Dia Mundial do Teatro no BarreiroArteviva estreia “A Grande Revista do Século XX”
“Os barreirenses sentem o teatro como forma de estar e de ser”
“Creio que hoje podemos dizer que o Mês do Teatro é uma referência no Barreiro”, expressou a vereadora Regina Janeiro, hoje, em conferência de imprensa, no Dia Mundial do Teatro, em que a companhia Arteviva estreia a peça “A Grande Revista do Século XX”, que conta com a presença do conceituado autor Fernando Arrabal. E nesta data em que se homenageia as artes teatrais, a vereadora expressou a vontade de levar a cabo “a recolha monográfica do mundo do teatro no Barreiro”.

Por Jornal Rostos
Considerando que Março já está assumido no Barreiro, como “Mês do Teatro”, a vereadora da Cultura da Câmara Municipal do Barreiro, Regina Janeiro, sublinha que essa circunstância pode ser comprovada “pelo que se tem passado desde o dia 1 de Março”, referindo-se à programação de teatro que tem marcado este mês, ao que comenta: “o público entusiasta tem ajudado a fazer a Festa do Teatro na cidade do Barreiro”. Quanto a esse dinamismo de que fala, em torno do teatro, entende que se deve ao trabalho desenvolvido pelos grupos teatrais do concelho.
3 dias, 3 estreias de peças de teatro - “mostram que o teatro na nossa cidade está vivo”
Fez alusão a três estreias “de seguida” que marcam o Mês do Teatro e que no seu entender: “mostram que o teatro na nossa cidade está vivo”. Para além da estreia de hoje de “A Grande Revista do Século XX”, no Auditório Municipal Augusto Cabrita (AMAC), o Arteviva leva à cena amanhã, Dia Mundial da Juventude, às 22 horas, no Teatro Municipal, a estreia de “Fim de Linha”, de Letizia Russo. E, por sua vez, o Prójector Grupo de Teatro estreia a peça “Adriana Mater”, do escritor e jornalista Libanês, Amin Maalouf, no dia 29 de Março, pelas 21h30, nos Franceses. Três dias de estreias de peças de grupos teatrais do concelho. Da estreia da peça de hoje, a vereadora considerou ser “um momento histórico para a cidade, para o teatro da Cidade e para o Arteviva”.
Vontade de levar a cabo “a recolha monográfica do mundo do teatro no Barreiro”
A vereadora fez ainda alusão à história do teatro no Barreiro, sublinhando que as suas referências são já muito antigas e, nesse sentido, revelou a vontade de se levar a cabo “a recolha monográfica do mundo do teatro no Barreiro”, considerando que são muitas as memórias e que falta o registo dessa história, um desafio que considera importante perseguir no futuro. Das memórias, fez menção ao fundador do primeiro Grupo de Teatro da SFAL, D. José Carcomo Lobo; ao Teatro de Ensaio do Barreiro; ao aparecimento do “Clube 22 de Novembro”; assim como às “tradicionais revistas à portuguesa” que dinamizavam as colectividades do concelho.
“Os barreirenses sentem o teatro como forma de estar e de ser”
Do Dia Mundial do Teatro, que diz ser o “corolário do Mês do Teatro”, considera que no Barreiro “acontece há 27 dias” e sublinha a presença do público nos espectáculos que se têm realizado. As “salas cheias” que diz que têm predominado, neste mês de actuações teatrais, fazem-na expressar: “ os barreirenses sentem o teatro como forma de estar e de ser”. E enquanto responsável pelo pelouro da Cultura revelou a “vontade de continuar a fazer do teatro um espaço de criatividade, onde a imaginação não tenha limites”.
“Sinto uma grande honra em fazer parte desta equipa”
O director do Arteviva, Jorge Cardoso, quis falar do presente e do futuro do teatro no Barreiro, sublinhando que a estreia da peça “A Grande Revista do Século XX” faz parte desse presente mas também do futuro, constituindo “uma testemunha da história viva do teatro na cidade”. Realçou ainda o facto de o Arteviva ter três peças em cena durante o mês de Março, pois para além das duas estreias, tem em cena desde o início do mês a peça infantil “A Adivinha”. Uma produção de espectáculos que diz ser possível pelo facto de o “Arteviva ter um conjunto enorme de pessoas a trabalhar, por ter vários encenadores e uma escola de teatro a funcionar.” E expressou: “Sinto uma grande honra em fazer parte desta equipa”.
“O próprio programa do espectáculo será um documento histórico”
Da estreia de hoje, sublinha o facto de que “o próprio programa do espectáculo será um documento histórico”. Não quis deixar também de fazer referência à presença do autor Fernando Arrabal no Barreiro: “Só o facto de estar entre nós, no Dia Mundial do Teatro, é, por si só, uma referência marcante neste percurso em termos teatrais.” E referiu que o autor “não só fez questão de estar presente na estreia da peça, como fez questão em escrever dois textos”, um referente ao espectáculo: “A Grande Revista do Século XX” e outro dedicado ao Dia Mundial do Teatro, sob o mote: “Viva o Teatro”.
“Movimento pânico” – para “lutar contra esta indeterminação que infelizmente é constante”
Fernando Arrabal, autor de “A Grande Revista do Século XX”, esteve presente na conferência de imprensa e não deixou de contar alguns dos muitos episódios vividos. Do presente fala da falta de críticos de arte na imprensa e da falta que o teatro sente desse elemento, mas considera que actualmente se assiste a “um movimento de renascimento” nas artes do palco e comentou: “Vim aqui e a Lisboa com essa esperança de renascer”. Falou do movimento surrealista a que pertenceu e do “movimento de pânico” que criou, juntamente com Topor e Jodorowsky, e que diz falar de inquietudes, daquilo a que chama de “ambiguidades” a que assistiu o século XX e a que assiste o XXI e que diz estarem presentes na peça que estreia esta noite. Do movimento diz que surge no sentido de “lutar contra esta indeterminação que infelizmente é constante”.
Os titãs do século XX
Sobre a peça, falou dos “titãs do século XX”, século que diz ter começado com o Titanic “um barco transatlântico, essencialmente atlântico” que é na sua opinião “um presságio do século XX”, comportando a ideia “das pessoas que querem fazer um mundo melhor”, considerando que foi essa esperança que predominou durante esse período. E deixa a interrogação: “Até que ponto podem existir hoje esses titãs que sonham com um mundo melhor?”.
A “A Grande Revista do Século XX” ficará em cena no AMAC até 13 de Abril, no seguinte horários: 6ª-feiras e Sábados às 21h30, Domingos às 16h.
Andreia Catarina Lopes













