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Perspectivas

Barreiro – Reunião do Conselho Geral do PEDEPESLigação dos dois extremos da CRIPS possibilita “a cidade de duas margens”

Ponte Barreiro-Chelas fecha o anel ferroviário da AML

“Não há possibilidade de resolver o congestionamento de tráfego na Ponte 25 de Abril, sem uma travessia Algés/Trafaria”

Reforço das acessibilidades entre os centros urbanos que estruturam o arco ribeirinho da Margem Sul

Ontem realizou-se no AMAC uma reunião do Conselho Geral do PEDEPES, tendo em linha de conta a discussão da mobilidade e acessibilidade na Península de Setúbal, face às recentes decisões governamentais. Na reunião foi apresentado o "Estudo Conceptual para a Definição de uma Estratégia de Acessibilidades e Transportes para a Península de Setúbal”, da AMRS que defende um conjunto de prioridades, tendo já em conta a construção do novo aeroporto no campo de tiro de Alcochete e a terceira travessia do Tejo Barreiro/Chelas. O estudo defende também a construção de uma ponte Algés/Trafaria como única forma de acabar com os congestionamentos na Ponte 25 de Abril.

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Barreiro – Reunião do Conselho Geral do PEDEPES Ligação dos dois extremos da CRIPS possibilita “a cidade de duas margens”

Por Jornal Rostos

A localização do Novo Aeroporto de Lisboa em Alcochete, a decisão de construir a terceira travessia do Tejo Barreiro-Chelas, com valências rodoviária e ferroviárias, e a construção da grande Plataforma Logística do Poceirão foram medidas que suscitaram a elaboração de um estudo para a definição de uma estratégia de acessibilidades e transportes na Península de Setúbal. E coube ao professor Catedrático do Instituto Superior Técnico, na área de Urbanismo e Transportes, Fernando Nunes da Silva, a apresentação da “Síntese do Conceito de Acessibilidades e Transportes” retirado do Estudo, adjudicado pela Associação de Municípios da Região de Setúbal (AMRS) ao CISED, tendo em conta as medidas estruturantes apontadas pelo PEDEPES. E nessa apresentação, Fernando Nunes da Silva defendeu, para além do fecho do anel rodoviário e ferroviário da área Metropolitana de Lisboa, a construção de uma ponte Algés/Trafaria, ao que considerou: “não há possibilidade de resolver o congestionamento de tráfego na Ponte 25 de Abril, sem uma travessia Algés/Trafaria”.

Conclusão da CRIPS e das suas ligações, de modo a permitir o fecho do anel rodoviário

Fernando Nunes da Silva sublinhou que na elaboração do estudo houve o cuidado de “partir da realidade existente”, para além de um “esforço de inter-relação entre os vários transportes e inter-relação com o ordenamento e o desenvolvimento do território”. O documento, que é uma primeira síntese do Conceito de Acessibilidade e Transportes, defende três níveis distintos de intervenções, a supra-regional, a regional e a intra-regional, estabelecendo um conjunto de prioridades em termos de acessibilidades e transportes na Península de Setúbal. Para além da defesa de uma nova travessia sobre o Tejo Algés/Trafaria, para além da do Barreiro-Chelas, nas componentes “rodoviária e, eventualmente, ferroviária ligeira”, o estudo defende a necessidade de uma reestruturação do transporte fluvial (no rio Tejo), a conclusão da CRIPS e das suas ligações, de modo a permitir o fecho do anel rodoviário, assim como uma nova ligação rodoviária entre o Barreiro e Montijo e a necessidade de transportes colectivos rodoviários como serviço integrado entre Setúbal e Palmela.

Ligação dos dois extremos da CRIPS possibilita “a cidade de duas margens”

Nas intervenções supra-regional, as quais sublinha que visam assegurar as ligações ao exterior da Península de Setúbal, Fernando Nunes da Silva defende o fecho do anel rodoviário, pela conclusão da CRIPS, uma medida que considera fundamental para a distribuição do tráfego e de acesso ao novo Aeroporto de Lisboa e sublinhou que a ligação dos dois extremos da CRIPS possibilita “a cidade de duas margens.” O fecho do anel ferroviário da Área Metropolitana de Lisboa (AML) será possível pela nova Ponte-Barreiro Chelas, através de um corredor único que suporta a alta velocidade e a ferrovia convencional.

Intervenções regionais – potenciadas “do ponto de vista rodoviário e ferroviário”

Nas intervenções regionais, que visam assegurar as ligações entre a margem norte da AML à cidade de Lisboa, e os principais núcleos urbanos e pólos de actividades da Península de Setúbal, sublinha a importância de ser potenciada “do ponto de vista rodoviário e ferroviário”. A nível ferroviário, falou na necessidade de se potenciar o nó do Pinhal Novo que considera ser um elemento fundamental, a par do de Coina e do da Quinta do Conde, contribuindo para “o desenvolvimento da actividade económica da Península de Setúbal”. Em termos rodoviários, o plano aponta para a formação de um sistema em tridente que estrutura o território interno ao grande arco criado pela rede supra-regional. A ligação a Lisboa e AML Norte é feita através da Ponte 25 de Abril e Vasco da Gama e a Lisboa através da futura travessia Barreiro-Chelas.

Reforço das acessibilidades entre os centros urbanos que estruturam o arco ribeirinho da Margem Sul

A nível das intervenções intra-regional, que diz dizerem respeito a ligações mais internas, sublinha a necessidades das ligações entre Sesimbra, Setúbal e Palmela e também de Setúbal, Montijo, Alcochete, através de um reforço das ligações internas ao Arco Ribeirinho e pela implementação de serviços de transporte colectivo. A ligação entre o Barreiro e o Seixal também foi apontada pelo professor Catedrático como “imprescindível de se fazer”. No plano está estabelecida a necessidade da “consolidação do arco ribeirinho da margem sul do estuário do Tejo, enquanto parte integrante da ‘cidade das duas margens’” e essa consolidação, em que se tem em conta os novos projectos de requalificação do tecido urbano ribeirinho, em Almada (ex-Lisnave), no Barreiro (Quimiparque) e no Seixal (zona ribeirinha), implica “o reforço das acessibilidades entre os diversos centros urbanos que estruturam este arco e a melhoria das condições de acesso aos seus pontos de conexão com a AML - Norte (travessias físicas e fluviais) ”.

Necessidade de uma entidade institucional para levar a cabo os projectos para a região de Setúbal

Ainda na reunião, o presidente da Associação de Municípios da Região de Setúbal (AMRS), Alfredo Monteiro, sublinhou o facto de a Península de Setúbal ter “visto reduzido o investimento de PIDDAC em 74,2%” entre os anos de 2002 e 2008 e lançou o desafio à Administração Central para a criação de uma entidade institucional, com a função de articular os projectos previstos para o distrito de Setúbal e que tenha em conta a presença dos municípios e dos agentes regionais.

Andreia Catarina Lopes

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