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Perspectivas

Debate do Grupo de Amigos Barreiro VelhoNão deixar morrer 500 ou 600 anos da história do Barreiro

. Na Escola Conde Ferreira em análise a criação da “Escola de Artes e Ofícios”

. Encontro de Instituições do Barreiro Velho, nos próximos dias 25, 26 e 27 de Abril, com a finalidade de ser promovida uma reflexão sobre “reabilitação e revitalização do Barreiro Velho”

“Até ao Verão vamos tomar algumas medidas para o Barreiro velho” sublinhou o presidente da Câmara Municipal do Barreiro, no decorrer do debate promovido pelo Grupo de Amigos do Barreiro Velho.
Carlos Humberto referiu a realização de um “Plano de Circulação”, a “actualização de Estudos Urbanísticos” e a criação de um Gabinete de Estudos e Acompanhamento do Barreiro Velho”.

Regina Janeiro, Vereadora do Pelouro da Cultura, divulgou que foi concretizado recentemente um “Relatório de Caracterização Social do Barreiro Velho”.

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Debate do Grupo de Amigos Barreiro Velho Não deixar morrer 500 ou 600 anos da história do Barreiro

Por Jornal Rostos

O Barreiro Velho esteve em debate no Café “O Pial”, no Barreiro, numa iniciativa promovida pelo Grupo de Amigos do Barreiro Velho, que contou com a participação de Carlos Humberto, presidente da Câmara Municipal do Barreiro; Regina Janeiro, Vereadora da Câmara Municipal do Barreiro, responsável pelo Pelouro da Cultura e Raul Malacão, presidente da Junta de Freguesia do Barreiro.
Uma conversa à mesa do café que se prolongou por cerca de quatro horas, onde foram realizadas diversas intervenções e reflexões sobre a realidade actual do Barreiro Velho e perspectivas futuras.

Encontro de Instituições do Barreiro Velho

Rosário Vaz, do Grupo de Amigos do Barreiro Velho, referiu que o Barreiro Velho é um espaço onde “há muito para fazer” e sublinhou que as actividades que têm vindo a ser desenvolvidas pelo Grupo visam “dar a dignidade ao espaço que ele merece”.
Recordou diversas iniciativas que têm vindo a ser dinamizadas, nomeadamente a animação dos Santos Populares e a Feira da Ladra, que já vai na sua 4ª realização, envolvendo escolas e animando de forma positiva o Largo do Casal.
Sublinhou que uma das próximas actividades será direccionada para dar vida ao Pátio dos Bichos e divulgou a realização de um Encontro de Instituições do Barreiro Velho, nos próximos dias 25, 26 e 27 de Abril, com a finalidade de ser promovida uma reflexão sobre “reabilitação e revitalização do Barreiro Velho”.
Na sua opinião o Barreiro Velho precisa de “ter gente” e “gente diferente da que lá está”.

Barreiro Velho já foi o centro do Barreiro

O presidente da Câmara Municipal do Barreiro, considerou importante que seja efectuada uma reflexão em conjunto que ajude a procurar caminhos e a definir uma estratégia e políticas de intervenção na zona do Barreiro Velho.
Sublinhou a necessidade encontrar respostas à pergunta : “Porque chegámos aqui?” e sublinhou a importância de ser elaborado “um diagnóstico da situação que vivemos” e “encontrar respostas”.
Carlos Humberto recordou que o “Barreiro Velho já foi o centro do Barreiro” , e, referiu as dificuldades e capacidades para encontrar soluções.
O autarca referiu que “tenho escutado intervenções que apontam soluções fáceis, assim como tira o coelho da cartola” e recordou que existem “uma multiplicidade de problemas de grande dimensão”.

Transformar o Barreiro numa terra para viver e trabalhar

Na sua opinião perante os problemas existentes é necessário “salvar o que é essencial” e referiu para que o Barreiro saia da “crise económica, social e emocional” que está a viver precisa, em primeiro lugar de promover o seu “desenvolvimento económico e o emprego” e para tal, salientou é preciso “uma gestão das oportunidades.”
O presidente da Câmara Municipal do Barreiro considerou essencial “transformar o Barreiro numa terra para viver e trabalhar e não ser apenas “uma terra para viver”.
Na sua intervenção referiu a Terceira Travessia do Tejo, a intervenção no território da Quimiparque, a renovação da Avenida Alfredo da Silva, a zona do campo do Futebol Clube Barreirense e o Fórum Barreiro, como factores importantes que podem contribuir para “transforma o Barreiro numa centralidade”.
O presidente da Câmara Municipal do Barreiro salientou que o Plano Director Municipal não pode dar “saltos qualitativos” enquanto não estiveram clarificadas questões como a ponte Barreiro-Chelas, o território da Quimiparque, sublinhando a necessidade de integrar a revisão do PDM na sua adaptação ao PROT.

