Reacções da Câmara do Barreiro ao anúncio da ponte Barreiro-Chelas“Hoje não é o fim de um combate, hoje inicia-se uma nova fase para o concelho”
Traçado da Ponte em solo barreirense – 2 alternativas “já muito consolidadas, é uma questão de se optar por uma ou por outra”
“Um dia de satisfação para o concelho”, foi a expressão utilizada pelo presidente da Câmara do Barreiro para falar do dia em que foi anunciado pelo Governo a decisão da construção da Ponte Barreiro-Chelas com componente rodo-ferroviária. Em conferência de imprensa, o presidente da Câmara chamou a atenção para a necessidade de a ponte ser acompanhada de outras infra-estruturas de mobilidade e reconhecendo que a ponte traz vantagens e desvantagens, sublinhou: “É preciso que todos tenhamos os cuidados necessários para transformar a ponte não num problema mas numa grande vantagem para o país”.

Por Jornal Rostos
Depois do anúncio público da decisão de construir uma terceira travessia sobre o Tejo no corredor Barreiro- Chelas, com as componentes rodoviária, ferroviária tradicional e alta velocidade, o presidente da Câmara Municipal do Barreiro, Carlos Humberto, congratulou a decisão que diz servir os interesses nacionais, regionais e os do Barreiro, para que tenha “um futuro mais próspero”, desejou. Considerando que a Ponte Barreiro-Chelas vem responder à necessidade de “uma Área Metropolitana que seja um motor de desenvolvimento da nossa Pátria”, ao que acrescentou: “que se assuma como uma importante cidade de duas margens”, na qual sublinha que o rio Tejo é “a grande praça” e o ponto de encontro entre as margens. Nessa Área Metropolitana polinucleada e mais forte, sublinha a importância de “crescer para Sul”, no sentido em que “reforce o seu papel de uma das principais capitais europeias”.
“Queremos pôr-nos à disposição do país para termos a importância que já tivemos no passado”
“Uma importante decisão que foi tomada”, referiu, ao que acrescentou a necessidade de se “complementar com outras decisões” e, nesse sentido, chamou a atenção para que contribua para o desenvolvimento económico e de emprego do Barreiro, no sentido em que o concelho constitua: “um importante pólo para se viver e trabalhar”. Nesse âmbito, fez alusão aos tempos em que o “Barreiro teve o maior complexo industrial do país”, sublinhando a importância que o sector industrial e ferroviário desempenhou no concelho e afirmou: “Queremos pôr-nos à disposição do país para termos a importância que já tivemos no passado”.
Território da Quimiparque - voltado ao desenvolvimento económico e de emprego
Caminhar no sentido da “cidade criativa e do conhecimento” foi o trilho que apontou para o futuro, através da presença de empresas de novas tecnologias e comentou: “assumimos que o território da Quimiparque tem de ser fundamentalmente um território voltado ao desenvolvimento económico e de emprego”, considerando que a decisão da nova ponte pode ajudar à concretização desse objectivo. Não deixou ainda de sublinhar: “valorizamos as empresas da indústria tradicional, desde que não sejam poluentes, e que se adaptem às condições que a vida impõe”. Fez também menção aos três quilómetros de margem ribeirinha na Quimiparque e realçou a importância de se “alargar e consolidar o centro do Barreiro para aquele território, fechando a malha urbana.”
PDM “já previa a existência desta ponte, por isso, hoje vai ser mais fácil construí-la”
E tendo em linha de conta que o Barreiro é um concelho pequeno, com cerca de 33 quilómetros quadrados, dos quais 13 por cento representam o território da Mata da Machada e dez por cento, o território da Quimiparque, considerou: “Não pensamos que haja problemas de especulação imobiliária”. Ao que acrescentou que o Plano Director Municipal (PDM), que se encontra em revisão, “já previa a existência desta ponte e, por isso, hoje vai ser mais fácil construí-la.”
A ponte “permitir poupar muito tempo nas ligações suburbanas”
Advertiu para a necessidade de se ter em conta as três funcionalidades da ponte, a respeito à rede ferroviária de alta velocidade, referiu: “O TGV apenas passará pelo Barreiro”, mas chamou a atenção para a necessidade de ser criada uma Estação Multimodal Ferroviária “de qualidade arquitectónica e que se insira na malha urbana” e quanto à ferrovia tradicional sublinhou o facto de a ponte “permitir poupar muito tempo nas ligações suburbanas”, dando os exemplos da redução de 20 minutos na viagem entre Setúbal e Lisboa e de 35 minutos entre Lisboa e Algarve.
