521º aniversário da freguesia do Barreiro“A freguesia do Barreiro e os 100 anos da CUF”
Raul Malacão, presidente da Junta de Freguesia do Barreiro, recordou a génese da freguesia do Barreiro e sublinhou que esta terra sempre foi conhecida, por outras terras, pela sua tradição operária – “terra das fábricas e dos operários”.
Regina Janeiro, vereadora do pelouro da Cultura da Câmara Municipal do Barreiro, sublinhou que estas iniciativas são importantes para recordar e redescobrir as memórias da CUF e a sua importância nos últimos 100 anos, para que – “não se esqueça o que foi o passado”.

Por Jornal Rostos
No âmbito das comemorações do 521º aniversário da freguesia do Barreiro (1487 – 2008) a Junta de Freguesia do Barreiro promoveu, no Auditório da Biblioteca Municipal do Barreiro, uma iniciativa subordinada ao tema “A freguesia do Barreiro e os 100 anos da CUF”, em colaboração com o Movimento Barreiro, Património, Memória e Futuro.
No âmbito desta actividade decorreu um encontro de ex-trabalhadores da CUF/Quimigal.
A mesa que dirigiu os trabalhos foi composta por Raul Malacão, presidente da Junta de Freguesia do Barreiro; Regina Janeiro, vereadora do pelouro da Cultura da Câmara Municipal do Barreiro; Helder Madeira, presidente da Assembleia Municipal do Barreiro; José Costa, Júlio Dias e Armando Teixeira, membros do Movimento Barreiro, Património, Memória e Futuro.
Terra das fábricas e dos operários
A sessão teve o seu inicio com um agradável momento musical proporcionado pela Escola de Jazz do Barreiro.
No período das intervenções, Raul Malacão, presidente da Junta de Freguesia do Barreiro, recordou a génese da freguesia do Barreiro e sublinhou que esta terra sempre foi conhecida, por outras terras, pela sua tradição operária – “terra das fábricas e dos operários”.
Raul Malacão que “a CUF marcou o Barreiro contemporâneo e as suas gentes”, recordando que nos anos 50, naquela empresa trabalhavam mais de 10 mil trabalhadores, tendo sido muitas famílias que ali construíram a sua vida e, sendo a CUF, uma referência das lutas de muitas gerações.
Génese da freguesia do Barreiro está no período de “pleno expansionismo português”
Júlio Dias, sublinhou que a génese da freguesia do Barreiro se cruzou com o período de “pleno expansionismo português” dos descobrimentos, sendo o Barreiro uma referência em diversas actividades de moagem e sal.
Referiu, Júlio Dias, que no período da Revolução Industrial – 1859 - no Barreiro instalou-se o Caminho de Ferro e instalaram-se as fábricas da cortiça.
Sublinhou que em 1900, o Barreiro contava com aproximadamente 7800 habitantes e foi esta a matriz sociológica que a CUF encontrou no Barreiro, quando, aqui, se instalou em 1907.
Ambiente austero e paternalista caracterizava a CUF.
Armando Teixeira fez um percurso cronológico pelas memórias da CUF, recordando o patrão que “não gostava de sindicatos”, o “ambiente austero e paternalista” que, na sua opinião, caracterizava a CUF.
Recordou que em 1930 o Barreiro era “uma razoável vila industrial” e evocou as memórias de diversas lutas operárias 18 de Janeiro de 1934, a Greve de 1943, o episódio da Bandeira Vermelha, dando um particular destaque às dinâmicas do Partido Comunista Português.
“A CUF em fuga aos impostos aplicava nos bens sociais”
Carlos Oliveira – Bóia- recordou as suas origens no Bairro Operário da CUF e referenciou o facto de tardiamente se iniciarem acções para assinalar o centenário da CUF.
Carlos Alberto – Carló – salientou que as regalias sociais que a CUF proporcionava aos seus trabalhadores – “não foram inocentes benfeitorias”, defendendo que – “A CUF em fuga aos impostos aplicava nos bens sociais”.
No qe diz respeito à Segurança Social – Caixa de Previdência da CUF, Carlos Alberto, expressou a opinião “a CUF era mais beneficiada” porque retinha o seu capital, acrescentando que “a CUF arrecadou muito dinheiro da morte prematura dos trabalhadores”.
Cerca de 5000 crianças do Ensino Básico visitaram o Museu Industrial da Quimiparque
Regina Janeiro, vereadora do pelouro da Cultura da Câmara Municipal do Barreiro, sublinhou que estas iniciativas são importantes para recordar e redescobrir as memórias da CUF e a sua importância nos últimos 100 anos, para que – “não se esqueça o que foi o passado”.
A autarca referiu que diversas iniciativas estão a ser desenvolvidas para assinalar os cem anos da CUF no Barreiro e recordou que cerca de 5000 crianças do Ensino Básico já visitaram o Museu Industrial da Quimiparque, de forma a que as crianças de hoje, possam perceber “o que era o operário”.
Regina Janeiro, divulgou que em Outubro, vai realizar-se, no Barreiro, um Seminário Internacional, tendo como tema : “A CUF e a indústria do século XX”.