Até ao Verão vamos tomar algumas medidas para o Barreiro Velho

Carlos Humberto salientou que “não tem medo das especulações politicas” e que sobre o Barreiro Velho, nos objectivos todos “estamos de acordo”, mas, referiu que a “Câmara Municipal do Barreiro não tem meios financeiros” e concorda que a autarquia “não pode ser indiferentes a nada”, no entanto, “tem as suas competências”, sublinhando que “não vale a pena enganarmo-nos uns aos outros”.
“Até ao Verão vamos tomar algumas medidas para o Barreiro velho” sublinhou o presidente da Câmara Municipal do Barreiro, referindo como exemplos a realização de um “Plano de Circulação”, a “actualização de Estudos Urbanísticos e a criação de um Gabinete de Estudos e Acompanhamento do Barreiro Velho”.
“Não vamos cruzar os braços” – referiu, recordando que nasceu e cresceu não Barreiro Velho e, portanto, até “por razões emocionais” tem uma atenção especial por aquela zona do concelho – “ainda gostava de voltar a viver no Barreiro Velho”, sublinhou o autarca.
Na sua opinião a intervenção que vai ser concretizada na Avenida Alfredo da Silva “é um contributo para o Barreiro Velho” mesmo que de forma indirecta.

Concretizado “Relatório de Caracterização Social do Barreiro Velho”

Regina Janeiro, Vereadora do Pelouro da Cultura, divulgou que foi concretizado recentemente um “Relatório de Caracterização Social do Barreiro Velho” e sublinhou que, com a Segurança Social de Setúbal têm vindo a ser avaliadas as situações com “mais dificuldades” no concelho do Barreiro, nomeadamente Quinta da Mina, Bairro das Palmeiras, Bairro Alves Redol, Barreiro Velho e Quinta da Amoreira.
Recordou que o Vale da Amoreira tem sido apoiada a sua revitalização pelo Poder Central e que a Quinta da Mina, ali ao lado, não tem merecido atenção.
A autarca considerou importante que em relação ao Barreiro Velho sejam “definidas metas” de forma a “combater as causas e suas consequências” e sublinhou ser importante – “que as pessoas se fixem no Barreiro Velho”.

Freguesia do Barreiro é aquela que mais problemas

Raul Malacão, presidente da Junta de Freguesia do Barreiro, sublinhou que “a freguesia do Barreiro é aquela que mais problemas tem no concelho do Barreiro” e expressou as suas preocupações com a situação financeira da Câmara que não permite maiores intervenções.
“Sinto-me satisfeito por ser eleito no actual mandato” referiu, porque existe uma “boa articulação entre as Câmara e a Junta de Freguesia”

A Câmara deveria fazer cumprir a Lei

Após as intervenções de abertura seguiu-se um período de debate, com as mais diversas intervenções.
“Somos adversários políticos, não somos adversários em relação ao amor que temos pelo Barreiro” – referiu Cabos Gonçalves dirigindo-se ao presidente da Câmara Municipal do Barreiro, acrescentando que, Carlos Humberto, já “deu provas que a história do diálogo e da participação não é uma figura de estilo e propaganda”.
Cabos Gonçalves sublinhou que – “não há efectivamente uma estratégia para o Barreiro Velho”, referindo o grau de insucesso do RECRIA e a não aplicação da lei que determina que sejam feitas obras nas habitações de 8 em 8 anos, nesse sentido, referiu – “a Câmara deveria fazer cumprir a Lei”.
Na sua opinião a resolução do problema do Barreiro Velho passa por “ter vida própria, sem ser só de noite e ás sextas e sábados”, apontando como caminho – “transformar as casas em lojinhas”, sendo este um contributo do Barreiro Velho para resolver o problema estruturante do emprego.
Na sua intervenção defendeu a criação da Sociedade de Reabilitação Urbana, embora, acrescentando – “hoje tenho sérias dúvidas”.
Na sua intervenção Cabos Gonçalves sublinhou que – “A Câmara tem dar um sinal que tem vontade politica de intervir”.

Tratar da alma e não só do corpo do Barreiro Velho

José Caro Proença, referiu a importância de se transformar as mentalidades, sublinhando que é preciso “tratar da alma e não só do corpo do Barreiro Velho”, acrescentando que existe uma riqueza – “o Barreiro tem uma memória viva”.
Na sua opinião – “o Barreiro foi uma terra progressista e hoje não é” e sugeriu que fosse dada vida ao espaço junto ao painel de azulejos de Zé Cândido sendo criado –“ o canto do Canto Livre ” dando vida “aquela natureza morta”.

O Barreiro Velho estar a cair

Eduarda Fernandes, sublinhou que – “não há lama sem corpo” e alertou para o facto de “o Barreiro Velho estar a cair”.
Na sua intervenção referiu que, hoje, são pedidas verbas de 40 mil contos por casinhas no Barreiro Velho e considerou que é preciso tomar medidas para travar a especulação.
Na sua opinião as casas do Barreiro Velho podem não ter valor arquitectónico isoladas, mas existe um valor de arquitectura de conjunto.