Necessidade de a ponte ser acompanhada de outras infra-estruturas de mobilidade
Alertou ainda para a necessidade de a ponte ser acompanhada de outras infra-estruturas de mobilidade, fazendo menção à necessidade da construção da ponte rodoviária ao Seixal, sobre o que comentou: “do que conhecemos, isso está previsto”, ao Metro Sul do Tejo “que chegue ao Barreiro e continue pela Moita, Montijo e Alcochete” e a nível rodoviário sublinhou: “precisamos que as vias rodoviárias do concelho sejam naturalmente adaptadas para funcionarem em rede com os novos acessos que a terceira travessia do Tejo nos obriga.” Por estas razões, comentou: “Hoje não é o fim de um combate para o Barreiro, hoje inicia-se uma nova fase para o concelho”. E reconhecendo que a ponte traz vantagens e desvantagens, sublinhou: “É preciso que todos tenhamos os cuidados necessários para transformar a ponte não num problema mas numa grande vantagem para o país”.
“É evidente que vai ter consequências, mas estamos convencidos de que conseguiremos concretizar esta ideia: que a ponte traz mais vantagens do que desvantagens”
Quando questionado sobre as consequências paisagísticas e urbanas que a ponte virá a ter no concelho, o presidente da Câmara do Barreiro referiu que, tendo em base o estudo da RAVE do ponto de vista paisagístico: “pensamos que não são impactos tão agressivos como os que têm vindo a ser referidos e tem claramente mais vantagens do que inconvenientes” e acrescentou: “É preciso fundamentalmente perceber quem diz, porque diz e ter em conta quem estudou o problema”. Quanto aos impactos urbanísticos sublinha que o PDM prevê a sua construção “há muitos anos” e refere que o Comboio de Alta Velocidade deverá passar sempre em túnel pela cidade e por isso “os impactos serão significativamente menores”, sublinha. Quanto à componente ferroviária tradicional e rodoviária considera que “tem impactos até porque o Barreiro passa a ser do ponto de vista de transportes uma atractividade” e, sobre isso, comenta: “e acho que ainda bem que o Barreiro pode retomar a importância ferroviária que já teve” e conclui: “É evidente que vai ter consequências, mas estamos convencidos de que conseguiremos concretizar esta ideia: que a ponte traz mais vantagens do que desvantagens”.
Escola Álvaro Velho – ”não está decidido se vai abaixo”
Ainda sobre os impactes urbanísticos da ponte e questionado se a Escola Álvaro Velho teria de ser demolida, o presidente da Câmara sublinha: ”não está decidido se vai abaixo”, ao que acrescentou que existem duas alternativas em estudo para o traçado da ponte “e uma delas não toca na escola”, salienta. Ainda que admitindo que “a terceira travessia terá alguns efeitos sobre alguns edifícios, qualquer que seja a alternativa”, não deixou de expressar: “vamos aguardar”, sublinhando que se a Estação Ferroviária se vier a localizar na escola “estamos a pensar encontrar soluções”, o que passará pela sua deslocalização, mas realça tratar-se essa de uma fase posterior para encontrar soluções com outros parceiros da Administração Central.
Traçado da Ponte em solo barreirense – 2 alternativas “já muito consolidadas, é uma questão de se optar por uma ou por outra”
Quanto à entrada da Ponte Barreiro-Chelas em território barreirense, o presidente da Câmara diz já estar definida, entrando pelo território da Quimiparque, em direcção à Avenida das Nacionalizações, na continuação do IC21, no qual os automóveis seguem em túnel até perto do Hospital Nossa Senhora do Rosário. Mas quanto ao traçado, sublinha que ainda estão a ser estudadas as alternativas, apesar de advogar “já muito consolidadas, é uma questão de se optar por uma ou por outra”. A respeito à Estação Multimodal Ferroviária “ainda estão a ser estudadas as melhores soluções para a Estação”, o que diz dever-se ao facto de a “linha ferroviária ser uma estrutura pesada que cria feridas no território e limita a passagem de um lado para o outro.”
Perante a preocupação de um dos populares presentes sobre os impactos que a ponte poderá ter sobre as habitações, o presidente da Câmara sublinhou: “Que me lembre não passa sobre casas” e comentou: “A Administração Central não deixará de ter em conta o interesse das pessoas e a Câmara não deixará de estar presente nessa negociação”.
Andreia Catarina Lopes













