa a tarde de hoje, lançou o mote: “Que todos se posicionem de uma forma descomprometida e crítica” e utilizou a célebre frase do escritor Victor Hugo: "Quando se abre uma escola, fecha-se uma prisão”, para elucidar a importância que a escola tem na formação dos cidadãos.
De sublinhar que esta iniciativa é da organização do Tribunal de Família e Menores do Barreiro, da Delegação da Ordem dos Advogados da Comarca do Barreiro, da Comissão de Protecção de Crianças e Jovens do Barreiro, da Equipa de Setúbal 2 da Direcção-Geral da Reinserção Social e com apoio da Câmara Municipal do Barreiro.
Andreia Catarina Lopes