Deixa-se morrer 500 ou 600 anos da história do Barreiro

Eduardo Porfírio, salientou que “se o Barreiro Velho se perder, perde-se a identidade do Barreiro, se o Barreiro Velho se perder, o Barreiro vai ser uma terra incaracterística” porque “deixa-se morrer 500 ou 600 anos da sua história”.
“As sucessivas Câmaras não têm tido a preocupação em valorizar a identidade cultural” – sublinhou.
Na sua opinião é preciso criar movimentos para que “os políticos se mexam”.
Recordou que os “mecanismos legais são quase nulos” referindo que o RECRIA “não é feito à nossa dimensão” e admitiu que o PROHABITA “possa ser avaliado”.
Eduardo Porfírio sublinhou que “há muita coisa que está feita” e considerou que no Barreiro Velho é “necessário intervir no edificado”.
“Estou de acordo com as dificuldades definidas pelo Presidente da Câmara e que muita coisa não é feita pela falta de tempo” e considerou que “há soluções, que já foram indicadas várias soluções”, mas, salientou Eduardo Porfírio – “é impossível agarrar o Barreiro Velho como um todo, é preciso intervir em “núcleos de reabilitação” criando-se “pontos de irradiação”.

Encontrar soluções para o Clube 22 de Novembro

O debate esteve animado sendo sugerido a criação de serviços de proximidade “para valorizar as pessoas que vivem no Barreiro Velho”, efectuados alertas para que se encontrem soluções para o Clube 22 de Novembro, ou a dinamização no Barreiro Velho de “nichos cosmopolitas” de forma a que “o Barreiro Velho possa ser o nosso Bairro Alto”.

O Barreiro Velho reflecte a nossa multiculturalidade

Foi salientado que os jovens podem ser geradores de dinâmicas de vivência no Barreiro Velho.
“O Barreiro Velho reflecte a nossa multiculturalidade” – foi referido, recordando que – “há muita coisa que está para além do betão”.
“É preciso criar amor pelo Barreiro” – foi salientado.
José Barbosa, salientou a necessidade de clarificação dos conceitos de reabilitação e teceu criticas ao facto de a Administração Pública não ter politicas de investimento na reabilitação, porque se limita a “investimentos nos espaços públicos”, apontou a necessidade de implementação de “politicas de financiamento públicos” assim como a clarificação de “qual o papel das autarquias”.

Vida à noite no Barreiro Velho foi um erro

Por outro lado salientou que as pessoas que vivem no Barreiro Velho são “populações frágeis” e que a “vida à noite no Barreiro Velho foi um erro”.
Eduardo Porfírio, sublinhou que na definição de politicas de reabilitação tem que “entrar a componente social”.
Carlos Pires referiu que “a autarquia tem meios para pressionar os proprietários” que mantém as casas fechadas “à espera de melhores preços”.

Na Escola Conde Ferreira em análise a criação da “Escola de Artes e Ofícios”

Regina Janeiro, no final do debate divulgou que para a antiga Escola Conde Ferreira está em análise a criação da “Escola de Artes e Ofícios”, por outro lado, salientou que a população do Barreiro Velho se caracteriza pelo “envelhecimento”, ter “carências económicas” e são famílias com “muitos filhos”.

Não é fácil resolver o problema do Barreiro Velho

O presidente da Câmara Municipal do Barreiro, no final, sublinhou que “não é fácil resolver o problema do Barreiro Velho, recordou que, antes de ser presidente da Câmara tinha a opinião que a animação nocturna contribuía para dar vida ao Barreiro Velho – “Hoje tenho dúvidas. As reclamações das pessoas que vivem lá são diárias”.
O autarca expressou a sua total disponibilidade para encontrar soluções para o Barreiro Velho e recordou que aquela zona do concelho “não está à margem da crise” que afectou o concelho do Barreiro nos últimos anos.
Referiu que foram apresentadas três candidaturas direccionadas para encontrar soluções para o Barreiro Velho, mas “não foram aprovadas”.
Por outro lado, referiu que no novo Regulamento Urbanístico foi definido que – “quem construir no Barreiro Velho paga menos taxas”.

Gabinete de Reabilitação do Barreiro Velho irá funcionar nas instalações do Café Praiense

O presidente da Câmara Municipal do Barreiro divulgou que o Gabinete de Reabilitação do Barreiro Velho irá funcionar nas instalações do Café Praiense que estão a ser reconstruídas.
No final o autarca admitiu que não existe definida uma estratégia global para o Barreiro Velho, mas, sublinhou que estão a ser dinamizadas um conjunto de medidas de intervenção que podem ser um contributo essencial para a definição de uma intervenção estratégica.

S. P.

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