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Perspectivas

“100 anos de lutas – O outro lado da CUF”Anos de luta que forjaram a cultura do Barreiro e da Margem Sul

. Banda Municipal do Barreiro tocou “A Internacional” no Coreto d“Os Franceses”

“O Barreiro e o país continuam a viver tempos de angústia” – referiu a deputada, Mariana Aiveca, na abertura do espectáculo musical que encerrou o programa “100 anos de lutas – O outro lado da CUF”, promovido pelo Bloco de Esquerda.

“Foram combates de muitos anos, que forjaram a personalidade do povo da margem sul, forjaram a sua cultura, forjaram a sua forma de estar no mundo” – sublinhou Fernando Rosas, acrescentando na sua intervenção, que - “A questão que se coloca hoje, a todos nós, não é sabermos quem é dono da memória. A questão que se coloca a todos nós, é ser digno dela”.

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“100 anos de lutas – O outro lado da CUF” Anos de luta que forjaram a cultura do Barreiro e da Margem Sul

Por Jornal Rostos

O Bloco de Esquerda promoveu a iniciativa intitulada – “100 anos de lutas – O outro lado da CUF”, que encerrou com um espectáculo, realizado na SDUB “Os Franceses”, num percurso pelas músicas da resistência.
A abrir a sessão de registar a participação da Banda Municipal do Barreiro que, no coreto do Jardim d’os Franceses, tocou “A Internacional”.

O Barreiro e o país continuam a viver tempos de angústia

Mariana Aiveca, deputada do Bloco de Esquerda, eleita pelo Círculo Eleitoral de Setúbal, numa intervenção de abertura, agradeceu a todos os que colaboram nos diversos colóquios e deram o seu contributo neste projecto.
“O Barreiro e o país continuam a viver tempos de angústia” – referiu a deputada, acrescentando que “vivemos num momento em que um Governo, dito socialista”, todos nos presenteia com “precaridade no trabalho”, um tempo se “acha normal” que membros de antigos governos “passem a administradores”, referindo que este é um tempo “em que tudo é normal e ético”.
A deputada recordou que neste mesmo tempo os trabalhadores saem à rua em manifestações e protestos, dando relevo, à acção desenvolvida pelos professores, contra a “sinistra que pensa em retirar-se”.
Mariana Aiveca, sublinhou que o “Bloco de Esquerda é imprescindível, porque acrescenta esquerda à esquerda, é a esquerda socialista”.

Cem anos de canções fizeram reviver momentos de luta

Seguiu-se o espectáculo, onde foram recordadas memórias das lutas operária e evocados os artistas e as canções da resistência antifascista.
O Grupo Coral dos Mineiros de Aljustrel trouxe a recordação dos alentejanos que um dia rumaram ao Barreiro, na busca de uma vida melhor e aqui forjaram e cimentaram as suas famílias.
O Grupo Coral Allius Vetus evocou as músicas heróicas de Fernando Lopes Graça, enquanto, Zeca Afonso, foi interpretado pelos duo Couple Coffe.
num registo à actualidade o rap marcou presença com os “Chulage” que proporcionaram uma reflexão sobre as novas comunidades imigrantes.
Recordaram que “a nova geração não é uma geração rasca como se diz”, mas, é uma geração que respeita a luta que foi desenvolvida até ao 25 de Abril que, sublinhararm continua a – “ser a nossa luta na margem sul”.
Foi um percurso sobre as memórias musicais de 100 anos de lutas. Foi um espectáculo com muita qualidade, agradável e com emoção.
No final, o Grupo Coral Coral dos Mineiros de Aljustrel encheram a sala da velhinha “Os Franceses” com os cânticos de “Grândola Vila Morena”, a canção que marca a memória do Dia da Liberdade.

Dar voz aos muitas vezes sem voz


Fernando Rosas, deputado do Bloco de Esquerda, eleito pelo distrito de Setúbal, numa intervenção final, referiu que esta iniciativa do Bloco de Esquerda - “100 anos de lutas – O outro lado da CUF” – surgiram porque “as comemorações oficiais concelhias que se preparavam, silenciavam ou ocultavam o outro lado da CUF, do trabalho, da repressão, o lado da vida dura, o lado que, naturalmente, os herdeiros e os patrões das CUF, cem anos depois, estão mais interessados em ocultar”.
Salientou que as comemorações se resumem à glorificação dos patrões e de Alfredo da Silva.
“Nós pensamos que é preciso dar voz, aos muitas vezes sem voz, e, que só faltava que na democracia, depois de Abril, continuassem a não ter voz”.
Fernando Rosas, sublinhou que a CUF, “só foi o que foi porque o regime salazarista, pôs a pauta aduaneira ao seu serviço, para a proteger e conferiu à sua produção o regime de monopólio, produzida contra toda a espécie de concorrência, com uma mão de obra abundante e barata”, que era reprimida pela Policia Politica e pela Guarda Republicana.
“É possível comemorar os cem anos da CUF sem lembrar que o direito à greve era proibido?” – sublinhou.

Homens e mulheres de todos os credos e todas as cores

O deputado do Bloco de Esquerda, referiu que não é possível celebrar os cem anos da CUF – “deixando no esquecimento as lutas que na empresa começaram ainda estava a ser construída”, em 1918, assim como as lutas de 1934, 1943 até ás eleições de 1969 ou 1973.
“Foram combates de muitos anos, que forjaram a personalidade do povo da margem sul, forjaram a sua cultura, forjaram a sua forma de estar no mundo” – sublinhou Fernando Rosas, uma luta, que contou com a participação de milhares de homens e mulheres – “de todos os credos e todas as cores da resistência – anarquistas, socialistas, comunistas, católicos, maoístas, gente sem partido. Essa bandeira multicolor das esquerdas socialistas do Barreiro e de toda a margem sul. Esse é um património comum à esquerda”.

Um património comum à esquerda

“Um património comum à esquerda que fala do passado a olhar para o futuro. À esquerda de todas as cores. À Esquerda que está à vontade para o dizer, sem dogmatismos, sem sectarismos, que ninguém é dono da memória” – salientou Fernando Rosas.
“A questão que se coloca hoje, a todos nós, não é sabermos quem é dono da memória. A questão que se coloca a todos nós, é ser digno dela” – sublinhou
O deputado do BE, referiu que”convocamos essa memória, não para tirar créditos”, mas como “uma arma para as lutas de hoje, contra um governo e contra uma politica de ataque aos direitos e à dignidade do trabalho”.
Finalizou que esta iniciativa do Bloco de Esquerda é “um compromisso com a memória”, para manter a força dos 100 anos de luta – “a flutuar como uma bandeira” de – “uma memória ao serviço do futuro”.











BREVE APONTAMENTO DE REPORTAGEM


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