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Perspectivas

Jantar evocativo do 25 de Abril – Juntas de Freguesia do Barreiro“O concelho do Barreiro saúda o 25 de Abril”

“O Barreiro e o seu povo são liberdade, democracia, resistência, combatividade e luta”

“Nós, povo do Barreiro, estamos em condições de, no presente, construir o futuro da nossa terra”

“É preciso que os poderes sintam o respirar do povo”

Ontem, realizou-se na S.I.R.B. “Os Penincheiros” o já tradicional jantar evocativo do 25 de Abril, organizado pelas Juntas de Freguesia do Concelho do Barreiro. Na sessão em que se assinalou o 34º aniversário da Revolução dos Cravos, a sala encheu-se de gente para celebrar esse momento da história nacional, onde se realçou a importância da conquista da liberdade e do poder local democrático. E passados 34 anos evoca-se a data para “relembrar que é possível a mudança, mesmo quando ela parece não mudar”.

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Jantar evocativo do 25 de Abril – Juntas de Freguesia do Barreiro “O concelho do Barreiro saúda o 25 de Abril”

Por Jornal Rostos

Em representação das Juntas de Freguesia do Barreiro, Alexandra Silvestre, presidente da Junta de Freguesia da Verderena, começou por sublinhar que “nasceu já em liberdade” mas não deixou de fazer menção aos “48 anos em que se viveu num país em que sonhar, pensar, pintar, escrever era condicionado ou mesmo proibido” e realçou a importância que teve “o momento das forças armadas”, uma “iniciativa que coroou com êxito várias acções”. Ainda sobre o 25 de Abril, destacou a sua importância na conquista do poder local, ao que comentou: “um momento importante no nosso país, que permitiu hoje sermos detentores do poder local democraticamente eleito” e por isso sublinhou : “Celebrar Abril é um dever de todos nós, para agradecer aos que lutaram por um futuro mais justo”.

“O futuro das populações constrói-se não só nessas grandes obras mas também no dia-a-dia”

34 anos após o 25 de Abril, falou na crise económica e no desemprego que “assombra o que Abril sonhou” e do presente do Barreiro, marcado “até por um passado mais recente”, fazendo menção ao encerramento da CUF/Quimigal “que arrastou consigo o envelhecimento da população”, comentou. A respeito do futuro do Barreiro, fez menção às intervenções que ocorrem no concelho, desde a requalificação da frente ribeirinha, à requalificação da Quimiparque, à construção da ETAR Barreiro/Moita e ao recente anúncio da terceira travessia sobre o Tejo. Mas advertiu: “o futuro das populações constrói-se não só nessas grandes obras mas também no dia-a-dia”, ao que sublinhou o papel das Juntas de Freguesia na requalificação dos espaços urbanos e “com um sem número de acções pouco visíveis, às vezes, mas fundamentais para todos nós”.

“O Barreiro e o seu povo são liberdade, democracia, resistência, combatividade e luta”

O presidente da Câmara Municipal do Barreiro, Carlos Humberto, começou por evocar: “hoje o dia é os militares e das Juntas de Freguesia” e sublinhou que, no seu entender, uma das maiores vitórias do 25 de Abril foi “transmitir às gerações mais novas e ajudar que as gerações mais novas vivam na liberdade e na democracia, com a mesma naturalidade como aquela com que respiramos”. Utilizando a expressão de que “o Barreiro e o seu povo são liberdade, democracia, resistência, combatividade e luta”, o autarca fez alusão aos tempos que se viveram no Barreiro antes do 25 de Abril, no qual refere que o Barreiro era uma terra “vermelha de combatividade por uma sociedade mais justa”, que não deixou de continuar a ser assombrada “por momentos negros de desemprego”, ao que advertiu: “mas sabemos e aprendemos que é necessário ser persistente e combativo”, lição que considera que ficou “de 48 anos de resistência”. “Sem desistir e resistir” foi o mote que lançou para “continuar a combater pela verdade, desenvolvimento democracia e direitos”. E tendo em linha de conta a ideia de que “o futuro se constrói sempre no presente”, expressou: “Nós, povo do Barreiro, estamos em condições de, no presente, construir o futuro da nossa terra”.

“Relembrar que é possível a mudança, mesmo quando ela parece não mudar”

Numa noite em que se evocou a Revolução dos Cravos, simbolizada nos militares de Abril, o Capitão-de-Mar-e-Guerra Ferreira da Silva começou por sublinhar que no período que antecedeu o 25 de Abril “o mundo parecia imutável”, o mundo em solo português, ao que comentou: “via-se lá fora as coisas mudarem e aqui parecia que era impossível fazer fosse o que fosse”. Mas porque no impossível despertou o possível, lembrou: “numa manhã o país acordou cheio de cravos” e “a falar de democracia”. E por isso considera que relembrar o 25 de Abril é “relembrar que é possível a mudança, mesmo quando ela parece não mudar”. E referiu que numa altura em que o futuro dos jovens, por vezes, parece incerto, deixou a mensagem da importância de “ter a força, a esperança e a capacidade para sonhar o futuro”, um futuro que “só se faz, indo fazendo”, sublinhou. E considerando que “progressivamente muitas das liberdades que fomos conquistando estão a ser substituídas por uma fúria reguladora”, advertiu para “não se ficar só a comemorar Abril”, ao que acrescentou: “É preciso que os poderes sintam o respirar do povo”.

Andreia Catarina Lopes

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